quarta-feira, 1 de julho de 2015

Igreja – comunidade de pecadores transformados por Jesus



Não importa se é homem ou mulher; não importa se é branco, negro ou amarelo; não importa se é criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso; não importa se é rico, pobre ou miserável; não importa se é pós-doutor ou um analfabeto; não importa se foi desigrejado ou desviado; não importa se é de origem judaica, muçulmana, budista, espírita ou cristã; não importa se é um notável santo ou um notável pecador; não importa se foi um ateu confesso ou um ferrenho agnóstico. O que importa mesmo é que o congregado seja um pecador de fato convertido pela adesão a Jesus, como Salvador e Senhor. Os três Evangelhos Sinóticos registram a palavra explícita de Jesus dirigida aos que desejam ser seus seguidores: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 9.23). Eugene Peterson traduz assim: “Quem quiser seguir-me tem de aceitar minha liderança. Quem está na garupa não pega na rédea. Eu estou no comando”. O pecador que abraça o evangelho é um pecador convertido e é transportado das trevas para a luz, da inconsistência da areia para a solidez da rocha, da mentira para a verdade, da dúvida para a certeza, do nariz empinado para os joelhos dobrados, da morte para a vida.

A igreja deixa ser igreja se não for uma comunidade de pecadores convertidos
1. A igreja congrega pecadores convertidos antes do Pentecostes, graças às pregações de João Batista e de Jesus. O precursor de Jesus e o próprio pregavam a mesma mensagem: “Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino de Deus está perto” (Mt 3.2; 4.17). Entre esses estão pessoas que eram de bom comportamento, como Nicodemos, e pessoas que eram de péssimo comportamento, como a mulher pecadora e o ladrão que se converteu no último instante de vida. O fato é que, às vésperas do Pentecostes, no dia da eleição do substituto de Judas, “estavam presentes mais ou menos cento e vinte seguidores de Jesus” (At 1.15), além daqueles que não residiam em Jerusalém.

2. A igreja congrega pecadores convertidos no dia da descida do Espírito Santo, graças aos estranhos fenômenos ocorridos (At 2.1-13) e à pregação de Pedro (At 2.14-40). O apóstolo repetiu a fórmula exortativa e precisa de João Batista e Jesus: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo” (At 2.38). Lucas registra que “naquele dia quase três mil se juntaram ao grupo dos seguidores de Jesus” (At 2.41). Entre os que creram, havia judeus de nascimento e não judeus convertidos ao judaísmo, “vindos de todas as nações do mundo”, de três continentes (África, Ásia e Europa).

3.A igreja congrega pecadores convertidos depois do Pentecostes, graças às pregações dos apóstolos e dos missionários, como Filipe, Paulo, Barnabé, João Marcos, Timóteo e Silas. Eles continuaram a enfatizar o arrependimento (At 3.19; 17.30; 20.21; 26.20). Em trinta anos de missões, milhares e milhares de pecadores se converteram e foram agregados à igreja. Muitas dezenas de igrejas locais foram organizadas. E o evangelho alcançou os mais importantes centros urbanos do mundo de então e neles se estabeleceu:

  1. Em Jerusalém, capital do judaísmo, com 80 mil habitantes;
  2. Em Éfeso, capital da magia, com 300 mil habitantes;
  3. Em Corinto, capital do gozo, com meio milhão de habitantes;
  4. Em Atenas, capital do helenismo, com 25 mil habitantes;
  5. Em Roma, capital do Império, com 1 milhão de habitantes.
  6. Em todas as igrejas para as quais Paulo escreveu havia pecadores convertidos.

4. A igreja congrega pecadores convertidos ao redor de todo o mundo depois da morte da primeira leva de missionários e até hoje. Em 2010, havia mais de 2,2 bilhões de religiosos que se diziam cristãos (32,8% da população mundial). Mas, é claro, nem todos os cristãos são pecadores convertidos. Uma das razões é porque deixamos de anunciar o arrependimento e a conversão.

5. A igreja congrega pecadores convertidos que deixaram para trás sua conduta anterior. Entre esses estão a mulher adúltera, a mulher pecadora (talvez prostituta), o ladrão da cruz (ele parou de insultar Jesus e começou a repreender o outro ladrão), o escravo Onésimo (antes inútil e depois útil) e alguns irmãos de Corinto, anteriormente imorais, idólatras, adúlteros, homossexuais, efeminados, ladrões, avarentos, alcoólicos, caluniadores e assaltantes (1Co 6.9-11).

6. A igreja congrega pecadores convertidos que deixaram para trás seus fundamentos religiosos anteriores. Alguns deles eram politeístas (como alguns irmãos de Éfeso) e outros eram comprometidos com a feitiçaria (At 19.19). O livro de Atos registra que “era grande o número de sacerdotes judeus que aceitavam a fé cristã” (At 6.7). Registra também que, em Tessalônica, um grande número de pessoas passou pela experiência de duas conversões: do paganismo passaram para o judaísmo e do judaísmo passaram para o cristianismo (At 17.4). No mesmo capítulo, lê-se que “muitos judeus naquela cidade [Bereia] creram” (At 17.12). A princípio, a maior parte dos pecadores convertidos eram “os de perto”, isto é, os judeus e os prosélitos do judaísmo (como o alto funcionário etíope, da corte de Candace, e o centurião romano Cornélio). Depois, bom número eram “os de longe” (Ef 2.17), isto é, os não judeus, também chamados de gentios ou pagãos. De todos os que, digamos, tiveram de mudar de religião, o mais notável é aquele que era membro do mais rigoroso partido do judaísmo (At 26.5), que perseguiu ferozmente a igreja de Deus (1Co 15.9) e que mais fez pela evangelização do mundo. O nome dele é Paulo. Antes da conversão, ele punha a sua confiança na lei e nas cerimônias religiosas. Depois, somente em Jesus (Fp 3.1-11).

Chega-se à conclusão de que a igreja deixa de ser igreja se não for uma comunidade de pecadores convertidos pela adesão a Jesus, como Salvador e Senhor. Quando isso acontece, a “igreja” não passa de um clube qualquer!

Fonte:
Revista Ultimato
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domingo, 28 de junho de 2015

Líderes piedosos fazem a diferença


Barnabé foi um grande homem, um dos maiores líderes da igreja primitiva. Sua piedade era notória. Seu exemplo e seu ministério fizeram diferença. Sua vida pode ser resumida nos seguintes termos: “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé…” (At 11.24). Três verdades sobre Barnabé são colocadas em relevo e servem de inspiração para todos os líderes cristãos:

Em primeiro lugar, um líder cristão deve investir sua vida na vida de outros. 

Ser líder é ser servo; ser grande é ser pequeno; ser exaltado é humilhar-se. Barnabé é o único homem da Bíblia chamado de bom. E por que? É porque quase sempre, ele está investindo sua vida na vida de alguém. Em Atos 4.36,37 ele está investindo recursos financeiros para abençoar pessoas. Em Atos 9.27 ele está investindo na vida de Saulo de Tarso, quando todos os discípulos fecharam-lhe a porta da igreja, não acreditando em sua conversão. Em Atos 11.19-26, a igreja de Jerusalém o vê como o melhor obreiro a ser enviado para Antioquia e quando ele vê a graça de Deus prosperando naquela grande metrópole, mais uma vez ele investe na vida de Saulo e vai buscá-lo em Tarso. Em Atos 13.2 o Espírito o separa como o líder regente da primeira viagem missionária. Em Atos 15.37-41 Barnabé mais uma vez está investindo na vida de alguém; desta feita na vida de João Marcos. Precisamos de líderes que sejam homens bons, homens que dediquem seu tempo e seu coração para investir na vida de outras pessoas.

Em segundo lugar, um líder cristão deve esvaziar-se de si para ser cheio do Espírito Santo. 

Barnabé era um homem cheio do Espírito Santo. Sua vida, suas palavras e suas atitudes eram governadas pelo Espirito de Deus. Um líder cheio do Espirito tem o coração em Deus, vive para a glória de Deus, ama a obra de Deus e serve ao povo de Deus. Barnabé é um homem vazio de si mesmo, mas cheio do Espírito Santo. A plenitude do Espírito não é uma opção, mas uma ordem divina. Não ser cheio do Espírito é um pecado de negligência. Precisamos de líderes que transbordem do Espírito, homens que sejam vasos de honra, exemplo para os fiéis, bênção para o rebanho de Deus. Quando os líderes andam com Deus, eles influenciam seus liderados a também andarem com Deus. Por isso, a vida do líder é a vida da sua liderança. Deus está mais interessado em quem o líder é do que no que o líder faz. Vida com Deus precede trabalho para Deus. Piedade é mais importante do que performance.

Em terceiro lugar, um líder cristão deve colocar seus olhos em Deus e não nas circunstâncias.

Barnabé era um homem cheio de fé. Ele vivia vitoriosamente mesmo diante das maiores dificuldades, porque sabia que Deus estava no controle da situação. A fé tira nossos olhos dos problemas e os coloca em Deus que está acima e no controle dos problemas. A fé é certeza e convicção. É certeza de coisas e convicção de fatos (Hb 11.1). É viver não pelo que vemos ou sentimos, mas na confiança de que Deus está no controle. A fé nos leva a confiar diante das dificuldades, não porque somos fortes, mas porque embora sejamos fracos, confiamos naquele que é onipotente. Precisamos de líderes que ousem crer no Deus dos impossíveis. Precisamos de líderes que olhem para a vida na perspectiva de Deus, que abracem os desafios de Deus e realizem grandes projetos no reino de Deus.


Fonte:
Palavra da Verdade - Rev Hernandes Dias Lopes

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terça-feira, 23 de junho de 2015

Fracos Modelos de Cristo



Cada crente deve representar o Senhor Jesus aqui na Terra, devendo ser uma cópia do Salvador e mostrar Cristo ao mundo. Essa é uma tremenda responsabilidade. Nós somos membros do corpo de Cristo. O corpo é o veículo através do qual uma pessoa se exprime. O corpo de Cristo, a Igreja, é o veículo pelo qual Ele deseja revelar-Se ao mundo.

Assim, uma questão é levantada a cada um de nós: “Que tipo de imagem de Cristo ofereço ao mundo?” E devemos perguntar a nós mesmos:

Se a única visão que têm de Cristo
É o que vêem dEle em ti,
Minha alma, o que vêem eles?

Alguém explicou: Deus tem um sobrenome. Ele foi chamado o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele não se sentia envergonhado de ser o Deus destes homens (Hb 11.16b). Como é que Deus se sentiria se tivesse o meu nome como o Seu sobrenome?

Charles Swindoll disse: Quer queiramos quer não, o mundo observa-nos com a atenção de uma gaivota que espreita um camarão em águas pouco profundas. O crente... está sob vigilância constante. Este é o nosso problema ocupacional número um. E quando falamos do nosso Salvador e da vida que Ele nos oferece, tudo o que dizemos é filtrado através daquilo que os outros observam em nós.

Ferido em casa dos seus amigos


O triste fato é que Cristo tem sofrido bastante devido às vidas daqueles que professam ser Seus discípulos. Ele tem sido ferido até na “casa dos Seus amigos.”

James Spink disse: A causa do Cristianismo tem sido mais prejudicada pelo seus seguidores do que pelos seus oponentes, porque o mundo compara freqüentemente a profissão de fé de um cristão com a prática da mesma. Dizem, com uma certa razão, que se o Cristianismo é aquilo que nós defendemos ser, então as nossas vidas deveriam ser diferentes.

Hudson Taylor concordou: A incongruência dos cristãos, que ao professarem que crêem na sua Bíblia mas se sentem felizes em viver como se tal Livro não existisse, tem sido um dos maiores argumentos para a discussão dos meus companheiros mais céticos.

Não é difícil encontrar ilustrações para a forma como o Senhor é freqüentemente tão mal representado. Recentemente, vi uma camionete com dois adesivos no pára-choque traseiro. Um dizia: “Eu amo Jesus”. No outro podia ler-se: “Se bates no meu carro, acabo contigo”. Aparentemente o dono do carro não podia ver a contradição gritante dos dois sentimentos.

Por exemplo, George Duncan conta a seguinte história do mundo dos negócios: Um negociante... tinha participado de um programa cristão de rádio na noite anterior, e uma das suas funcionárias o tinha ouvido. Na manhã seguinte, ele estava de muito mau humor, as coisas não estavam correndo bem, e a funcionária acabou sendo vítima do mau humor do patrão. Ao sair do escritório ela comentou com uma colega que entrava: “Está certo... Venham a Jesus no domingo à noite e vão para o Diabo na segunda-feira de manhã.”

Quando um homem de negócios cristão não cumpriu o que havia prometido, um concorrente perguntou-lhe: “A que igreja você pertence?” Ele respondeu: “A minha igreja não tem nada a ver com esse assunto. Isso é negócio”. Pode ter levado vinte anos dando um bom testemunho, mas destruiu-o em vinte segundos.

Quando um famoso ator ou atriz relata que “nasceu de novo”, a notícia é transmitida por todos os meios de comunicação disponíveis. Mas, da mesma forma, também são transmitidas as notícias de que ele, ou ela, não abandonaram completamente o seu modo de vida anterior, quando aparecem num filme de baixo nível, tornando evidente que Cristo não fez diferença na sua vida.

E os “músicos cristãos” com a sua atuação teatral, sugestiva linguagem corporal, letras muito duvidosas e música que imita a do mundo: Será isto Cristianismo? Ou será uma paródia, uma imitação ridícula?

Um criminoso declarou ter-se convertido numa grande campanha evangelística. A notícia espalhou-se imediatamente, mas ele continuou com as suas atividades criminosas, contatando com o sub-mundo do crime. Quando alguém o confrontou com essa caricatura de Cristianismo, ele disse: “Nunca me foi dito que por dizer sim a Jesus, eu tinha de voltar as costas à minha vida anterior. Não entendo, há jogadores de futebol cristãos, há “cowboys” cristãos, há políticos cristãos. Por que não pode haver um criminoso cristão?” Desde ali ele abandonou o Cristianismo.

Depois, temos as personalidades cristãs da televisão, de roupas caras, cabelos perfeitos, cobertas de jóias, pintadas como Jezabel. É desta maneira que Jesus é apresentado, tão diferente do meu amigo pobre de Nazaré.

Um negócio rendoso


Não convém, também, esquecer alguns pregadores de rádio ou de televisão, que levam a vida angariando dinheiro e vivem em casas suntuosas, viajam em automóveis e aviões caríssimos. Nunca demora muito para que um repórter exponha todo o jogo tal como é, e que o Cristianismo fique, de novo, prejudicado.

Foi noticiado que um dos pregadores favoritos da América vivia numa mansão de muitas salas, remodelada como o Palácio de Versalhes, com fabulosos jardins, estábulos e lagos. Outro comprou uma mansão de meio milhão de dólares em Los Angeles, a que a sua esposa se referiu como sendo um cantinho para fugir à rotina. Um Rolls Royce também foi adicionado à sua frota de Mercedes e Jaguars.

O mundo evangélico realmente está necessitando de uma limpeza profunda.

É constrangedor verificar o número de líderes cristãos que, ao atingirem os pináculos do poder cristão, acabaram nas manchetes dos escândalos sexuais. Alguns desapareceram com as secretárias particulares e divorciaram-se das suas esposas. Quantas mulheres cristãs, bem conceituadas, deixaram seu lar e marido para viver com outro homem? O mundo evangélico realmente está necessitando de uma limpeza profunda.

Quantas vezes Cristo é difamado por “políticos cristãos” de linguagem vulgar, compromissos duvidosos, associações obscuras? É incalculável a desonra causada ao nome de Jesus.

Talvez se devesse mencionar também os prisioneiros famosos que proclamam ter sido salvos. Através de uma forte representação dos crentes, um juiz duvidoso e relutante concorda em libertá-los. Algumas organizações cristãs aproveitam-se deles colocando-os como pregadores itinerantes (para arranjar mais fundos financeiros para a organização). Pouco tempo depois estes homens caem novamente na criminalidade e são detidos.

Estudantes cristãos que colam nos exames, donas de casa que discutem com os vizinhos, pessoas que são mal-educadas e impacientes desonram a Palavra de Deus. Todo o comportamento que não reflita o caráter de Cristo fará com que os seus inimigos se manifestem e blasfemem. Todo o mau exemplo fará os descrentes dizerem: “Aquilo que tu és fala tão alto que abafa o que dizes”. Foi este tipo de conduta que levou John MacArthur a dizer: “Penso que Jesus tinha muito mais classe que muitos dos seus representantes”.

Uma vez, um soldado apresentou-se a Alexandre o Grande por ter desobedecido a ordens:

- “Como te chamas?” perguntou Alexandre.

- “Alexandre,” respondeu o soldado com acanhamento.

- “Alexandre? Ou mudas de nome ou de comportamento!” ordenou o grande chefe militar.

Aqueles, dentre nós, que defendem o título de cristão, têm obrigação de agir em conformidade com ele. “É contraditório alguém dizer que crê, e agir como se não cresse.” (H.G.Bosh).

Certa vez, em conversa com Mahatma Gandhi, E.Stanley Jones disse:

“Estou ansioso por ver o Cristianismo naturalizado na Índia, para que não seja mais uma coisa estrangeira identificada com um povo estrangeiro e um governo estrangeiro, mas para que faça parte da vida nacional da Índia e que o seu poder contribua para o crescimento e redenção deste país. O que é que sugere que façamos para que isso se concretize?” Gandhi pensativa e gravemente respondeu: “Eu sugeria... que todos vocês, cristãos... começassem a viver mais à semelhança de Jesus Cristo. Em seguida, sugeria que praticassem a vossa religião sem a adulterar ou depreciar. Por último, sugeria que dessem mais valor ao amor, porque o amor é o centro e a alma do Cristianismo”.

Atribui-se a Gandhi ter dito: “Eu teria sido um cristão se não fossem os cristãos.”

Brian Goodwin conta-nos sobre um jovem chinês que fora educado por um missionário numa escola cristã. Ele admirava o seu professor e, anos depois, ao saber que este tinha voltado à cidade, tentou entrar em contato com ele no hotel onde o professor se encontrava hospedado. No entanto, recusaram-se a anunciá-lo ao missionário e expulsaram-no do hotel. “Então é assim que os cristãos agem,” murmurou o jovem ao afastar-se. Todos os anos de cuidado e atenção que tinha recebido do seu professor missionário foram anulados por aquela grande humilhação. O nome deste jovem era Mao Tse-tung.

Bem, estas foram as más notícias. Graças a Deus que a história não acaba aqui.



Fonte:
Portal Chamada - William MacDonald
Imagem:
Francisco Osorio

William MacDonald (7/1/1917 – 25/12/2007) viveu na California–EUA, onde desenvolveu seu ministério. Sua ênfase era de ressaltar com clareza e objetividade os ensinamentos bíblicos para a vida cristã, tanto nas suas pregações como através de mais de oitenta livros que escreveu.


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quinta-feira, 18 de junho de 2015

O Amor Revelado no Evangelho



No evangelho revela-se o amor que Cristo tem para com o Pai, bem assim os maravilhosos frutos desse amor, particularmente em fazer ele tão grandes coisas, e em padecer tantas coisas em obediência à vontade do Pai e para a honra de sua justiça, lei e autoridade, como o grande governante moral. Ali se revela como o Pai e o Filho são um em amor, para que nos deixemos induzir, em semelhante espírito, a ser um com eles e uns com os outros, em concordância com a oração de Cristo em João 17.21-23: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim”.

O evangelho nos declara ainda que o amor de Deus era eterno, e nos lembra que ele amou aos que são redimidos por Cristo desde a fundação do mundo; e que ele os deu ao Filho; e que o Filho os amou como seus. Ele revela ainda o maravilhoso amor do Pai e do Filho, respectivamente, para com os santos que estão na glória – que Cristo não só os amou enquanto no mundo, mas que os amou até o fim (Jo 13.1). E todo este amor é expresso como nos sendo outorgado enquanto errantes, proscritos, indignos, culpados e inclusive inimigos. Este é o amor que jamais foi conhecido em outro lugar, ou concebido: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos” (Jo 15.13); “Dificilmente alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho, muito mais estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Rm 5.7-10).

Deus e Cristo aparecem na revelação evangélica como estando vestidos com amor; como estando assentados, por assim dizer, em um trono de misericórdia e graça; um trono de amor, cercado dos mais suaves raios de amor. O amor é a luz e glória que circundam o trono em que Deus se acha sentado. Isto parece estar implícito na visão de Deus na ilha de Patmos: “Esse que se acha assentado é semelhante no aspecto a pedra de jaspe e de sardônio, e ao redor do trono há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda” (Ap 4.3); isto é, ao redor do trono no qual Deus estava sentado. De modo que Deus lhe apareceu enquanto estava sentado em seu trono, envolto por um círculo de uma luz excessivamente suave e agradável, como as belas cores do arco-íris, e como uma esmeralda, que é uma pedra preciosa de cores excessivamente agradáveis e belas – assim representando que a luz e glória com que Deus, no evangelho, aparece cercado é especialmente a glória de seu amor e de sua graça pactual, porquanto o arco-íris foi dado a Noé como um emblema de ambas. Portanto, é evidente que este espírito, sim, o espírito de amor, é o espírito sobre o qual a revelação evangélica especialmente expõe os motivos e os estímulos; e este é especial e eminentemente o espírito cristão – o espírito correto do evangelho.

Ademais, tudo o que é salvífico e distintivo no verdadeiro cristão está resumidamente compreendido no amor, assim, os que professam o cristianismo nisto podem ser ensinados quanto às suas experiências, sejam elas ou não experiências realmente cristãs. Caso o sejam, então o amor é a suma e substância de tais experiências. Se as pessoas possuem a verdadeira luz celestial, que em suas vidas ela não seja uma luz sem calor. O conhecimento e o amor divinos vão sempre juntos. Uma visão espiritual das coisas divinas sempre estimula o amor na alma, e atrai o amor ao coração, em cada objeto próprio de ser amado. As genuínas descobertas do caráter divino nos dispõem a amar a Deus como o bem supremo; elas unem o coração a Cristo, em amor; inclinam a alma a transbordar de amor para com o povo de Deus e para com toda a humanidade.

Quando as pessoas possuem uma verdadeira descoberta da excelência e suficiência de Cristo, o efeito é o amor. Quando experimentam uma convicção correta da verdade do evangelho, tal convicção é acompanhada do amor. Tais pessoas amam a Cristo, o Filho do Deus vivo. Quando se visualiza a veracidade das gloriosas doutrinas e promessas do evangelho, estas doutrinas e promessas se assemelham a tantos acordes que emanam do coração e o impulsionam a amar a Deus e a Cristo. Quando as pessoas experimentam uma genuína confiança e segurança em Cristo, elas confiam nele com amor, e assim sucede com a deleitosa e doce aquiescência da alma. A esposa se pôs assentada sob a sombra de Cristo com profundo deleite, e descansou suavemente sob sua proteção, porque ela o amava (Ct 2.3). Quando as pessoas experimentam o verdadeiro conforto e alegria espiritual, essa alegria provém da fé e do amor. Não se regozijam em si mesmas, mas em Deus que é sua insondável alegria.

Fonte:
Ministério Fiel
Trecho do livro "A Caridade e Seus Frutos" de Jonathan Edwards, lançamento de Junho/2015 da Editora Fiel.
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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pedro, nosso fiel retrato



Pedro é o personagem mais contraditório da história. Oscilava como uma gangorra desde os picos mais altos da coragem até às profundezas da covardia mais vil. Com a mesma velocidade que avançava rumo à devoção mais fiel, dava marcha ré e tropeçava em suas próprias palavras. Pedro é mais do que um homem paradoxal; é um emblema. Pedro é o nosso fiel retrato. É a síntese da nossa biografia. O sangue de Pedro corre em nossas veias e o coração de Pedro pulsa em nosso peito.

Temos o DNA de Pedro. Oscilamos também entre a devoção e a apostasia. Subimos aos píncaros e caímos nas profundezas. Falamos coisas lindas para Deus e depois tropeçamos em nossa língua e blasfemamos contra ele. Prometemos inabalável fidelidade e depois revelamos vergonhosa covardia. Revelamos uma fé robusta num momento e em seguida naufragamos nas águas revolta da incredulidade. É isso que somos, Pedro!

Quem era Pedro? Pedro era filho de Jonas e irmão de André. Nasceu em Betsaida, bucólica cidade às margens do mar da Galiléia. Pedro era um pescador rude e iletrado, mas detentor de uma personalidade forte. Era notório seu dom de liderança. Pedro era casado. Fixou residência em Cafarnaum, quartel general de Jesus em seu ministério. Nessa cidade tinha uma empresa de pesca em sociedade com Tiago e João, os filhos de Zebedeu.

Pedro foi levado a Cristo pelo seu irmão André. Desde que foi chamado por Cristo para ser um pescador de homens, ocupou naturalmente a liderança do grupo apostólico. Seu nome figura em primeiro lugar em todas as listas neo-testamentárias que apresentam os nomes dos apóstolos. Foi o líder inconteste dos apóstolos antes da morte de Cristo e o destacado líder depois da ressurreição de Cristo. Ele foi o homem que abriu as portas do evangelho tanto para os judeus como para os gentios.

Seu ministério foi direcionado especialmente aos judeus, aos da circuncisão. Foi o grande pregador da igreja primitiva em Jerusalém, aquele que levou a Cristo cerca de três mil pessoas em seu primeiro sermão depois do Pentecostes. Também foi dotado pelo Espírito Santo para operar grandes milagres. Até mesmo sua sombra era instrumento poderoso nas mãos de Deus para curar os enfermos.

Pedro foi como uma pedra bruta burilada pelo Espírito Santo. De um homem violento, tornou-se um homem manso. De um homem afoito e precipitado, tornou-se um homem ponderado. De um homem explosivo, tornou-se um homem controlado e paciente. De um homem covarde tornou-se um gigante, que enfrentou prisões, açoites e a própria morte com indômita coragem.

Pedro foi um homem de oração. Tinha intimidade com Deus. Porque prevalecia secretamente diante de Deus em oração, levantava-se com poder diante dos homens para pregar. Pedro foi um pescador de homens e um presbítero entre outros presbíteros. Jesus colocou em sua mão o cajado de pastor e ordenou-lhe a apascentar seus cordeiros e a pastorear suas ovelhas. Pedro foi um homem que encorajou a igreja a enfrentar o sofrimento da perseguição e também denunciou com inabalável coragem os falsos mestres que perturbavam a igreja. Esse foi o teor respectivo de suas duas epístolas.

Pedro foi um missionário que, juntamente com sua esposa, anunciou o evangelho em muitos redutos do império romano. Pedro exaltou a Cristo em sua vida e glorificou a Deus através de sua morte. Que você e eu, sigamos as pegadas desse homem de Deus e que em nossa geração, Cristo seja conhecido em nós e através de nós!

Fonte:
Palavra da Verdade – Ver Hernandes Dias Lopes

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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Jesus não cairia nessa



Nas redes sociais só se falou nisso nos últimos dias. Protestos, indignações, zoeiras. Favoráveis, contrários e indiferentes multiplicaram opiniões. Tudo por conta de algumas performances com símbolos religiosos da mais recente parada gay. Se olharmos detalhadamente, veremos que toda a discussão culminou na parada gay, mas o ti-ti-ti foi sendo construído ao longo da semana. Na marcha para Jesus tivemos críticas, escrachos e ridicularizações. Na parada gay idem. E perfumando os temas surgiu a propaganda do O Boticário. Tudo numa semana só e fazendo a alegria dos promotores de cada ação.

Mídia espontânea e gratuita sobrou para todos. Mas quem ganhou mesmo foram os gays e sua agenda, bombaram nas redes sociais, nos canais abertos, na mídia impressa, nas rodas de bate-papo. Jesus cairia nessa? Nunca. Um pouco de conhecimento sobre qual o cenário que Ele encontrou quando chegou na Galiléia pode nos ajudar. Basicamente enfrentou três condições: opressão do Império Romano, cultura Grega e pecado humano.

Pense por um instante sobre as políticas opressoras de Roma. O imperador era mais que um cargo político, ele era um deus, e ai de quem ousasse discordar daquele deus. A cultura grega convivia e incentivava as mais variadas formas de sexo, opções e orientações, prostitutas cultuais nos templos pagãos não faltavam, todo esse caldo que vemos hoje na sexualidade era recorrente e rotineiro entre as gentes daquela época. E o pecado humano eram e são estas paixões desenfreadas que lutam contra todos nós todo dia, como muito bem explicou e confessou Paulo aos romanos no capítulo sete, em lutas diárias e incessantes entre carne e espírito que só nos humilham e nos enfraquecem.

Agora busque nos evangelhos uma palavra de Jesus criticando, aprovando ou reprovando especificamente os LGBTs. Não tem. Por que não tem Ele aprovava? Não aprovava? Era indiferente? Nada disso. Jesus tinha uma agenda, uma missão e um propósito. Nada e ninguém tirariam Ele de Seu foco. Ele jamais cairia na armadilha de dar exposição para quem ou o quê quer que fosse que desviasse a atenção de sua pregação: Arrependei-vos e crede no evangelho, porque o reino dos céus chegou a vós.

E para Jesus, “arrepender e crer”, “tomar a própria cruz e seguí-lo”, nunca foi uma mensagem para um único recorte social, sempre foi uma mensagem para todos. E quando falo “todos”, preciso entender que esse “todos” deve começar sempre comigo e não com o outro como geralmente gostaríamos que fosse.

A cruz sempre será escândalo para os que se perdem e salvação para os que seguem a mensagem da graça nela contida. E sobre quem se perde e quem se salva, nem um só milímetro de influência ficou para nós. Salvação é um departamento no qual somente a Trindade arbitra, analisa, perdoa, condena, usa de misericórdia e, tenho minhas convicções, ao final surpreende. O céu para mim será um lugar de surpresas, boas na sua plenitude.

E hoje? Não faltam cristãos fazendo exatamente o que os marqueteiros das campanhas políticas sonham, respondendo, vociferando, protestando, bradando, publicando, bravateando, ou seja, ampliando e amplificando imagem e som de uma parada que tem perdido interesse ano a ano, como aponta o número extremamente pequeno de participantes desta última em comparação com participações em edições passadas. Mas, graças a intemperadas precipitações, o assunto está no centro do palco mais uma vez como resultado das indignações que pipocaram pelas redes sociais.

Cristo não caiu, não cai e não cairá em armadilhas tão óbvias. Porque, como disse, um recorte social não pode ser a motivação da minha fé com suas implicações. Em Lucas 6:46 Jesus faz uma instigante pergunta para seguidores e religiosos da época: “Por que vocês me chamam de Senhor, se não Me obedecem?” Notou a falácia e a contradição? Pessoas que o reconheceram como Senhor porém não o obedeciam como tal. Pessoas que, infelizmente, multiplicam-se como praga no mundo inteiro, querendo viver relacionamentos sem qualquer compromisso. A pergunta de Jesus não fala necessariamente de regras e ritos, afinal aqueles caras eram bons nisso. A pergunta de Jesus toca na ferida, vai no lugar secreto do coração onde ficam escondidas nossas intenções. A pergunta fala sobre amar, perdoar, suportar, crer, se humilhar, doar, resistir, enfim, atitudes e exemplos que ficaram escancarados no agir e falar de Jesus até o último suspiro na cruz.

Claro, sou contrário a tudo que afronta, ofende e tenta se desconstruir em relação ao cristianismo puro e simples. Assim como os discordantes dos valores que creio também se posicionam contrariamente, é legítimo. E este é o limite que deveria marcar nossa coexistência. Quando não, cair no fácil discurso “não respeitam e querem respeito” só colocará ódio e vingança na fogueira. Não respeitaram meu Mestre quando Ele aqui esteve. Suas reações e respostas quando afrontado e desrespeitado, no entanto, foram bem díspares das que temos visto hoje.

O amor é linguagem universal que todos entendem sem palavras. Nunca fui numa marcha, mas não gosto dos julgamentos que ouço e leio a respeito dos que vão e dão valor ao evento. Não tenho a menor condição de julgar os milhares que marcharam para Jesus, todos têm sua fé, seus propósitos, seus valores e suas intenções. Os aproveitadores e mercadores da boa fé de crentes, gays, negros, brancos, eleitores, pobres, classe média, ricos, analfabetos, órfãos, doutores, cientistas, militares, enfim, os manipuladores e ladrões do coração das gentes terão sua paga no devido tempo. Porém o amor proposto pelo Cristo triunfará.

No mais, façamos o bem a tantos quantos alcançarmos. Que não caiamos na tentação de selecionar quem aceitamos como sendo “o nosso próximo”, pois a seleção por si só apenas cria categorias de privilegiados e desgraçados, o que é uma pobre departamentalização de um amor infinito, inexplicável, divino, abrangente e transformador, o amor de Deus.

A agenda genuinamente cristã se ocupa com a vida, e vida em abundância, proclama o arrependimento e anuncia uma nova vida na vida de Jesus. A agenda deste mundo engana com avanços, modernidades, facilidades e novidades mil, ao final apenas empurra para a morte. Morte de significado, de esperança e de vida. Quer saber? Minha agenda deixou de ser minha quando me rendi a Cristo, minha prioridade agora é a agenda dEle, uma agenda sem pegadinhas, sem ilusões, sem falsas promessas, sem enganações, enfim, sem armadilhas para me derrubar e com apenas o amor dEle para me guiar.

Paz!

Fonte:
Cálice de Vida – Edmilson Mendes

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sexta-feira, 5 de junho de 2015

O peso da cruz



Tomai sobre vós o meu jugo ... e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.29-30).

Quando Jesus apresenta seu jugo como suave e seu fardo como leve para nós, não significa que tenha sido para ele. Ao contrário, foi muito pesado, pois o processo de sua crucificação foi fisicamente cruel, emocionalmente humilhante e espiritualmente agonizante em sua pior forma.

O peso físico da cruz começou no Getsêmani quando Jesus suou sangue (Lc 22.39-44), chamada hematidrose, causada por profundo stress, normalmente acompanhada por dores fortíssimas e desidratação.
Logo que foi condenado pelo Sinédrio, Jesus foi esmurrado e levado pelos guardas debaixo de bofetadas até Pilatos (Mc 14.65). Depois de ter sido condenado por Pilatos, fincaram-lhe uma coroa de espinhos e ficaram batendo nela com uma vara (Mc 15.16-20). Foi açoitado com o objetivo de tortura, possivelmente 40 vezes menos uma (Dt 25.3), com um chicote com tiras de couro carregadas com pedaços de chumbo e ossos na ponta, causando feridas profundas em suas costas, como dito pelo salmista: Passaram o arado em minhas costas e fizeram longos sulcos (Sl 129.3 - NVI).

Percorreu o trajeto até o Gólgota a pé carregando a sua própria cruz de aproximadamente 40 quilos por cerca de 800 metros (Jo 19.17). Tão pesada para quem já estava flagelado, foi necessário alguém ajudá-lo a carregar (Mc 15.21; 2 Co 13.4). Ao subirem-no na cruz, não o amarraram, mas o pregaram com cravos nos pés e mãos (Jo 20.25). Ficou suspenso na cruz por seis horas, das 9h até 15h (Mc 15.25-34), quando morreu. Nas palavras de Isaías, Jesus tornou-se homem de dores e que sabe o que é padecer (Is 53.3).

O peso emocional da cruz começou quando foi traído com um beijo de um dos seus discípulos (Mc 14.18, 44-46), negado por outro (Lc 22.61), vítima de um julgamento falso, falho e sumário.
Foi zombado pelos soldados que, vendando seus olhos, provocavam para que ele profetizasse quem o esbofeteava e dirigindo-lhe muitas palavras infames e blasfemas (Lc 22.63-65). Viu e sentiu a raiva e o ódio que moveram as agressões físicas que recebeu. Foi cuspido no rosto, desnudado, ridicularizado pela multidão, provocado pelos guardas (Lc 23.35, 37), provocado por um ladrão crucificado ao lado, chacoteado pelos que passavam (Mc 15.29), escarnecido com uma placa acima da cabeça escrita em aramaico, latim e grego: "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus" (Jo 19.19-20). Nas palavras de Isaías quando profetizou o sofrimento de Jesus: não escondi a face da zombaria e dos cuspes (Is 50.6b - NVI).

O peso espiritual da cruz, de todos, foi o mais intenso.
Do meio dia até as 15h houve escuridão sobre toda a terra (Mc 15.33). Toda a criação manifesta sua dor junto com o Criador. Era hora do poder das trevas (Lc 22.53). Três dias de escuridão na Páscoa no Egito (Ex 10.21-23) apontam para as três horas de escuridão na Páscoa do Cordeiro de Deus (Jo 1.29). Jesus ficou em silêncio até que chegou ao clímax de seu sofrimento quando clamou agonizado: Eloí, Eloí, lamá sabactâni?; que significa "Meu Deus! meu Deus! Por que me abandonaste?" (Mt 27.46 - NVI)  Durante o período de escuridão Jesus se tornou pecado (2 Co 5.21) e maldição por nós (Gl 3.13), tomando sobre si as nossas dores, sendo traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades, recebendo sobre si a iniquidade de todos nós (Is 53.4-6).

Teve a clara percepção dos efeitos da humanidade decaída e destituída da comunhão com Deus, tornando-se apto, através de sua própria dor, a compadecer-se de nossa realidade (Hb 4.15-16). Não clamou às autoridades, aos religiosos, aos amigos, nem à sua mãe. Clamou ao Todo-Poderoso. Clamou a quem devido. Clamou como filho obediente. Clamou do lugar onde deveria estar. Clamou a palavra de Deus (Sl 22.1). Clamou com esperança (Sl 22.24). Clamou como vitorioso.

Apesar da crueldade física, humilhação emocional e agonia espiritual, Jesus, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, ou seja, não se importando com tudo o que sofreu (Hb 12.2). De fato, cumpriu-se que Jesus verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito (Is 53.11a). Tão satisfeito está que continua nos convidando para tomarmos sobre nós o seu jugo, o seu trabalho, a sua obra, a sua missão. Só assim acharemos descanso para as nossas almas.

Fonte:
Instituto Jetro - Rodolfo Garcia Montosa

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domingo, 31 de maio de 2015

O desperdício da oração



A primeira multiplicação de pães e peixes foi muito grande. Deu para alimentar mais ou menos 5 mil homens, sem contar as poucas mulheres e crianças (Mt 14.21). “Todos comeram à vontade” e ficaram satisfeitos (Jo 6.11-12). Mesmo assim, muitos pedaços de sanduíches de pão com peixe ficaram sobre a grama. Isso chamou a atenção de Jesus, não tanto por causa da sujeira que deixariam para trás, mas em razão do desperdício. Daí a ordem dada por ele: “Recolham os pedaços que sobraram a fim de que não se perca nada” (Jo 6.12). As sobras eram tantas que os discípulos encheram doze cestos (e não doze sacolinhas). O texto deixa claro que não se pode desperdiçar os dons de Deus!

Se não se pode desperdiçar pães de cevada (naquela época, o pão mais em conta, consumido pela camada pobre da sociedade), muito menos deve-se desperdiçar a oração, outro dom de Deus, maior do que o anterior!

Entre as passagens que abrem os nossos olhos para o desperdício da oração, encontramos as seguintes:

Logo no Sermão da Montanha, seu primeiro sermão, Jesus declara: “Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate” (Mt 7.7-8).

Em seu estilo contundente, Tiago é mais objetivo. Depois de escrever: “Vocês querem muitas coisas”; “vocês as desejam ardentemente” e “vocês não conseguem possuí-las”, o autor da carta afirma categoricamente: “Vocês não conseguem o que querem porque não pedem a Deus” (Tg 4.2). A razão da pobreza espiritual não tem nada de complicado, é uma só: o desperdício da oração. Ele já havia demonstrado isso no início de sua carta, dirigida “a todo o povo de Deus espalhado pelo mundo inteiro” (Tg 1.1): “Se alguém tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos” (Tg 1.5). Parafraseando, “se alguém não tem sabedoria, não continue ignorante, não fique complexado, não desista, não dê um tiro no ouvido, pois para solucionar a carência há uma porta continuamente aberta pela riqueza do amor de Deus – a oração”.

Precisamos aprender a desdobrar essa passagem de Tiago. Sabedoria pode ser a maior necessidade de algumas pessoas, e não de todas. Outras precisam de alegria, de amor, de ânimo, da bênção de Deus, de caráter, de companhia, de consolação, de cura, de direção, de discernimento, de estabilidade emocional, de fé, de felicidade, de humildade, de livramento, de ousadia, de paciência, de perdão, da plenitude do Espírito, de poder espiritual, de refrigério, de resistência, de santidade, de saúde, de vitória sobre o pecado ou algum outro empecilho e assim por diante.

Cada um reescreva a passagem de Tiago de acordo com a sua carência pessoal (tanto no singular como no plural). Por exemplo: “Se alguém tem falta de felicidade, peça felicidade a Deus, e ele a dará com alegria”. Ou: “Se alguém tem falta de caráter, não peça felicidade, mas peça a Deus, sem o menor rodeio, caráter, e ele o dará porque é generoso e dá com bondade a todos”.

Outras duas passagens que apontam para o desperdício do admirável recurso da oração estão em Provérbios e na Carta aos Efésios. A primeira diz: “Peça a Deus que abençoe os seus planos, e eles darão certo” (Pv 16.3). A segunda afirma que toda glória deve ser dada a Deus porque ele “pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos” (Ef 3.30).

Fonte:
Ultimato

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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ó Deus, dá-me surpresas!



Segundo Paulo, Deus deve ser louvado porque ele “pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos” (Ef 3.20). Precisamos acreditar nisso. Por serem graças adicionais, além do que pedimos ou até pensamos, esse “muito mais” são surpresas da parte de Deus.

Surpresas são acontecimentos não previstos, não pensados, não esperados, não agendados, não programados. São coisas novas que nos deixam surpreendidos, admirados, perplexos e profundamente agradecidos. Em geral, não damos espaço para surpresas na elaboração de algum roteiro, projeto ou intento. Preferimos lidar mais com fatos do que com dados empíricos. Deixamos a fé de lado, deixamos Deus de lado, deixamos as surpresas da graça de lado. Deveríamos não só contar com o “muito mais” de Deus mesmo sem saber exatamente o que vai acontecer, mas também orar por surpresas. Nada nos impede de fazer esta oração: “Ó Deus, dá-me surpresas!”. A história bíblica está cheia de surpresas.

Embora tivesse certeza de que Deus providenciaria alguma coisa, Abraão não esperava encontrar um carneiro preso pelos chifres num arbusto no monte Moriá, exatamente na hora em que imolaria o próprio filho (Gn 22.8).

Os irmãos de José não esperavam que ele continuasse vivo nem, menos ainda, que fosse a pessoa mais importante do Egito depois do Faraó (Gn 45.4-28).

Moisés não esperava de forma alguma o episódio da sarça ardente na terra de Midiã, que o fez voltar para o Egito e levar o povo de Israel para a terra de Canaã (Êx 3.1-22).

O povo de Israel não esperava a abertura do mar Vermelho nem as providências de Deus durante os quarenta anos de êxodo, como o maná diário, a nuvem que servia de guarda-sol e a coluna de fogo que iluminava todo o arraial (Êx 14.1-3).

Os acusadores da mulher adúltera e ela mesma não esperavam o desenrolar dos fatos, que trouxeram condenação para eles e perdão para ela (Jo 8.7-8).

A mulher samaritana não esperava que aquele estranho cansado, empoeirado, suado e sedento fosse o Messias esperado (Jo 4.26).

Maria e Marta contavam com a ressurreição do “último dia”, mas em absoluto não esperavam a ressurreição de Lázaro quatro dias depois da morte dele (Jo 11.23-27).

As mulheres da Galileia não imaginavam encontrar o túmulo de Jesus destampado e vazio, nem os dois discípulos a caminho de Emaús e os apóstolos esperavam a prometida ressurreição de Jesus (Lc 24.1-49).

Saulo, com a bolsa cheia de cartas de apresentação às sinagogas de Damasco autorizando-o a algemar e a levar para Jerusalém os cristãos que por ali encontrasse, jamais poderia esperar que, à porta da cidade, se encontrasse pessoalmente com Jesus e viesse a ser o seu mais notável teólogo e missionário (At 9.21).

Embora orassem com fervor a favor de Pedro, os irmãos de Jerusalém não esperavam que o apóstolo fosse solto tão depressa e de forma tão sensacional (At 12.13-17).

As surpresas fazem parte da caminhada da Igreja. Porém, a maior de todas ainda não aconteceu. Está para acontecer na plenitude da salvação, por ocasião da parúsia, quando o Senhor voltar em poder e muita glória. Está escrito:

Olho nenhum viu,
Ouvido nenhum ouviu,
Mente nenhuma imaginou
o que Deus preparou para aqueles que o amam (1Co 2.9, NVI)!

Fonte:
Ultimato

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

As Qualificações e Responsabilidades Bíblicas dos Diáconos



Quem deveria ser um diácono? O que a Bíblia diz que os diáconos devem fazer?

Os Dois Ofícios Bíblicos: Presbíteros e Diáconos

Comparar o ofício de diácono ao de presbítero nos ajudará a responder essas questões. Os líderes espirituais primários de uma congregação são os presbíteros, os quais são também chamados bispos ou pastores no Novo Testamento. Presbíteros ensinam ou pregam a Palavra e pastoreiam as almas daqueles que estão sob seus cuidados (Ef 4.11; 1Tm 3.2; 5.17; Tt 1.9; Hb 13.17). Os diáconos também possuem uma função crucial na vida e saúde da igreja local, mas a sua função é diferente daquela dos presbíteros. O papel bíblico dos diáconos é cuidar das necessidades físicas e logísticas da igreja, de modo que os presbíteros possam se concentrar no seu chamado primário.

Essa distinção é baseada no padrão encontrado em Atos 6.1-6. Os apóstolos eram devotados “à oração e ao ministério da palavra” (v. 4). Uma vez que esse era o seu chamado primário, sete homens foram escolhidos para lidar com assuntos mais práticos, de modo a dar aos apóstolos a liberdade para continuarem a sua obra. Essa divisão de trabalho é semelhante à que vemos com os ofícios de presbítero e diácono. Como os apóstolos, a função primária dos presbíteros é pregar a Palavra de Deus. Como os sete, os diáconos servem a congregação em todas as necessidades práticas que possam surgir.

As Qualificações dos Diáconos

A única passagem que menciona as qualificações para os diáconos é 1Timóteo 3.8-13. Nessa passagem, Paulo apresenta uma lista oficial, porém não exaustiva, dos requerimentos para os diáconos.

O papel bíblico dos diáconos é cuidar das necessidades físicas e logísticas da igreja, de modo que os presbíteros possam se concentrar no seu chamado primário.
As similaridades entre as qualificações para diáconos e presbíteros/bispos em 1Timóteo 3 são notáveis. Assim como as qualificações para os presbíteros, um diácono não pode ser dado ao vinho (v. 3), avarento (v. 3), irrepreensível (v. 2; Tt 1.6), marido de uma só mulher (v. 2), e um hábil governante de seus filhos e de sua casa (vv. 4-5). Além disso, o foco das qualificações é o caráter moral da pessoa que há de preencher o ofício: um diácono deve ser maduro e acima de reprovação. A principal diferença entre um presbítero e um diácono é uma diferença de dons e chamado, não de caráter.

Paulo identifica nove qualificações para os diáconos em 1Timóteo 3.8-12:

Respeitáveis (v. 8): Esse termo normalmente se refere a algo que é honorável, digno, estimado, nobre, e está diretamente relacionado a “irrepreensível”, que é dado como uma qualificação para os presbíteros (1 Tm 3.2).

De uma só palavra (v. 8): Aqueles que têm a língua dobre dizem uma coisa a certas pessoas, mas depois dizem algo diferente a outras, ou dizem uma coisa, mas querem dizer outra. Eles têm duas faces e são insinceros. As suas palavras não podem ser confiadas, então eles carecem de credibilidade.

Não inclinados a muito vinho (v. 8): Um homem é desqualificado para o ofício de diácono se for viciado em vinho ou outra bebida forte. Tal pessoa carece de domínio próprio e é indisciplinada.

Não cobiçosos de sórdida ganância (v. 8): Se uma pessoa ama o dinheiro, não está qualificado para ser um diácono, especialmente porque os diáconos com freqüência lidam com questões financeiras da igreja.

Sólidos na fé e na vida (v. 9): Paulo também indica que um diácono deve “conservar o mistério da fé com a consciência limpa”. A expressão “o mistério da fé” é simplesmente um modo de Paulo falar do evangelho (cf. 1Tm 3.16). Conseqüentemente, essa afirmação se refere à necessidade de os diáconos manterem-se firmes no verdadeiro evangelho, e não oscilantes. Contudo, essa qualificação não envolve apenas as crenças de alguém, pois o diácono também deve manter essas crenças “com a consciência limpa”. Isto é, o comportamento de um diácono deve ser consistente com suas crenças.

Irrepreensíveis (v. 10): Paulo escreve que os diáconos devem ser “primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (v. 10). “Irrepreensíveis” é um termo genérico, que se refere ao caráter geral de uma pessoa. Embora Paulo não especifique que tipo de teste deve ser feito, no mínimo, deve-se examinar a vida pessoal, a reputação e as posições teológicas do candidato. Mais do que isso, a congregação não deveria examinar apenas a maturidade moral, espiritual e doutrinária do diácono em potencial, mas deveria também considerar o histórico de serviço da pessoa na igreja.

Esposa piedosa (v. 11): É discutível se o versículo 11 se refere à esposa do diácono ou a uma diaconisa. No que interessa a esta discussão, vamos assumir que o versículo esteja falando das qualificações da esposa de um diácono. De acordo com Paulo, as esposas dos diáconos devem ser “respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo” (v. 11). Como o seu marido, a esposa deve ser respeitável ou honorável. Em segundo lugar, ela não deve ser maldizente, uma pessoa que espalha fofocas. A esposa de um diácono deve também ser temperante ou sóbria. Isso é, ela deve ser apta a fazer bons julgamentos e não deve estar envolvidas em coisas que possam embaraçar tal julgamento. Por fim, ela deve ser “fiel em todas as coisas” (cf. 1Tm 5.10). Esse é um requerimento genérico que funciona semelhantemente ao requerimento para que os presbíteros e diáconos sejam “irrepreensíveis” (1Tm 3.2; Tt 1.6; 1Tm 3.10).

Marido de uma só mulher (v. 12): A melhor interpretação dessa passagem difícil consiste em entendê-la como a fidelidade do marido para com sua esposa. Ele deve ser “um homem de uma única mulher”. Isso é, não deve haver qualquer outra mulher em sua vida com a qual ele se relacione em intimidade, seja emocionalmente, seja fisicamente.

Governe bem seus filhos e a própria casa (v. 12): Um diácono deve ser o líder espiritual de sua esposa e filhos.

De modo geral, se uma qualificação moral é listada para presbíteros, mas não para diáconos, aquela qualificação ainda se aplica a estes. O mesmo ocorre para aquelas qualificações listadas para diáconos, mas não para presbíteros. Por exemplo, um diácono deve ser um homem de “uma só palavra” (v. 8). Paulo não afirma explicitamente o mesmo acerca dos presbíteros, mas não há dúvida de que tal se aplica a eles, uma vez que Paulo disse que os presbíteros devem ser “irrepreensíveis”, o que incluiria essa injunção.

Ainda assim, nós deveríamos observar as diferenças nas qualificações, uma vez que ou elas significam um traço peculiarmente adequado ao oficial para que cumpra seus deveres, ou são algo que era problemático no lugar para onde Paulo escreveu (no caso, Éfeso). Isso deve ficar mais claro à medida que passemos a considerar as responsabilidades de um diácono.

As Responsabilidades dos Diáconos

Se o ofício de presbítero é freqüentemente ignorado na igreja moderna, o ofício de diácono é freqüentemente mal-entendido. Conforme o Novo Testamento, a função do diácono é, principalmente, ser um servo. A igreja precisa de diáconos para proverem suporte logístico e material, de modo que os presbíteros possam focar na Palavra de Deus e na oração.

O Novo Testamento não nos dá muita informação acerca do papel dos diáconos. Os requerimentos dados em 1Timóteo 3.8-12 focam no caráter e na vida familiar do diácono. Existem, contudo, algumas dicas quanto à função dos diáconos quando os requerimentos são comparados àqueles dos presbíteros. Embora muitas das qualificações sejam as mesmas ou muito similares, há algumas notáveis diferenças.

Talvez a distinção mais perceptível entre presbíteros e diáconos seja que os diáconos não precisam ser “aptos a ensinar” (1Tm 3.2). Diáconos são chamados a “conservar” a fé com uma consciência limpa, mas não são chamados a “ensinar” aquela fé (1Tm 3.9). Isso sugere que os diáconos não têm um papel de ensino oficial na igreja.

Como os presbíteros, os diáconos devem governar bem sua casa e seus filhos (1Tm 3.4, 12). Porém, ao referir-se aos diáconos, Paulo omite a seção na qual compara governar a própria casa a cuidar da igreja de Deus (1Tm 3.5). O motivo dessa omissão é, mais provavelmente, devido ao fato de que aos diáconos não é dada uma posição de liderança ou governo na igreja – essa função pertence aos presbíteros.

Embora Paulo indique que um indivíduo deva ser testado antes de poder exercer o ofício de diácono (1Tm 3.10), o requerimento de que ele não seja um neófito não está incluso. Paulo observa que, se um diácono for um recém convertido, pode ocorrer que ele “se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1Tm 3.6). Uma implicação dessa diferença poderia ser que aqueles que exercem o ofício de presbítero são mais suscetíveis ao orgulho porque possuem liderança sobre a igreja. Ao contrário, não é tão provável que um diácono, o qual se acha mais em um papel de servo, caia no mesmo pecado. Finalmente, o título de “bispo” (1Tm 3.2) implica a supervisão geral do bem-estar espiritual da congregação, ao passo que o título “diácono” implica alguém que possui um ministério orientado para o serviço.

Além do que podemos vislumbrar dessas diferenças nas qualificações, a Bíblia não indica claramente a função dos diáconos. Contudo, baseado no padrão estabelecido em Atos 6, com os apóstolos e os Sete, parece melhor enxergar os diáconos como servos que fazem o que for necessário para permitir que os presbíteros cumpram o seu chamado divino de pastorear e ensinar a igreja. Assim como os apóstolos delegaram responsabilidades administrativas aos Sete, também os presbíteros devem delegar certas responsabilidades aos diáconos, de modo que os presbíteros possam focar os seus esforços em outras atividades. Como resultado, cada igreja local é livre para definir as tarefas dos diáconos conforme as suas necessidades particulares.

Quais são alguns deveres pelos quais os diáconos devem ser responsáveis hoje? Eles poderiam ser responsáveis por qualquer coisa que não seja relacionada ao ensino e ao pastoreio da igreja. Tais deveres poderiam incluir:

Instalações: Os diáconos poderiam ser responsáveis por administrar a propriedade da igreja. Isso incluiria assegurar que o lugar de culto esteja preparado para a reunião de adoração, limpá-lo, ou administrar o sistema de som.

Benevolência: Semelhante ao que ocorreu em Atos 6.1-6 com a distribuição diária em favor das viúvas, os diáconos podem estar envolvidos em administrar fundos ou outras formas de assistência aos necessitados.

Finanças: Enquanto os presbíteros deveriam, provavelmente, supervisionar as questões financeiras da igreja (At 11.30), pode-se deixar apropriadamente que os diáconos lidem com as questões cotidianas. Isso incluiria coletar e contar as ofertas, manter registros, e assim por diante.

Introduções: Os diáconos poderiam ser responsáveis por distribuir boletins, acomodar a congregação nos assentos ou preparar os elementos para a comunhão.

Logística: Os diáconos deveriam estar prontos a ajudar em uma variedade de modos, de modo que os presbíteros possam se concentrar no ensino e no pastoreio da igreja.

Conclusão

Ao passo que a Bíblia encarrega os presbíteros das tarefas de ensinar e liderar a igreja, o papel dos diáconos é mais orientado ao serviço. Isso é, eles devem cuidar das preocupações físicas ou temporais da igreja. Ao lidarem com tais questões, os diáconos liberam os presbíteros para que foquem no pastoreio das necessidades espirituais da congregação.

Contudo, embora os diáconos não sejam os líderes espirituais da congregação, o seu caráter é da maior importância, motivo pelo qual deveriam ser examinados e apresentar as qualificações bíblicas arroladas em 1Timóteo 3.

Fonte:
Ministério Fiel - Benjamin L. Merkle

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