sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A espada do Espírito

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Por Charles Spurgeon

Nosso Senhor poderia ter derrotado satanás com poder angelical; bastaria orar a seu Pai, e ele rapidamente enviaria dúzias de legiões angelicais, cujo poder o nosso inimigo não poderia resistir por um momento sequer. Se o nosso Senhor tivesse apenas exercitado sua divindade, uma única palavra seria o suficiente para enviar o tentador de volta ao seu covil infernal.

Mas, ao invés de poder angelical ou divino, ele usou “Está escrito”; assim, ensinou sua igreja que ela nunca deve esperar ajuda da força bruta ou das armas carnais, mas deve confiar comente na onipotência que habita na certeza do testemunho da palavra.

Esse é o nosso machado de batalha. Os principados ou as prisões do poder civil não são por nós. E não nos atrevemos a usar subornos ou ameaças para converter homens ao cristianismo: um reino espiritual deve ser edificado e baseado apenas por meios espirituais.

Nosso Senhor poderia ter derrotado o tentador ao revelar sua própria glória. O fulgor da majestade divina estava escondido na humilhação da humanidade, e se ele tivesse levantado o véu por um momento apenas, o inimigo teria sido completamente confundido como morcegos e corujas quando o Sol brilha sobre suas faces. Mas Jesus quis por bem guardar sua excelente majestade e apenas se defender com “Está escrito”.

Nosso Mestre também poderia ter assaltado satanás com retórica e lógica. Por que ele não discutiu os pontos em questão assim que foram levantados? Ali nós vimos três proposições diferentes a serem discutidas, mas nosso Senhor limitou a si mesmo a um único argumento, “Está escrito”.

Veja bem, se nosso Senhor e Mestre, com toda a variedade de armas que tinha seu dispor, ainda assim escolheu a lâmina da Palavra de Deus, não hesitemos, por um momento sequer, mas nos agarremos e nos prendamos a essa única arma disponível aos santos de todos os tempos. Deixe a espada de madeira da argumentação carnal; não confie na eloquência humana, mas arme-se com as solenes revelações de Deus, que não pode mentir, e você não precisa temer satanás e suas hostes. Jesus, podemos ter certeza, escolheu a melhor arma, e o que é melhor para ele, é o melhor para você.

Você só precisa se voltar para suas Bíblias, encontrar o texto correto e arremessá-lo contra satanás, como uma pedra na funda de Davi, e vencerá a batalha. “Está escrito”, e o que foi Escrito é infalível; essa é a força do argumento. “Está escrito”. Deus disse; isso basta. Ó abençoada espada e escudo com que os pequeninos podem usar para se defender e os iletrados e símplices podem tirar proveito, que dão poder ao de ânimo dobre e vitória aos fracos.


Bibliografia:

Trecho retirado do sermão “Infalibilidade – onde encontrar e como usar”


Fonte: Reforma21.org | Traduzido por Filipe Schulz | Original aqui

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ciência comprova: As relações que duram mais dependem de 2 coisas básicas

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Está sobrando agressividade, desrespeito e desinteresse em seu relacionamento? Esse estudo aponta duas coisas básicas que podem salvá-lo.

Milhares de casais se unem em matrimônio anualmente. No Brasil, o mês das noivas é maio, nos Estados Unidos, o mês mais popular para casamento é o mês de junho, onde em média 13.000 casais dizem "sim".

Desses casais que decidem passar a vida juntos, muitos não conseguem levar o relacionamento por muito tempo. Se você parar agora e analisar quantos casais você conhece que se casaram e se divorciaram, certamente terá que anotar, ou perderá a conta. Pensando nisso, que o psicólogo, John Gottman, juntamente com sua esposa também psicóloga, Julie Gottman, realizaram um estudo com casais para entender melhor o motivo do fracasso e do sucesso de seus relacionamentos.

A conclusão a que chegaram pode parecer óbvia demais, porém ao analisarmos os detalhes de nossos próprios relacionamentos, certamente identificaremos pontos que precisam de mais atenção.

Segundo o estudo dos Gottmans, as duas coisas básicas que movem um relacionamento até o fim da vida são generosidade e bondade.

John e Julie criaram o "The Lab Love" (O Laboratório do Amor), levaram 130 casais para seu laboratório do amor, onde passaram o dia realizando tarefas corriqueiras como comer, cozinhar, limpar, enquanto os cientistas sociais os analisavam. Ao fim das análises, os estudiosos classificaram os casais em dois grupos: mestres e desastres. Passaram-se seis anos e os casais foram chamados novamente. Os mestres permaneciam juntos e felizes. Os casais que pertenciam ao grupo "desastres" ou não estavam mais casados ou permaneciam juntos, porém infelizes. Esse resultado levou os cientistas a conclusão de que a generosidade é fundamental para o relacionamento entre o casal. Atos simples como responder a perguntas rotineiras com agressividade ou com generosidade afeta o futuro e a qualidade do seu relacionamento. Perguntas como: "Você viu aquele pássaro?" podem ser a deixa para a esposa demonstrar mais interesse pelos gostos do marido, agindo com generosidade e bondade, criando uma conexão entre os dois. Respostas ríspidas, desinteressadas ou ignorar o apontamento do seu companheiro por indiferença, significam bem mais do que apenas cansaço, ocupação, falta de tempo. Mas sim, podem representar que tudo é mais importante do que as coisas bobas que ele ou ela apreciam.

O estudo apontou que temos duas respostas a escolher quando se trata das questões de nossos companheiros, podemos optar por respostas generosas que nos aproximam como casal ou respostas ríspidas que nos afastam um do outro. Os "mestres" escolhiam respostas generosas, criavam uma conexão com o companheiro, demonstrando-lhe interesse em suas necessidades emocionais. Pessoas que agem com bondade e generosidade, como os casais que pertenciam ao grupo de "mestres" preocupam-se em criar um ambiente de apreciação e gratidão pelo o que o companheiro faz, em contrapartida, casais "desastres" constroem um ambiente baseado na insatisfação, sempre apontando para os erros do outro, para o que ele deixou de fazer, esquecendo-se dos pontos positivos.

A pesquisa mostrou que em situações como, o atraso da esposa ao se preparar para um jantar pode ser encarado pelo marido de duas maneiras diferentes: com bondade e generosidade ou com agressividade, concentrando-se apenas no fato de que ela sempre se atrasa, nunca se apronta na hora combinada, desconsiderando que o atraso pode ter sido motivado pelo tempo que ela gastou preparando uma surpresa para ele.

Generosidade e bondade

Generosidade e bondade podem salvar seu relacionamento. Não estou dizendo que no dia de aniversário de casamento, uma vez ao ano, você fará aquela surpresa linda, e pronto. O que a pesquisa revelou implica na aplicação diária de doses de generosidade e bondade, seja relevando uma coisa aqui, sendo gentil em outra situação ali, evitando cobranças desnecessárias e sempre, sempre e sempre concentrar-se no que a outra pessoa fez e faz de positivo, não de negativo. Sua esposa foi ao supermercado e comprou só alimentos, esquecendo-se do creme dental? Você escolhe: seja agressivo e reclame do creme que ela esqueceu ou agradeça pela comida que comprou. Sua escolha dirá que tipo de relacionamento você está vivendo.

John e Julie Gottman, após estudarem os casais com eletrodos enquanto conversavam, concluíram que casais do grupo "desastres" ficavam fisicamente afetados ao dialogarem com seus companheiros, fisiologicamente eram como se estivessem em guerra ou enfrentando um leopardo. Os "mestres" apresentavam passividade, relaxamento e tranquilidade ao conversarem.

E você? A qual grupo pertence?

Fonte: Portal Familia | Escrito por Karin Cristina Guedes de Oliveira.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Jesus, nosso amigo mais chegado

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Por Joacy Alcântara Cabral em Instituto Jetro

"Bendirei o Senhor, que me aconselha; na escura noite o meu coração me ensina! Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado." (Salmos 16:7-8)

Muitas são as dificuldades que nos desafiam no dia-a-dia e ao passarmos por momentos difíceis, na maioria das vezes, optamos pelo silêncio, isolamento e soluções próprias. Recusamos a falar com Deus e principalmente a ouvir o que ele tem a nos ensinar, esquecendo-nos de que somos dependentes dele. Muitas vezes o orgulho ou as circunstâncias nos obrigam a passar uma imagem somente de aparências e optamos por nos esconder atrás de máscaras, as quais são usadas conforme a situação e o local frequentado e assim os sentimentos são reprimidos.

1- Não esconder nossa tristeza

Diante dos desafios e circunstâncias adversas não precisamos esconder a nossa tristeza de Deus. Ele conhece e sonda o nosso coração, sabe o que estamos passando e espera que confiemos nele, pois ele tem a melhor solução para as nossas vidas. Ele é o nosso Deus Todo Poderoso, Onipresente e Onisciente, que jamais nos abandona e nos ama.

Na passagem que nos relata sobre a ressurreição de Lázaro, Jesus quando se deparou com Maria e os judeus chorando a morte de Lázaro, deixou transparecer toda a sua tristeza e sentimentos através do choro. "Ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se." Onde o colocaram, perguntou ele. "Vem e vê, Senhor", responderam eles. Jesus chorou. Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava!" (João 11: 33-36)

2- Ter sempre um coração agradecido

Que possamos entrar na presença de Deus com gratidão e com confiança, como fez o salmista, no caso, Davi. "Bendirei ao Senhor..." (Sl. 16:7ª).

O apóstolo Paulo também nos aconselha a ser gratos em todas as circunstâncias: "Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus." (1 Tessalonicenses 5:18) - "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos."
(Filipenses 4:4)

3- Ter um lugar secreto para estar com Jesus

Que possamos também como o salmista ter um relacionamento com Deus e que nas noites mais escuras possamos ser iluminados com a presença e os conselhos de Jesus, o nosso Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9:6 b) "... que me aconselha; na escura noite o meu coração me ensina!" (Sl. 16: 7b)

Jesus nos ensina a buscar um local reservado para usufruir da sua doce presença, pois ele nos trará a resposta. "Mas quando você orar vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará." (Mateus 6:6)

4- Colocar Deus em primeiro lugar

É preciso pedir ao Senhor que sonde nossos corações e nos mostre o que temos colocado em primeiro lugar em nossas vidas e aonde temos buscado respostas aos nossos desafios e dificuldades. Precisamos olhar com sinceridade para o nosso interior e perguntar: Será que confiamos em nossas próprias soluções, na sabedoria do mundo, na nossa força, e esquecemo-nos da soberania e do poder de Deus? Que nos momentos de angústia e escuridão, possamos dizer confiantes: "... De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra." (Sl. 121:1-2) e também declarar como Davi: "Sempre tenho o Senhor diante de mim." (Sl. 16:8a)

5- Estar firmados na rocha

Quando construímos e edificamos nossas vidas com base nos ensinamentos da Palavra de Deus, encontramos sabedoria, discernimento, forças e bom ânimo para enfrentarmos os desafios da vida e não vacilarmos em nossa fé, com a certeza que ele está conosco e desta forma afirmar como Davi: "Com ele à minha direita, não serei abalado." (Sl. 16:8b) - "Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. " (Mateus 7:25)

Que ao longo da caminhada possamos aprofundar e desenvolver o nosso amor, gratidão e comunhão com Jesus, nosso amigo mais chegado, nosso conselheiro, que está sempre pronto a nos ouvir e ensinar, sempre com as mãos estendidas para nos sustentar e levar a um lugar seguro.

"Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; por-me-ás sobre uma rocha." (Sl. 27:5)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Maravilhoso Conselheiro

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Por Rodolfo Garcia Montosa em Instituto Jetro

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro ... para que se aumente o seu governo ... (Isaías 9.6a, 7a)

Enquanto os nomes próprios utilizados nos nossos dias têm finalidade apenas para identificar a pessoa, os nomes bíblicos relacionados a Deus tiveram objetivo de descrever e qualificar seu caráter, suas motivações e suas qualidades. Dentro disso, o nome de Jesus ganhou o maior destaque de todos, pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Filipenses 2.9-11). Referindo-se a Jesus, o profeta Isaías teve a revelação que seu nome significa Maravilhoso Conselheiro. Mas o que o caracteriza assim?

O Maravilhoso Conselheiro está próximo

Antes de ser criado o mundo, Jesus já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Mas, mesmo sendo Deus, Jesus se tornou um ser humano e morou entre nós, cheio de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai (João 1.1, 14b - NTLH). Cristo não se fez representar, mas veio pessoalmente para habitar em nosso meio. Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte - morte de cruz (Filipenses 2.6-8 - NTLH). Porque veio, conhece nosso mundo, nossas circunstâncias, sabe a respeito da natureza humana, conhece o inimigo, percebe tudo ao redor.

Mesmo depois de sua ascensão aos céus, continuou interagindo conosco através do Conselheiro, o Espírito Santo, que nos ensina todas as coisas e nos faz lembrar tudo o que ele disse (João 14.26). Porque ele está perto de nós, sob as suas vistas recebemos conselhos sobre qual caminho devemos seguir (Salmo 32.8) e, quando nos desviarmos para a direita ou para a esquerda, nossos ouvidos ouvirão atrás de nós uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andem por ele (Isaías 30.21).

O Maravilhoso Conselheiro tem sabedoria

É inerente a um bom conselheiro ter sabedoria, senão não seria bom conselheiro. Mas Jesus vai muito além. Ele é considerado Maravilhoso, ou seja, suas qualidades transcendem em muito os limites da compreensão humana. Nas palavras do Anjo do Senhor: meu nome é maravilhoso, está além do entendimento, meu nome é um mistério (Juízes 13.18 RA, NVI, NTLH). Cristo é a sabedoria de Deus (1 Coríntios 1.30). Nele todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Colossenses 2.3).

O próprio profeta Isaías predisse: O Espírito do Senhor estará sobre ele e lhe dará sabedoria e conhecimento, capacidade e poder (Isaías 11.2 - NTLH). Porque ele é a própria sabedoria e nele reside todo o conhecimento (Provérbios 8.12, 14), o Senhor pode distribuir sua inteligência a todo que o buscar (Provérbios 2.6,7). Por isso, se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos (Tiago 1.5 - NTLH).

O Maravilhoso Conselheiro nunca descansa

O Senhor nunca dorme nem cochila (Salmo 121.3, 4). E por isso ele pode, hoje e sempre, salvar as pessoas que vão a Deus por meio dele, porque Jesus vive para sempre a fim de pedir a Deus em favor delas (Hebreus 7.25 - NTLH). Ele é nosso grande intercessor (Romanos 8.34; Hebreus 9.24), nosso melhor amigo (João 15.13-15), nosso guia até a morte (Salmo 48.14). O salmista percebeu isso de uma maneira extraordinária, declarando: Bendigo o SENHOR, que me aconselha; pois até durante a noite o meu coração me ensina (Salmos 16.7).

Você tem alguma decisão importante para tomar? Tem alguma dúvida que tem perturbado sua mente e coração? Tem sofrido pela falta de sabedoria em seus relacionamentos, trabalho, ou estudo? Busque como o salmista: Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras (Salmo 73.24) Além de nos guiar, nos recebe com honras? Isso retrata a generosidade de nosso Maravilhoso Conselheiro. Porque Jesus é assim, devemos nos entregar ainda mais a ele para que se aumente o seu governo em nossas vidas.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O absurdo das igrejas cristãs.

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Cada qual com seu próprio evangelho. Tudo para que possam se sentir bem. Mas se bem me lembro de minhas leituras da Bíblia, o evangelho verdadeiro, a sã doutrina, não nos foi dado para nos sentirmos bem, muito pelo contrário, é para nos fazer sentir mal.

Sentir mal com o estado deplorável em que nos encontramos, atolados até o pescoço no pecado e na injustiça. O evangelho real, o evangelho verdadeiro, força o homem a uma mudança radical de vida, é renunciar aos velhos hábitos, é ser uma nova criatura. Não mais guiados pelos desejos de nossa carne e nem por nossa vontade humana egoísta e egocêntrica, mas guiados pelo Espírito Santo do Senhor.

Se o que você está ouvindo te deixa confortável e não te incomoda, desculpe você está sendo enganado e vai continuar morto em seus delitos e pecados.


PCamaral

Publicado originalmente aqui


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Igrejas em crise

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Por Derval Dasilio em Ultimato Online

Religião, hoje, é assunto financeiro e estatístico, em primeiro lugar. Negócios e número de adeptos completam sua finalidade. Assim, se a religião não alcança associados, contribuintes, ou não obtém lucros, segue o destino das empresas destinadas à falência (já ouvimos isso com todas as letras, em nosso meio, dentro de nossas igrejas). Nunca houve equívoco maior, no ambiente eclesiástico mundial, exceto no século das indulgências (XVI), que exigiu uma reforma na Igreja. Nascia, então, a igreja evangélica protestante, para ser diferente, no cristianismo histórico. Essa igreja foi traída às últimas consequências.

O cristianismo, tanto o católico como o protestante evangélico, mudou -- não importam as identidades modernas das igrejas que confessam ser “cristãs”. A ação ideológico-pentecostal no século 21, pretendendo alcançar as multidões, passou a funcionar à semelhança dos grandes movimentos políticos do século 20. Desde a I Guerra Mundial, fascismo, comunismo e nazismo se introduzem na religião, conquistando adesões expressivas. Mesmo quando a mesma religião se declara à parte dessas ideologias, seus métodos equivalem. Se socialistas falam com linguagem “religiosa” sobre conversões autoritárias, não menos capitalistas, neoliberais, adotam a linguagem fascista ou intervencionista. Nas igrejas, para impor a “liberdade de mercado” como meio de promoção da expansão pentecostal, cristaliza-se esse conceito.

Lideranças pastorais adotam as imagens de déspotas famosos, como Hitler – enquanto desprezam vultos como Tolstoy, Ghandi, Luther King, e o nosso Jaime Wright, símbolos da resistência não-violenta –, e aderem ao sionismo judaico-cristão, assumindo gestos e símbolos autoritários, fundando igrejas nacionais – também criando rachaduras internas; criando interminavelmente outras facções eclesiásticas –, com expressivo sucesso de público nunca antes imaginado. É a deificação do “homo religiosus” e, ao mesmo tempo, da religião de mercado. Às igrejas e lideranças desse meio, tudo é permitido, inclusive o esforço por revogar direitos constitucionais fundamentais, conquistas democráticas e pregar a exclusão e violência contra minorias; contra a mulher e a criança, o adolescente, e contra homoafetivos de ambos os sexos. Se ao Estado autoritário é permitido estabelecer uma ordem na vida e nos interesses da pessoa, a religião acompanha a mesma inclinação.

É nestas fronteiras específicas que se concentra, nos dias de hoje, o trabalho de humanização feito por Deus, pregava Richard Shaull. É nelas que está sendo jogado o futuro do homem e das nações emergentes e em vias de desenvolvimento.
“Hoje, de modo geral, a igreja local conserva os mesmos padrões de trabalho e o mesmo conjunto de instituições modelado no período do ‘protestantismo de missões’ (seria por demais extensivo falar sobre o colonialismo missionário na África, Ásia e Oceania)?
Este tipo de atuação é ainda relativamente eficaz junto a povos que, até o momento presente, não foram muito atingidos pelo impacto do Ocidente e onde os velhos padrões de vida permanecem quase intactos”, dizia Richard Shaull. Hoje, a observação mudaria, quem sabe: dos velhos padrões, não permaneceu pedra sobre pedra…
Com a mentalidade que acompanha a igreja evangélica, moldar o futuro, neste caso, estas áreas dos atuais desencontros da identidade original obscureceram e se aproximam da escuridão total. Paralelas ao êxito religioso do pentecostalismo evangélico, as comunidades têm cada vez menos significação e relevância diante dos problemas de uma nação ou continente. Não se admira que tenham sido solapadas, as igrejas históricas que não se entregaram ao pentecostalismo. Mais cedo ou mais tarde também abdicariam dos fundamentos e princípios originários.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Pensamentos Para o ano Novo

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Por Norbert Lieth no portal Chamada

1."...as coisas antigas já passaram..." (2 Co 5.17). O medo de viver, na verdade, origina-se na culpa e no pecado. Só quem se livrou do fardo do passado pode entrar leve e despreocupadamente pelo portal de um novo ano. Jesus Cristo é grande o suficiente para nos perdoar todos os pecados. Basta que os confessemos a Ele.

2. "...eis que se fizeram novas..." (2 Co 5.17). Alguém disse certa vez: "Um dia pode ser uma pérola, e um século, nada." Aquele que entregou sua vida a Jesus ganha a eternidade para si; quem vive sem Jesus está perdendo tudo desde agora.

3. "Oh! Tomara que me abençoes..." (1 Cr 4.10). Quando o talentoso artista Michelangelo começou a maior obra de sua vida na Capela Sistina, pintou primeiro duas mãos que abençoavam. Ele sabia o que também nós temos de saber para um novo ano: "Tudo depende da bênção de Deus".

4. "O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois" (Jo 13.7). Muitas coisas que acontecem nos parecem estranhas, muitos caminhos de Deus para conosco parecem ininteligíveis, mas na eternidade vamos entender o porquê, pois Deus jamais erra.

5. "...a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus" (Gl 2.20b, Ed. Rev. e Corrigida). Para quem vive pela fé em Jesus, a fé de Jesus passa a se tornar efetiva: não existe fé maior do que essa. Viver com Jesus significa alcançar o alvo, pois Ele é o Autor e Consumador da fé (Hb 12.2).

6. "...faça-se a tua vontade..." (Mt 6.10b). Seguir ao Senhor com um coração íntegro e obedecer-Lhe traz bênção nunca imaginada e é o melhor pré-requisito para o sucesso espiritual. Dar finalmente o passo diante do qual vacilamos até agora nos faz felizes e nos conduz à liberdade.

7. "Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor" (Lc 12.36). William McDonald disse: "Não basta defender a verdade acerca de Sua vinda; essa verdade deve nos dominar". Os cristãos mais ativos e santificados são aqueles que contam com a volta de Jesus e que amam a Sua vinda. Por isso o pastor Wilhelm Busch recomendava: "Juntem-se aos crentes que esperam pela volta do Senhor".

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Enquanto os homens dormem

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Por Alderi Souza de Matos em Revista Ultimato

Em conhecida parábola, Jesus utilizou uma expressão sugestiva ao dizer que, “enquanto os homens dormiam”, veio o inimigo e semeou erva daninha no meio do trigo (Mt 13.25). Ele estava se referindo ao que acontece no reino de Deus ou na igreja, onde, por causa da negligência dos líderes ou da hipocrisia humana, existem indivíduos que não são verdadeiros discípulos. Essa metáfora também pode ser aplicada ao que vem ocorrendo no Brasil atual. Enquanto os evangélicos e muitos outros parecem adormecidos ou inconscientes, estão se insinuando na vida nacional, por vezes de maneira sutil, realidades preocupantes que poderão ter consequências históricas dolorosas nos anos que virão.

Muitos dirigentes do país defendem políticas, valores e objetivos de longo prazo que se chocam com importantes convicções democráticas e cristãs. Por exemplo, já por diversas vezes se tentou implantar o chamado “controle social da imprensa”, um mecanismo de censura aos órgãos de comunicação em nome de supostos interesses sociais. Recentemente, foi promulgado um decreto presidencial que determina a participação de integrantes de movimentos sociais nos órgãos públicos e nas decisões do Estado. À primeira vista isso parece louvável, até que se percebe que boa parte desses movimentos são alinhados com ou controlados pelo próprio governo, ficando excluídos ou marginalizados os grupos que partilham de outras convicções.

No campo da moralidade, é perigoso quando os governantes arrogam para si a prerrogativa de impor sobre a sociedade sua visão particular, por meio da legislação e da educação. É legítimo o esforço de resguardar os direitos de minorias, como os homossexuais. No entanto, as políticas públicas em relação a esse grupo têm ido muito além da proteção de direitos, utilizando-se o sistema educacional para incutir nas crianças e nos jovens a ideia de que os relacionamentos homoafetivos são algo natural e saudável. Outra área em que se percebe um ataque concentrado contra a visão cristã da família é o esforço no sentido de ampliar as fronteiras legais do aborto, planejando-se utilizar para isso a rede pública de assistência médica. Uma sociedade não pode ser justa se não protege os seus elementos mais frágeis, como os nascituros.

Algo ainda mais inquietante para muitos cidadãos é a clara simpatia das autoridades superiores por uma ideologia hegemônica. Uma das principais evidências disso é a política externa do Brasil, na qual se aplica à perfeição o ditado segundo o qual aqueles com quem andamos dizem quem nós somos. Soam falsas as afirmações dos que, em casa, fazem juras de amor à democracia, mas, nas relações internacionais, apoiam e louvam regimes autoritários. É o que tem ocorrido em relação a países como a Venezuela, o Irã, a Turquia e, mais recentemente, a Federação Russa. Particularmente sintomática é a atitude do governo brasileiro com relação a Cuba. São contínuas e efusivas as manifestações de admiração por esse regime antidemocrático e violador de direitos humanos. O movimento denominado “Foro de São Paulo” tem propostas altamente questionáveis para o Brasil e a América Latina.

Nossos dirigentes têm feito coisas apreciáveis no âmbito social, no sentido de produzir justiça e diminuir as desigualdades, embora essas ações não estejam isentas de críticas de assistencialismo e interesse eleitoral. Todavia, isso não significa que, em razão dessas conquistas valiosas, os líderes têm carta branca para fazer o que desejarem em outras áreas. Muito menos significa que nós, evangélicos e outros, porque apoiamos certas iniciativas, temos de apoiar todas as demais ou silenciar sobre elas. Do ponto de vista bíblico e teológico, é motivo de preocupação uma corrente política que possui mentalidade messiânica, que se considera a única solução para os problemas do país e que, por isso, acha que deve se perpetuar à frente do governo. A alternância do poder é uma das molas mestras da democracia. Considerar um regime, governo ou ideologia como insubstituível é uma forma de idolatria com a qual os cristãos conscienciosos não podem compactuar.

A responsabilidade social é uma tarefa inalienável dos cristãos, como discípulos de Cristo e como cidadãos. São muitos, sérios e legítimos os reclamos de nossa sociedade nesse âmbito. Porém, não é correto transformar a questão social em um absoluto que relativiza todas as outras preocupações, que justifica o uso de quaisquer meios, até mesmo radicais. Os evangélicos e os cristãos em geral precisam estar muito atentos ao que se passa no cenário nacional, pois o que está ocorrendo poderá ter repercussões históricas profundas e duradouras. A indiferença ou a cumplicidade cristã em outros países e contextos contribuiu para resultados aflitivos. A mesma Escritura que nos exorta a acatar os governantes também ensina que o nosso compromisso prioritário é com o Senhor e não com homens.


- Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e professor no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. É autor de “Erasmo Braga, o Protestantismo e a Sociedade Brasileira”, A Caminhada Cristã na História e “Fundamentos da Teologia Histórica”. Artigos de sua autoria estão disponíveis em http://www.mackenzie.com.br/historia_igreja.html