quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Quando falta disciplina na família

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Por Hernandes Dias Lopes em Palavra da Verdade

Não existe curso de doutorado em paternidade. Grandes homens fracassaram rotundamente nesse sublime, mas árduo ministério. Um clássico exemplo dessa realidade é o sacerdote Eli. Diz a Escritura que seus filhos eram filhos de Belial e não se importavam com o Senhor (1Sm 2.12). Eli foi juiz e sacerdote de Israel por quarenta anos. Era um homem de Deus, que tinha discernimento das coisas espirituais. Em seu longo ministério, certamente cuidou de milhares de famílias e aconselhou muitos filhos a honrarem seus pais e a obedecerem a Deus. Porém, Eli deixou de disciplinar seus próprios filhos.

Hofni e Finéas, cresceram dentro da casa de Deus. Desde cedo se acostumaram com o culto divino e com as ofertas trazidas pelo povo. A casa deles estava encharcada da presença do sagrado. Entretanto, esses jovens prevaricaram e tornaram-se culpáveis diante de Deus. Viveram em excessos. Tornaram-se adúlteros, blasfemos e insolentes. Perderam completamente o temor de Deus. Corromperam o sacerdócio. Profanaram a casa de Deus. Mancharam suas vestes. Tornaram-se falsos pastores.

O povo todo via os escândalos promovidos por Hofni e Finéas, que embora casados, eram infiéis a Deus, ao cônjuge e ao povo. Os comentários deprimentes acerca do mau exemplo dos filhos de Eli chegavam a ele, mas este amava mais a seus filhos do que a Deus e não os disciplinava com o rigor necessário. Eli foi alertado várias vezes, mas não teve fibra para corrigir seus filhos. Finalmente, Deus usou o jovem Samuel para comunicar a sentença de morte à casa de Eli. Nem assim, ele reagiu. Ao contrário, aceitou passivamente a decretação da derrota em sua casa.

Eli tornou-se um pai complacente, bonachão e conivente com o pecado de seus filhos. Por causa do pecado deles, mais de trinta mil pessoas foram mortas no campo de batalha, a arca da aliança, símbolo da presença de Deus, foi roubada e eles foram mortos. O próprio Eli morreu ao saber das más notícias. Também morreu sua nora, a mulher de Hofni, ao dar à luz a Icabode, uma evidência de que a glória de Deus havia se apartado deles.

A família do sacerdote Eli é um alerta para nós. O amor responsável disciplina e estabelece limites. Não ama suficientemente os filhos, os pais que os poupam de confronto firme e de disciplina amorosa. Os pais ensinam os filhos com exemplo, admoestam os filhos com a palavra de Deus e os disciplinam com temor e reverência. Se você pai, ama seus filhos, ouse discipliná-los. É melhor ver os filhos chorando agora, do que sofrendo as consequências de seus pecados por toda a eternidade. É melhor o desconforto do confronto sincero do que o aparente conforto da omissão covarde.

Que Deus nos ajude a termos famílias piedosas. Que a nossa maior alegria seja ver os nossos filhos andando na verdade!


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O argumento do amor

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A medida do nosso amor por Deus é a medida da nossa obediência a ele.



Por Ricardo Barbosa em Revista Ultimato

O amor, cremos, é a razão por trás de tudo. Francis Schaeffer afirmou que o amor “é a apologética final, o argumento irresistível”. Jesus disse que amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos é o maior de todos os mandamentos e o resumo de toda a lei e dos profetas. Diante da força do amor, tudo o mais fica relativo.

O cristianismo afirma que Deus é amor. Afirma que Deus nos ama incondicionalmente, que nos perdoa de todas as nossas iniquidades, nos conhece e nos aceita como somos. A prova deste amor é sua entrega final por nós na cruz. Aprendemos também que o amor deve ser nossa motivação – “se não tiver amor, nada serei”. Porém, será que a linguagem bíblica do amor é a mesma que usamos para descrevê-lo em nossa experiência humana e cristã? Suspeito que não.

O conceito de amor que temos é platônico e autocentrado. Para nós, amor é aquilo que sentimos em relação ao outro. Entretanto, no final, diz respeito a mim, ao que eu sinto, e não ao outro. O amor de Deus revelado em Cristo é exatamente o oposto, é sua autoentrega por nós. Não diz respeito ao que ele sente por nós, mas ao que ele fez por nós.

Embora eu reconheça a força do argumento do amor, reconheço também as inconsistências dele, particularmente, quando faço uso dele para me justificar. Certa vez, me encontrei, por acaso, com uma pessoa que durante anos frequentou uma igreja, mas que por motivos diversos resolveu afastar-se. Ela estava assim por vários anos. No meio da conversa, ela me disse que, embora não frequentasse nenhuma igreja e não achasse isso necessário, seu amor por Deus não havia mudado, ela continuava amando-o “de paixão” – foi a expressão que usou. O argumento era forte. Quem poderia questionar o amor (paixão) dela por Deus? Perguntei a ela: “Por acaso, Deus sente-se amado por você?”. A resposta foi tão lacônica quanto o argumento: “Não sei” – disse ela.

Eu não duvido do amor de Deus por mim, mesmo sem compreendê-lo muito bem e mesmo sabendo que não o mereço, mas sempre duvidei do meu amor por ele. Prefiro não usar o amor como argumento, pelo menos, não a meu favor. O amor é o argumento de Deus, o amante fiel, nunca o nosso, a amante infiel. É assim que o Antigo Testamento descreve a relação de Deus com seu povo.

Porém, quando inverto os polos e procuro compreender o amor divino a partir da percepção limitada que tenho do amor, corro o risco de torná-lo pequeno e ridículo. C. S. Lewis ironicamente descreve o que, no fundo, desejamos de Deus: “O que realmente nos satisfaria seria um Deus que dissesse a respeito de qualquer coisa que gostássemos de fazer: ‘Que importa se isso os deixa contentes?’. Queremos, na verdade, não tanto um Pai Celestial, mas um avô celestial – uma benevolência senil que, como dizem, ‘gostasse de ver os jovens se divertindo’ e cujo plano para o universo fosse simplesmente que se pudesse afirmar no fim de cada dia: ‘Todos aproveitaram muito’. Não são muitos os que, devo admitir, iriam formular uma teologia exatamente nesses termos”.

O amor que Jesus espera de nós é, em sua natureza, o mesmo revelado por ele. Na linguagem cristã do amor, o verbo amar e o verbo obedecer estão sempre juntos. Jesus, sendo Deus, fez-se homem, sendo homem, fez-se servo e foi obediente até a morte. Fez isso porque ama. Não existe outra forma de definir a natureza do amor divino.

Jesus disse: “Se vocês me amam, obedecerão os meus mandamentos”. Não acho que a sentença propõe uma relação de causa e efeito. Primeiro amo e, como consequência, obedeço. A sentença simplesmente define a forma do relacionamento: se amo, obedeço. Simples assim. É possível obedecer sem amar, mas jamais amar sem obedecer. A medida do nosso amor por Deus é a medida da nossa obediência a ele.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Voltarei!

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Por Douglas Bookman no portal Chamada

No final do Seu ministério, Jesus começou a falar a Seus discípulos sobre “voltar”. De fato, além de uma parábola um tanto misteriosa a respeito de um homem que partiu para uma terra distante para tomar posse de um reino (Lc 19.11-28, mencionada na Páscoa, pouco antes de Sua morte), Jesus não tinha dito virtualmente nada sobre Sua Segunda Vinda. Portanto, deve ter sido um tanto surpreendente quando, na noite antes de Sua morte, Ele falou sobre Sua Segunda Vinda a Seus discípulos.

No Cenáculo, que ficava na colina ocidental de Jerusalém, depois que Judas partira para buscar os membros do Sinédrio e os soldados que prenderiam Jesus, Ele falou, pela primeira vez, explícita e compassivamente, aos onze discípulos fiéis, que estava partindo, mas que “voltaria”: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14.1-3).

No contexto da cultura judaica do primeiro século, Suas palavras teriam sido reconhecidas como uma conversação de casamento. As cerimônias de casamento envolviam dois estágios: o noivado e o casamento. No noivado, a família do noivo pagava um dote e o novo casal trocava votos; desta forma, eles se tornavam legalmente ligados um ao outro como marido e mulher. O casamento em si só ocorreria meses mais tarde, numa ocasião geralmente determinada pelo pai do noivo.

Durante o período do noivado, o casal permanecia separado (Maria, mãe de Jesus, passou esse tempo com Isabel, na região montanhosa da Judéia, Lc 1.39-45); e tanto a noiva quanto o noivo tinham responsabilidades bem definidas. O noivo deveria preparar uma casa para sua noiva no meio de sua família ou de seu clã. Isto é, ele construiria um local onde o jovem casal moraria, abrigado pelo pai dele. Na verdade, uma das expressões para casamento nessa cultura era “acrescentar um cômodo à tenda de seu pai”. Por outro lado, a noiva deveria manter-se pura e se fazer bonita para seu marido.

O próprio casamento era simples, embora muito celebrado. O noivo ia à casa de sua noiva e a levava para a casa que ele havia preparado. Ao longo do caminho, havia uma “parada” cerimonial que incluía grandes demonstrações de alegria e, dependendo da riqueza das famílias, características especiais, como músicos e poetas para fazerem improvisos sobre a beleza da noiva. Quando a festa de casamento chegava até à casa que o noivo havia preparado, haveria uma festa de casamento para celebrar a feliz ocasião. Não havia cerimônia nem troca de votos; isto já havia sido feito por ocasião do noivado.

Nenhuma ocasião em toda a cultura judaica era causa de maior alegria e celebração do que um casamento. Assim, é apropriado que Jesus Se visse como um Noivo que havia assumido os votos de noivado com Seus discípulos, assegurando-lhes que Ele estava indo para preparar-lhes um lugar e que certamente voltaria para buscá-los. A essência do casamento era simplesmente que o noivo iria voltar e receber sua noiva para que, onde ele estivesse, ela deveria estar sempre. É difícil conceber uma maneira mais cativante, amorosa ou confortadora na qual Jesus devesse ter comunicado a promessa de Seu retorno. Desta forma, Ele a prefaciou com as ternas palavras: “Não se turbe o vosso coração”.

Mas há uma outra dimensão das palavras de Jesus, pouco apreciada, porém, tremendamente significativa. A cultura nos dias de Jesus era basicamente uma cultura de clã. O povo judeu vivia em famílias extensivas (os clãs), que cresciam à medida que os filhos finalmente traziam suas noivas para casa. Além disso, essas famílias extensivas cuidavam atentamente dos seus membros. Cada clã era dirigido funcionalmente por um patriarca – um “pai governante” (pater/archos), que era, em última instância, responsável pela saúde e vitalidade do clã.

Na época do Novo Testamento, Roma governava sobre todo aquele território; as preocupações políticas e militares não eram deixadas para os clãs individuais. Mas a vida diária e o bem-estar eram exatamente funções dos clãs. Quando os membros de uma família entregavam uma filha como noiva para ser cuidada por seu novo marido, eles não estavam exatamente entregando-a ao homem, mas à família dele, seu clã – e, especificamente, ao patriarca/pai daquele clã. As famílias buscavam clãs que fossem grandes, fortes e bem estabelecidos – todos eles com um patriarca sábio e digno de confiança. Uma família poderia entregar alegre e confiantemente sua preciosa filha a um noivo que tivesse um bom pai.

Os discípulos de Jesus estavam ansiosos para que Ele inaugurasse Seu Reino prometido, mas Ele falava sempre sobre morrer (cf. Lc 13.31-34). Eles haviam dobrado os joelhos diante da declaração de Jesus de que era o Filho de Deus, um com o Pai em essência, mas distinto do Pai em pessoa e função. Depois, no cenáculo, Ele falou como um noivo amoroso, fazendo votos de fidelidade e conforto para Sua noiva. Ele os relembrou do “clã” infinitamente glorioso do qual eles passaram a fazer parte pelo casamento, e do caráter eternamente confiável do “clã” do Pai. Pense novamente sobre estas palavras preciosas, encontradas em João 14.1-3:

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. [Ou seja, toda a história de seu povo tem-lhes ensinado que vocês podem confiar no Deus Yahweh. Ele é Meu Pai! Mesmo que Eu esteja falando a vocês coisas que não gostariam de ouvir, vocês já aprenderam a confiar em Meu Pai, e podem confiar em Mim também.] Na casa de meu Pai há muitas moradas. [Meu Pai governa sobre uma família grande e forte; Ele já provou ser um patriarca sábio e cuidadoso.] Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. [Se houvesse qualquer motivo para vocês duvidarem de Sua força e sabedoria, Eu lhes teria dito. Mas, de fato, Ele é digno de sua confiança – embora algumas coisas que Eu falei a vocês lhes cause alguma preocupação.] Pois vou preparar-vos lugar. [Estou de partida; e, como um Noivo fiel, prepararei um lar no qual poderemos habitar abrigados pelo Meu Pai, que é amoroso e poderoso.] E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei [Assim como faz todo marido que adquiriu esposa para si mesmo], e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”.

Essas palavras também são para nós. Também aguardamos o cumprimento dessa promessa. E, à medida que esperamos, existem muitas coisas que nos confundem e nos desanimam. Hoje, podemos muito bem, em meio a todo o caos moral e à aparente falta de significado da história, à medida que ela se desenrola ao nosso derredor, ponderar e acatar a amorosa promessa de nosso Noivo celestial, que nos comprou para sermos Sua Noiva, e cujo Pai, que é todo sabedoria, determinará o momento adequado para a festa do casamento.

(Douglas Bookman - Israel My Glory)

domingo, 30 de novembro de 2014

Farei Deus a minha imagem

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Statue of Zeus and Hera in Albertina Square, Vienna, Austria.

Por Thomas Magnum no Bereianos

E disse o homem: farei Deus a minha imagem, conforme a minha semelhança!

É estranho ler uma frase assim para muitos, é blasfemo, enfatizam alguns, é herético dizem outros. Talvez até aqueles que não são religiosos repudiarão essa afirmativa. Alguém em sã consciência não diria que faria Deus, ou diria?

Desde Dave Hume, passando por Nietzsche, dando uma paradinha em Freud e dando uma olhadinha em Foucault, só para citarmos os mais recentes, não é difícil observamos tal pensamento, ou poderíamos voltar um pouco mais e observarmos Atenas nos tempos do apostolo Paulo, que tinha por volta de trinta mil deuses, seja por isso que muitos historiadores dizem que existiam mais deuses do que homens em Atenas.¹

Aqueles que tiveram sua mente cientifica e filosófica prostradas a serviço do eu que se distanciou do tu e que ignorou o Ele, ou do filho que ignorou o ventre que o gerou, pintaram e esculpiram um deus descartável ou substituível, ou morto, ou negaram sua existência como fator fundamental para darem suporte para construção de seus edifícios teóricos e delírios filosóficos. Como dizia o filósofo John Locke: "Reconheço que tenho a noção de um primeiro ser sem começo e penso ser inevitável para uma criatura racional dotada de ponderação deparar com algo assim".²

Em um discurso na colina de Marte na Grécia antiga lemos uma das mais belas peças de oratória das registradas na história, que dizia:
"O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós. Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos poetas de vocês: Também somos descendência dele." - (Atos 17:24-28)
Eis aí uma declaração sobre o verdadeiro Deus, feita por uma das mentes mais brilhantes que pisaram nessa terra, Paulo o apostolo, homem que humilhou sua sabedoria e inteligência àquele que o criou. Mas, a criatura, deseja ser maior que o criador, criando seus deuses domésticos como nos povos antigos. Mas a "criação" de tais divindades nada mais são do que um bezerro de ouro, ou melhor, um cavalo de Troia que no fim das contas os levará a um estado deplorável. "Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos." (2 Timóteo 4:3-4)

Mas, os deuses multiformes criados por religiosos e filósofos não são produto de um passado histórico ou acadêmico. Hoje, vemos a proliferação das heresias em arraiais cristãos, falsos deuses sendo pregados, profanação do altar. Vejamos o "evangelho" de muitas igrejas hoje que se assemelham com a mitologia:
Pluto: deus das riquezas, representava a riqueza em termos gerais. 
Ares: deus da guerra, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra. Embora Ares fosse guerreiro e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais. 
Erínias: Também conhecidas como Fúrias, eram as três divindades que administravam a vingança divina, sendo elas: - Tisífona (a vingança contra os assassinos);- Megera (o ciúme) - Alecto (a raiva contínua). 
Apolo: Na lenda de Homero ele era considerado, principalmente, como o deus da profecia. Apolo era músico e encantava os deuses com seu desempenho com a lira.
Seria estranho isso para nós? Teologia da prosperidade, guerra espiritual (leia-se dualismo), teologia da vingança, e divinização da música no culto público? Quantos deuses os homens tem criado a tantos séculos, a profanação do altar semelhante ao que fez Antíoco Epifanes. A exortação bíblica é grave:
"Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé uma vez por todas confiada aos santos. Pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor. Embora vocês já tenham conhecimento de tudo isso, quero lembrar-lhes que o Senhor libertou um povo do Egito mas, posteriormente, destruiu os que não creram." Judas 1:3-5
Portanto, creiamos no Deus das Escrituras, no Deus que se revelou, e nos adverte: "Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3)

Como nos diz a Confissão de Fé de Westminster:
"Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado."
"Reformai, portanto, vossa vida e modo de agir, escutando a voz do Senhor, vosso Deus, a fim de que afaste de vós o mal de que vos ameaça." (Jeremias 26:13)

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Notas:
1 - Novo Testamento: R.N. Champlin
2 - Draft A, do Ensaio sobre o entendimento humano - John Locke

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Somos todos vasos estragados

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Não queremos crer e muito menos admitir, mas todos somos vasos estragados. Não há nem uma exceção sequer. Devemos lidar uns com os outros como seres estragados. Estragados para sempre na atual conjuntura. Nunca estamos plenamente satisfeitos com o que somos, com o que temos, com o que fazemos, com o que nos acontece, com a idade, com as amizades, com o dinheiro, com a vida.

Uns mais, outros menos, todos nós temos problemas com a raiva, a ansiedade, o tédio, a baixa e a alta autoestima. Nas relações uns com os outros, somos um desastre. É difícil fazer e manter amizade por longo tempo, porque somos invejosos, ciumentos, impacientes, irritantes, implicantes, violentos, egocêntricos e “imperdoadores”. Vivemos entre o amor e o ódio, a euforia e a depressão, o perdão e a vingança, a vagarosidade e a pressa, a hesitação e a precipitação, a vivacidade e a apatia.

Na área sexual temos mil problemas: falta de naturalidade, sentimento de culpa, iniciação precoce, insatisfação, gravidez indesejada, aborto, infidelidade conjugal, disfunções sexuais, homossexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, pornografia, prostituição, violência sexual.

Carregamos desejos efêmeros e custosos demais que não conseguimos medir, avaliar nem manter sob controle. A psiquiatria diz que a compulsão por uma coisa ou por outra “é a busca imediata de prazer, sem planejamento, que produz satisfação e alívio imediato”. Pode ser a compulsão por compras, álcool, drogas, sexo, dinheiro, projeção social etc. Desejos doentios destroem desejos sadios, o que nos obriga a viver em tratamento.

Quanto à religião, somos um fracasso. A história está cheia de guerras religiosas. Ora brigamos com a ciência em nome da religião, ora brigamos com a religião em nome da ciência. Ora não temos fé alguma (ateísmo), ora temos fé em demasia (fanatismo). Ora não sentimos culpa de nada, ora temos a pavorosa mania de pecados. Ora estamos montados em nossos pecados, ora os pecados estão montados em nós. Ora chegamos a Deus para obter misericórdia, ora chegamos a Deus para obter conforto e riquezas.

A doença nos apavora, a velhice nos apavora, a morte nos apavora, o outro mundo nos apavora. A rigor, somos vasos estragados e também apavorados.

Só uma coisa pode diminuir esse pavor e até mesmo acabar com ele. Só uma coisa pode resolver o problema do vaso estragado, do corpo estragado, da alma estragada, da vida estragada. É aquilo que se chama de esperança cristã. A vida não tem significado algum sem essa esperança. Deus não merece culto se não há esperança à vista. Não seríamos insistentes e teimosamente religiosos se essa esperança não fizesse parte de nosso inconsciente e de nossa consciência. Somos vasos estragados, mas não fomos criados estragados. Aquele que nos criou completos, saudáveis, felizes e santos vai nos tornar outra vez completos, saudáveis, felizes e santos.

O vaso estragado que se deixa possuir por esta esperança, dia após dia, faz a sua declaração de fé: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

Fonte: Revista Ultimato

domingo, 23 de novembro de 2014

Falsos Profetas

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Desde a queda no pecado existem brigas, ódio, assassinatos, homicídios, inveja, falsidade e engano. O autor do livro de Eclesiastes escreveu com razão: “...nada há que seja novo debaixo do sol” (Ec 1.9).

Já na época de Jeremias havia profetas pouco sóbrios, irrealistas e falsos, que desencaminhavam o povo com profecias enganosas. Mesmo quando as nuvens da tempestade do juízo se ajuntavam mais densas do que nunca sobre Jerusalém, eles acalmavam o povo. Suas declarações eram muito positivas e soavam edificantes, até mesmo encorajadoras aos ouvidos das pessoas. Eles prometiam muito, inclusive a vitória. Em comparação, os ouvintes recebiam as mensagens de Jeremias como destrutivas, austeras e deprimentes, e só percebiam nelas a perspectiva do juízo. Tratava-se da justiça de Deus e da injustiça do povo, da sua falta de arrependimento e conversão. Como Jeremias deve ter se sentido diante deles?

O falso profeta Hananias apresentava uma “mensagem maravilhosa” e tinha a ousadia, e até mesmo a insolência, de proclamá-la abertamente:

“No mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, isto é, no ano quarto, no quinto mês, Hananias, filho de Azur e profeta de Gibeão, me falou na Casa do Senhor, na presença dos sacerdotes e de todo o povo, dizendo: Assim fala o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Quebrei o jugo do rei da Babilônia. Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da Casa do Senhor, que daqui tomou Nabucodonosor, rei da Babilônia, levando-os para a Babilônia. Também a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e a todos os exilados de Judá, que entraram na Babilônia, eu tornarei a trazer a este lugar, diz o Senhor; porque quebrei o jugo do rei da Babilônia” (Jr 28.1-4).

A isso Jeremias respondeu: “Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o Senhor; confirme o Senhor as tuas palavras, com que profetizaste, e torne ele a trazer da Babilônia a este lugar os utensílios da Casa do Senhor e todos os exilados. (...) O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do Senhor” (vv. 6,9).

Hananias não ficou nem um pouco impressionado, mas fez o seguinte:“Então, o profeta Hananias tomou os canzis do pescoço de Jeremias, o profeta, e os quebrou; e falou na presença de todo o povo: Assim diz o Senhor: Deste modo, dentro de dois anos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, se foi, tomando o seu caminho” (vv. 10-11).

Para Jeremias a única opção era o afastamento. Mas o Senhor orientou-o para que voltasse até Hananias e lhe dissesse, entre outras coisas: “...O Senhor não te enviou, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; morrerás este ano, porque pregaste rebeldia contra o Senhor. Morreu, pois, o profeta Hananias, no mesmo ano...” (vv. 15-17). Todas as profecias mentirosas de Hananias foram soterradas pela areia da fantasia, pois Jerusalém foi definitivamente conquistada e todos os utensílios foram retirados do templo.

Em uma carta, Jeremias teve de escrever o seguinte aos líderes de Israel e a todo o povo que Nabucodonosor tinha levado para a Babilônia:“Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhadores, que sempre sonham segundo o vosso desejo; porque falsamente vos profetizam eles em meu nome; eu não os enviei, diz o Senhor” (Jr 29.8-9). É interessante a proximidade significativa entre as falsas profecias e a adivinhação.

A situação hoje não é muito diferente: profecias bíblicas estão para se cumprir. A princípio as perspectivas não são boas, pois as nuvens da tribulação que se aproxima estão cada vez mais densas. Estamos cercados por más notícias. Indo de encontro a isso, prega-se em muitos lugares um evangelho puramente “positivo”, que ignora esses fatos e é recebido com atenção crescente:

– Avivamentos e curas são prometidos em larga escala. E embora, depois das reuniões, os doentes sejam tirados dos palcos ainda nas mesmas cadeiras de rodas nas quais chegaram, quase ninguém nota isso. O importante é o show!

– Faz-se do pecado algo inofensivo e fortalece-se a fé em si mesmo.

– A mensagem de exortação do Evangelho não é mencionada, e em vez disso espalha-se um evangelho do “sentir-se bem”.

Menciono alguns paralelos:

As advertências dos apóstolos são claras em relação aos últimos tempos, e não podemos negar que elas sejam cada vez mais pertinentes aos nossos dias:

“Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (2 Co 11.13).

“Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras...” (2 Pe 2.1).

“Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 Jo 4.1).

“Porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.18).

Mas não devemos apontar para os outros sem olhar para nós mesmos, antes queremos aceitar essas exortações para nossa própria vida.

É claro que o Senhor pode falar de forma muito pessoal conosco por meio de uma palavra qualquer; provavelmente todo cristão pode testemunhar que isso acontece, alegrando-se com esse fato. Ainda assim não podemos aplicar os versículos bíblicos de forma aleatória e tola à nossa própria situação. Um exemplo: há algum tempo precisei ir com urgência à cidade de Hannover para conduzir um funeral. A previsão do tempo era a pior possível, havia alerta de tempestade, fortes nevascas, as ruas estavam escorregadias e os vôos estavam muito atrasados ou eram até cancelados. Alguns irmãos na fé aconselharam-me a não voar de jeito nenhum; seria muito melhor se eu viajasse com o trem noturno. Quanto mais eu prestava atenção aos amigos e ao meu próprio amedrontamento, mais inseguro ficava. Naquela noite tivemos uma reunião de oração. Alguns minutos antes do início abri minha Bíblia na esperança de, talvez, encontrar uma resposta ali. Meu olhar caiu sobre Lamentações 1.1-2:“...Tornou-se como viúva... Chora e chora de noite, e as suas lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console...” Lembrei da minha esposa – e fiquei ainda mais inseguro. Será que eu deveria viajar de avião? Conversei com ela em casa e ela disse que, em sua opinião, eu deveria voar despreocupadamente, pois voltaria são e salvo para casa. E, graças a Deus, foi o que aconteceu.

Essa insegurança pode surgir quando arrancamos as passagens de seu contexto. É preciso estar atento para que tudo aquilo que ensinamos, pregamos ou aprendemos em nossa “hora silenciosa” corresponda ao fundamento bíblico e não seja arrancado de seu contexto. A Palavra de Deus não pode ser simplesmente moldada a fim de confirmar nossa opinião pré-concebida. Infelizmente, algumas traduções, versões ou comentários da Bíblia não raro são adaptadas a certas tradições. Tenta-se manter e endurecer opiniões tradicionais próprias por meio de versículos bíblicos. Mas assim a Bíblia é rebaixada a objeto e nós mesmos nos elevamos à condição de sujeitos. Basta lembrar da questão da observação das festas e feriados judaicos, da ingestão de alimentos, do batismo e de outros temas semelhantes. Não importa se parece positivo ou negativo: se não corresponder ao ensino geral da Escritura Sagrada, não vale nada. Mesmo o diabo tentou fazer com que Jesus caísse usando versículos da Palavra de Deus arrancados de seu contexto (Mt 4.3ss). E, como ele fazia e ainda continua fazendo isso, tudo o que ele diz é mentira, mesmo se referindo à Palavra de Deus.

As maiores heresias, opiniões equivocadas e seitas surgiram pela interpretação errada da Palavra de Deus.

Mais um exemplo de como não se deve agir: um filho de Deus querido e devotado às vezes sofre com pensamentos depressivos. Durante uma dessas fases ele teve dúvidas acerca da certeza de sua salvação. Ele conta que pensou várias vezes nos versículos de Hebreus 12.16-17, que dizem: “nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado”. Mas no caso de Esaú não se tratava de um filho de Deus que tinha pecado, mostrado contrição e, ainda assim, se perdido. Não: Esaú era antes de mais nada um ímpio, que vivia dessa forma e tinha desprezado conscientemente o seu direito à primogenitura. Esaú estava muito próximo da promessa destinada a ele, mas a rejeitou com desprezo, não a considerou e nem tomou posse dela. Mais tarde ele também quis herdar uma bênção, mas não era a bênção de Deus. As lágrimas de Esaú não foram derramadas em contrição. Ao contrário, ele tentou obter a bênção por meio de lágrimas – sem arrependimento. O caso de Judas foi parecido, pois ele sentiu remorso, mas não se arrependeu (Mt 27.3-5, veja também 2 Co 7.10).

Em outro trecho, a Bíblia diz a respeito de Esaú: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (Rm 9.13). Isso significa que não havia nada em Esaú que o Senhor pudesse ter amado: nenhuma sinceridade, nem um pingo de integridade ou de busca pelo favor do Senhor, bem ao contrário de Jacó, que no auge do sofrimento de sua alma orou:“...Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gn 32.26). É assim que a ira de Deus se manifestou contra Esaú e permanece sobre qualquer pessoa que rejeita a fé em Jesus (cf Jo 3.36).

Portanto, a questão não é se um nascido de novo pode se perder, mas que uma pessoa que não nasceu de novo, que vive sem Deus, que está perto da redenção (como Esaú) e tem a promessa, perde a salvação porque, em última instância, rejeita a opção e não a aceita para si. Muitos judeus, a quem a Epístola aos Hebreus fora dirigida, só se importavam com as bênçãos, isto é, as vantagens do cristianismo (Hb 10.29), mas não com Jesus. Aquele que permanece indiferente a Jesus Cristo, a indizível dádiva de Deus, comete um erro que não poderá ser perdoado nem na eternidade!

Por Norbert Lieth no portal Chamada

terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Igreja Emergente: a Laodicéia do Século 21?

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Por Tim LaHaye no portal Chamada

“...haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (2 Timóteo 4.3).

Parece que cada geração tem sua própria apostasia específica e, em alguns casos, até mesmo depois de um avivamento espiritual. A igreja do século 20 começou numa batalha pelos fundamentos da fé cristã. Durante aquele período, os evangélicos (i.e., cristãos da atualidade que creem na Bíblia e que se constituem de fundamentalistas, separatistas e outros apaixonados amantes da Bíblia) experimentaram um crescimento sem precedentes. Mas então, muitos dos principais seminários começaram a se comprometer, fazendo concessões à filosofia pós-moderna do humanismo secular de nível superior. De 1920 a 1935, muitos líderes fundaram escolas cristãs, institutos bíblicos e seminários que geraram fiéis expositores da Bíblia e igrejas evangelizadoras que ganhavam almas para Cristo em todo o mundo. Infelizmente, vários jovens educadores ingressaram nas universidades seculares a fim de obter seu grau de PhD. Depois de se graduarem, tornaram-se professores de seminário no encargo de ensinar os candidatos ao ministério pastoral a pregarem as Escrituras, sendo que eles mesmos nunca tinham exercido o pastorado, nem haviam se dedicado à pregação. Uma das máximas essenciais do processo educacional é a de que “não se pode partilhar aquilo que não se possui”. O que se verifica com freqüência, nos dias atuais, é que pastores jovens se formam nos seminários, todavia conhecem muito pouco sobre a pregação expositiva, sobre as doutrinas fundamentais, sobre a evangelização e nem mesmo possuem as ferramentas necessárias para atuarem como pastores. Hoje em dia, é comum ver pastores, recém-formados num seminário, assumirem o ministério pastoral de uma igreja, sem nunca terem sido alunos de um professor de seminário que realmente tenha exercido o pastorado de uma igreja.

Além disso, a lavagem cerebral de nossos filhos feita dentro das escolas públicas pelos humanistas seculares, desde a pré-escola até o ensino superior (especialmente nos cursos de pós-graduação) tem produzido uma geração pós-moderna que é avessa aos absolutos morais, ao Evangelho que é o único caminho de salvação e à autoridade da Palavra de Deus. Muitos jovens que estudaram em faculdades cristãs já foram influenciados por essa moderna filosofia secular [N. do T.: Nos Estados Unidos há instituições de ensino fundamental, médio e superior que são mantidas por denominações e entidades evangélicas, cuja proposta de ensino e orientação educacional baseia-se em princípios bíblicos cristãos]. Até mesmo em algumas escolas cristãs de ensino fundamental e médio, é possível encontrar professores com formação acadêmica de orientação humanista, que propõem o ensino de uma filosofia secular dentro de um ambiente cristão. É espantoso verificar o grau de desconhecimento da Bíblia que a maioria dos calouros demonstra ao entrar numa faculdade cristã. O único antídoto para aqueles que sofreram essa lavagem cerebral humanista por muitos anos é uma genuína conversão a Cristo, acrescida de um tempo investido no estudo minucioso da Palavra de Deus.

A secularização da educação cristã fez com que muitos pastores jovens e sinceros se tornassem vulneráveis aos ensinos da igreja pós-moderna, ou como [seus membros] preferem se designar, “Igreja Emergente”. Esse movimento bebe da essência do antinomianismo, uma filosofia na qual os adeptos questionam mais a Bíblia e os fundamentos da fé do que o ensino e a influência anticristãs de sua formação educacional secular. Eles contam com o apoio de Hollywood, da mídia esquerdista e da música “heavy beat” que transmite mensagens antibíblicas num apelo às emoções, enquanto a mente é deixada de lado. Tal música pode, muitas vezes, apelar aos impulsos da carne e já invadiu as igrejas, onde muitos líderes eclesiásticos alegam que ela lhes presta um auxílio no processo de “crescimento da igreja”, tentando provar, com isso, que estão no “caminho certo”.

Entre os falsos ensinos que brotam da Igreja Emergente encontra-se uma forma não tão sutil de ataque à autoridade da Bíblia – um claro sinal de apostasia. Eles não mais afirmam: “Assim diz o Senhor” (apesar do uso dessa expressão por mais de duas mil vezes na Bíblia), por temerem que isso ofenda aquelas pessoas que apregoam a igualdade de todas as opiniões quanto ao seu valor. A Palavra de Deus não é mais interpretada por aquilo que realmente diz; em vez disso, é interpretada por aquilo que diz para você, desconsiderando, assim, o fato de que a formação educacional e a experiência de vida de uma pessoa podem influenciar a maneira pela qual ela interpreta as Escrituras, a ponto de levá-la irrefletidamente a um significado nunca planejado por Deus para aquele texto.

Alguns dão a entender que Jesus foi um “bom homem, até mesmo um bom exemplo, mas Deus?”. Disso eles não têm certeza. Outros relutam em chegar a tal ponto de questionamento, porque se Jesus não é Deus que “se fez carne”, então não temos um Salvador. Entretanto, há outros da Igreja Emergente que põem em dúvida o milagre da concepção virginal de Cristo, Sua morte substitutiva e expiatória, Sua ressurreição corporal e, obviamente, questionam mais de mil profecias bíblicas, tanto as que já se cumpriram, quanto as que ainda estão por se cumprir, as quais descrevem o maravilhoso plano de Deus para o nosso futuro eterno. Uma indicação da situação em que eles realmente se encontram é evidenciada pelas declarações de um dos seus principais líderes (que é chamado de evangélico), “apesar dele agrupar a série de livros Deixados Para Trás na mesma categoria de O Código Da Vinci”.[1] Uma afirmação dessas, vinda de um dos líderes da Igreja Emergente, revela o grau de confusão ou de dolo a que eles de fato chegaram. Ou ele está confuso (iludido) quanto às mentiras gnósticas ocultistas que dominam o enredo de O Código Da Vinci, ou rejeita, intencionalmente, a interpretação literal da Bíblia que é o fundamento da série Deixados Para Trás, baseada no livro de Apocalipse. Não temos nenhuma dúvida ao afirmar que os líderes da “Igreja Emergente” não creem na segunda vinda do Senhor Jesus visível e pessoal, porque não aceitam a divina inspiração e autoridade da Bíblia.

Os mestres pós-modernos que se denominam “evangélicos”, embora neguem a “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas 3), são bem rápidos em falar o que eles e outros filósofos heréticos pensam, porém, raramente dizem o que Deus deixou registrado por escrito em Sua biblioteca de sessenta e seis livros, a Bíblia. Eu, particularmente, creio que eles, na verdade, são hereges, apóstatas e lobos “disfarçados em ovelhas”. Devido ao fato do cristianismo liberal ter caído no vácuo do descrédito e das igrejas liberais terem ficado vazias, eles agora fazem uma tentativa de re-empacotar sua teologia sob a forma de pós-modernismo. Na realidade, a maior parte desses conceitos não passa daquilo que costumava ser chamado de modernismo ou liberalismo, ainda que expressos com uma terminologia pós-moderna.

É difícil obter deles informações quanto ao que realmente creem, mas eles sabem, muito bem, que não creem nos fundamentos da fé bíblica. Já é hora de chamarmos a atenção das igrejas para o fato de que tais pessoas são hereges e falsos mestres que“não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça” (2 Tessalonicenses 2.12), tal como Judas escreveu nos versículos 17 e 18 de sua epístola: “Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões”.

A mensagem do Espírito Santo dirigida à igreja de Laodicéia se enquadra perfeitamente à realidade deles: “Ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres outro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 3.14-22).

Minha expectativa de que a verdadeira igreja evangélica assumisse sua posição “em alto e bom som” contra essa nova forma pós-moderna de apostasia, concretizou-se, recentemente, num simpósio de nosso Pré-Trib Study Group [Grupo de Pesquisas Pré-Tribulacionistas], ocorrido no final de 2006. Foram proferidas várias palestras excelentes que expuseram os erros desse novo movimento. Quase que simultaneamente recebi um exemplar do periódicoThe Master’s Seminary Journal [Jornal do Seminário Master’s] que também desmascarava esse movimento através de artigos escritos pelo Dr. John MacArthur e pelo Dr. Richard Mayhue, dentre outros articulistas. Em seguida, chegaram informações de que o Dr. John MacArthur está escrevendo um livro sobre o assunto. Certamente será uma obra completa, de modo que nos ajudará a confrontar essa heresia moderna pelas Escrituras, tal como somos expressamente orientados a fazer nestes últimos dias (i.e., “[provar] os espíritos se procedem de Deus”, 1 João 4.1). Pastores inexperientes e mal alicerçados na Palavra de Deus estão sendo influenciados por essa forma atual de apostasia. Se tais pastores, porventura, comprarem essas idéias nitidamente heréticas, levarão suas igrejas ao desvio da verdade, através de falsos ensinamentos. Se líderes cristãos proeminentes e bem conhecidos não se opuserem abertamente a essa distorção apóstata, é muito provável que se cumpram, negativamente, as palavras desta profecia: “Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18.8).

Ao procurar uma igreja para sua família, certifique-se de avaliá-la pela importância que dá à Palavra de Deus. Você se lembra daqueles judeus “de Beréia”? Eles pesquisavam diariamente nas Escrituras para saber se os ensinamentos de Paulo e Silas eram legítimos e coerentes:“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17.11).


Nota:
— Jan Markell, “Other Observations on the Condition of the Evangelical Movement”, publicado na revista Lamplighter Magazine, vol. XXVIII, edição jan/fev de 2007, p. 12.

sábado, 15 de novembro de 2014

Deus no banco dos réus

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Por Hernandes Dias Lopes em Palavra da Verdade

O mundo caminha a passos largos para o secularismo ateu. Cresce o número daqueles que não acreditam em Deus e também daqueles que odeiam a Deus. A fé cristã tem sido perseguida em todo o mundo como se fosse uma ameaça à humanidade. Cristãos têm sido presos, torturados e mortos pela sua fé. Outros têm sido escarnecidos nos meios acadêmicos como se a fé cristã fosse um parentesco da ignorância e um aliado do obscurantismo intelectual. A fé cristã e os valores cristãos têm sido tripudiados nas casas de leis, nas cortes dos governantes, na imprensa, na mídia e nas ruas. Vivemos um tempo de apostasia e de resistência à verdade.

Os filhos de Coré, no seu tempo, já enfrentavam esse ataque implacável. Assim, o salmista expressa: “Esmigalham-se-me os ossos, quando os meus adversários me insultam, dizendo e dizendo: O teu Deus, onde está?” (Sl 42.10). Os filhos de Coré, quando escreveram este salmo estavam encurralados por circunstâncias medonhas e seus adversários os colocavam contra a parede, ou melhor, colocavam o seu Deus no banco dos réus. A providência era carrancuda. Os inimigos eram muitos. Os perigos ameaçadores. O livramento parecia impossível.

Para agravar a situação, os adversários ainda os insultavam com uma pergunta insolente e perturbadora: Onde está o seu Deus? Por que ele não age? Por que não vem em seu socorro? Esta é a pergunta que os ímpios ainda fazem, para nos acuar. Onde está Deus num mundo onde prevalece a mentira, a falsidade, a injustiça, a violência, a opressão, a maldade, a promiscuidade e a falência dos valores morais? Se Deus existe, por que ele não se manifesta? Se ele é Todo-poderoso por que não prevalece contra essa torrente de maldade que assola a humanidade? Se ele é amor, por que permite que os justos sofram? Se Deus é real, por que não põe um fim nessa confusão mundial?

O Salmista responde a essas afrontas, afirmando sua confiança em Deus, apesar das circunstâncias adversas. Reconhece que Deus é soberano e não pode ser domesticado pelo homem. Sabe que Deus age não conforme a pressão dos homens, mas conforme a seu propósito e conselho eterno. Longe de se enfraquecer com o escárnio dos adversários, o salmista reafirma seu apego a Deus, quando diz: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1,2).

Longe de perder sua confiança em Deus, o salmista reafirma que Deus é seu auxílio. Num solilóquio profundo, ele diz: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu" (Sl 42.5). Longe de se afastar de Deus, chocado com as mazelas do mundo e com as acusações sofridas, reafirma sua confiança na infinita misericórdia de Deus. Assim ele escreve: “Contudo, o Senhor, durante o dia, me concede a sua misericórdia” (Sl 42.8). Longe de ceder aos ataques dos adversários e admitir que Deus perdeu o poder, reafirma, confiantemente, que Deus é a sua rocha. Diz o salmista: “Digo a Deus, minha rocha: Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?” (Sl 42.9). Longe de capitular-se à amargura contra Deus, reafirmou que Deus é o motivo do seu louvor: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.11).

O salmista está consciente de que o mal nem sempre é julgado na hora que é cometido. Os ímpios que escapam dos tribunais da terra terão que comparecer perante o tribunal de Deus, onde serão julgados retamente. Quanto aos justos, ainda que sofram agora, desfrutarão de bem-aventurança eterna. A verdade incontestável é: não é Deus quem está no banco dos réus; o homem é que terá que prestar contas da sua vida a Deus, o Juiz de vivos e de mortos.