quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Aparência e Conteúdo

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Por Reinaldo Ribeiro em Estudos Gospel

“E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.” (Marcos 11:20)

Indo de Betânia a Jerusalém, Jesus sentiu fome. Ao passar por uma figueira coberta de folhas bem verdes (aparência), aproximou-se para colher alguns figos. Vendo, porém, a mais absoluta ausência de frutos (conteúdo), Jesus “amaldiçoou” a figueira, condenando-a à improdutividade permanente. “No dia seguinte, de manhã bem cedo, Jesus e os discípulos passaram perto da figueira e viram que ela estava seca desde a raiz” (Marcos 11:20).

A explicação dada por Jesus, claramente, nada tem a ver com o fato de uma figueira secar, por não possuir fruto, o que poderia ser encarado com naturalidade em uma época que não era de colheita... Mas, de repente, Ele começa a explicar sobre a fé capaz de modificar as coisas. Mas qual seria a relação entre uma figueira amaldiçoada e a vida de fé, cheia de frutos, que o Senhor espera que tenhamos?

Tal como aquela figueira, muitos de nós conseguem impressionar e convencer à primeira vista. Nossas “folhas verdes” dão a aparência de viço, de vida, de robustez, o que não necessariamente implica em autenticidade e principalmente em produtividade.

Em tempos de números e estatísticas, ouvimos por todos os lados de índices que falam em crescimento da igreja. Alguns calculam que em duas décadas a maioria da população brasileira será evangélica. Mas seria isso suficiente para afirmarmos que a Obra de Deus está verdadeiramente arraigada e influenciando para o bem esta terra? Será que temos uma igreja comprometida com a humilde e serena verdade do evangelho? Será que essas multidões presentes em censos e pesquisas estão unidas pelo vínculo do amor e da fé? E será que como se foram um só coração dão testemunho real e com autoridade de Cristo através de suas próprias vidas? São perguntas vitais e que nos impelem a uma profunda reflexão.

Muitas vezes somos apenas corpos frequentadores de igreja, bocas que berram mecanicamente seus améns e aleluias, mãos ignorantes que carregam Bíblias que nunca são lidas, ternos e gravatas que escondem uma alma maculada por pecados clandestinos. Muitas vezes somos apenas folha verde – aparência – porém sem um único fruto verdadeiro de sincero compromisso com Cristo e Sua Palavra.

Nossa vocação, como cristãos, não é simplesmente oferecer abrigo, embaixo da folhagem verde dos nossos ramos. Nossa vocação, de tempo integral, é providenciar alimento para um mundo raquítico e desnutrido de Deus. Acima de tudo e acima das estações do ano, o cristão continua sua missão de realizar a obra de Cristo, isto é, de doar “vida com abundância”. O eterno é eterno porque é atemporal. A qualidade de nossa missão é eterna. Por isso, nunca devemos estar presos às limitações das estações, das culturas, das tecnologias ou dos modismos teológicos.

É bem verdade que folhas verdes são belas e dão boa impressão. Mas, para Deus, isso não basta. Não devemos ser apenas figueiras com folhas. Temos que ir além da aparência, temos que ter compromisso e conteúdo – temos que ser figueiras com frutos!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Seja o seu sim, sim, e o seu não, não

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Por Leandro da Silva Machado em Instituto Jetro

Através da Bíblia temos a oportunidade de conhecer o caráter, os princípios e os valores de Deus. Uma das coisas que Ele mais valoriza é a sua Palavra. Com o passar dos tempos, as pessoas tem deixado de dar importância às suas palavras. Cada vez mais, fazem uso de mentiras para conseguir promoções, status ou benefícios. Assim, acabam seguindo um curso totalmente contrário daquele desejado por Deus para nós.

Deus zela e valoriza sua palavra

Deus, em cada uma de suas atitudes, deseja nos ensinar algo. No livro de Gênesis podemos ler acerca da promessa que Ele fez a Abraão: "E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção" (Gn 12.2). "Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo" (Hb 6.13). Deus, após fazer a promessa a Abraão, mostrou o valor da sua palavra jurando por si mesmo. Na época do velho testamento, um juramento era uma invocação a Deus para que ele, o único que conhece os corações, testemunhasse a verdade, castigando o indivíduo que por acaso estivesse jurando falsamente. Deus empenhou a sua própria pessoa em sua promessa a Abraão. Deus mostrou a Abraão, e tem mostrado a nós também, que as palavras devem ser de honra e dignidade. Toda promessa deve ser cumprida, independentemente das circunstâncias.

Ainda que tudo mude à nossa volta, seja na área financeira, emocional ou espiritual, segundo o exemplo que Deus nos deu, devemos honrar cada uma das nossas palavras. Cumprir as nossas palavras não depende da fidelidade das outras pessoas, e sim da nossa, pois Deus, independente da nossa infidelidade, sempre permanecerá fiel para conosco. "...se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a Si mesmo" (2 Tm 2.13).

Imitando Deus

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados" (Ef 5.1). Ser imitador de Deus é muito mais do que dizer "sou crente" ou simplesmente ir ao culto. Ser imitador de Deus é ter exatamente as mesmas atitudes que Ele tem mediante as mais diversas circunstâncias. É valorizar aquilo que Deus valoriza: a palavra.

Homens e mulheres de uma só palavra

"Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno" (Mt.5.37). A Bíblia nos mostra de forma muito clara que devemos prestar atenção em cada promessa ou palavra que declaramos. Devemos ser homens e mulheres de apenas uma palavra, para que tenhamos crédito perante as pessoas e perante Deus. Quão desagradável é não poder distinguir se uma pessoa com a qual nos relacionamos está falando a verdade, ou se está mentindo.

Se você disse, eu acredito!

"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rm 10.17). Ao lermos esse versículo tão belo e poderoso, podemos tirar dele vários ensinamentos importantes para as nossas vidas. Quanto mais ouvimos a Palavra de Deus, mais o nosso coração se encherá de fé, pois temos a convicção de que tudo aquilo que Deus diz, Ele cumpre.

Entendemos, então, que o crédito que damos a uma palavra está diretamente ligado à pessoa que a declarou. Todo cristão verdadeiro precisa ter crédito em suas palavras. Este crédito, muitas vezes, demora a ser conquistado. Entretanto, ele pode ser perdido muito facilmente, basta uma "simples" mentira. "O justo odeia a palavra de mentira..." (Pv 13.5)

A mentira não deve fazer parte das nossas vidas, devemos possuir apenas uma palavra e honrá-la em qualquer circunstância. Assim como Deus, o justo odeia a mentira. O simples fato de uma palavra ter partido de nós, deve ser suficiente para que as pessoas acreditem nela. Caso isto não ocorra, precisamos rever nossas atitudes e buscar ganhar crédito para a nossa palavra.

"Pequenas mentiras"

Muitos pais, para não serem importunados por seus filhos pequenos, costumam resolver algumas questões aplicando-lhes "pequenas mentiras". À luz da palavra que acabamos de expor, mesmo essas questões, e principalmente essas, devem ser resolvidas falando-se a pura verdade.

Em primeiro lugar, toda mentira é procedente do Diabo. Ao mentir para o seu filho pequeno você estará agindo como um filho do Diabo. Em segundo, mais cedo ou mais tarde ele descobrirá que foi enganado e perderá a confiança em você. Em terceiro lugar, ele seguirá o seu exemplo mentindo para outras pessoas, porque julgará que essa é uma atitude normal. Por último, ele se tornará uma pessoa insegura em relação aos outros, desconfiando sempre de suas palavras. Portanto, vamos fazer direitinho a nossa lição de casa. Seja correto, e Deus certamente vai abençoar o seu lar.

Honre sua palavra!

Deus valoriza a sua Palavra e por isto sempre cumpre suas promessas. Como bons filhos de Deus, devemos honrar nossa palavra, assim como Deus o faz. O justo não tem prazer na mentira e sendo assim, possui apenas uma palavra e sempre a cumpre, custe o que custar.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

O que dizer sobre pecadinho e pecadão.

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Por PCamaral

Em uma conversa sobre assuntos bíblicos aqui em casa surgiu o gancho para que minha esposa citasse o que ela pensa sobre "graus de pecados". Isso porque não entra na cabeça dela que um pecado "pequeno" seja comparado com alguém, por exemplo, que matou uma pessoa. Nessas horas é certa a citação do versículo bíblico de Mateus 5: 19 - Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. - Dando assim, na interpretação dela, condições para crer que existem graus de pecados.

Para complicar temos ainda a citação de Tiago 2:10 - Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. A questão levantada por ela é a seguinte: Como pode alguém que cometeu um "pequeno" pecado de, por exemplo, tomar o nome de Deus em vão, ser comparado e posta no mesmo patamar de um sujeito que assassinou uma pessoa e ser condenada da mesma forma por Deus? Essa foi a questão levantada na conversa. Pensando desta maneira, podemos até concordar que existam mesmo graus de pecado, e que pessoas praticam pequenos pecados e outras grandes pecados, ou pecadões, e que a maneira como serão castigados será diferenciada devido a gravidade do pecado cometido.

Sem entrar na interpretação e no contexto de cada versículo usado (isoladamente) como argumento passo a expor o meu entendimento sobre este tema, que é o seguinte: Não existem graus de pecados. Todos os pecados são punidos com a morte, "pois o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23a).

Devemos entender que não é o nosso ponto de vista que é usado no julgamento mas a justiça de Deus, e que o principio usado por Deus é a obediência. Quando pecamos não está em julgamento se adoramos outros deuses, ou fazemos imagem de escultura, ou dizemos o nome de Deus em vão ou transgredimos qualquer um de seus dez mandamentos. Quando Tiago diz que "Qualquer que guardar a Lei (os 10 mandamentos) e tropeçar (transgredir, desobedecer) em um só ponto, tornou-se culpado de todos, ele está dizendo que não importa o grau de importância que eu, ser humano, dou a cada mandamento porque o que está em julgamento não é o mandamento é a obediência àquele que nos deu os mandamentos para obedecer.

Quando não honro meu pai e minha mãe desobedeço a uma ordem de Deus, cometo pecado, desobedeço Sua vontade soberana, mas no meu entendimento isso não é tão grave quanto matar uma pessoa. Mas não é isso que Deus está julgando. Deus está julgando nossa obediência. O principio é, e sempre será, a obediência, não para ser salvo, a obediência é um fruto, pois quem ama a Deus guarda os seus mandamentos (Jo 14:21). Sempre foi, desde o principio, e sempre será até o fim, tudo gira em torno da obediência, e Jesus nos mostrou isto na carne, pois foi obediente até a morte, e morte de cruz. (Fp 2:8)

Por este motivo quando alguém peca, não importa se furtou uma caneta, ou deu um falso testemunho, ou assassinou uma pessoa, para Deus esta pessoa pecou. Agora, se esta pessoa que pecou se arrepender de seu pecado, e orar e se desviar do seu mal caminho então Deus ouvirá sua oração dos altos céus e perdoará seu pecado, (2 Cr 7:14) mas ela terá de arcar com as consequências de seu ato, pois Deus perdoa o pecado mas não inocenta o pecador (Ex 34:7 - Nm 14:18). Uma pessoa que praticou um delito simples de furto ou alguém que cobiçou ou adulterou ou coisas deste tipo, se esta pessoa se arrepender e se chegar a Deus clamando arrependida por perdão será atendida e sua vida será restaurada. Mas aquela pessoa que matou outro ser humano, mesmo depois de confessado o pecado e pedido perdão, e de ser perdoada por Deus, terá de se entregar a justiça para pagar pelo crime que cometeu, pois, repetimos, "Deus perdoa o pecado mas não inocenta o pecador" (Ex 34:7 - Nm 14:18).

Esse é o meu entendimento sobre pecado e suas consequências. Diante de Deus, seja qual for o tamanho do nosso pecado nos faz culpados e passiveis de punição. Podemos nos arrepender de nossos pecados, confessá-los e pedir perdão a Deus mas isto não nos livrará das consequências desastrosas que qualquer tipo de pecado carrega consigo. Por isso a melhor coisa é "(...) não pequeis;". (1 João 2:1)

Meu querido, não caia na cilada do inimigo, lembre-se da desobediência do primeiro homem, o simples fato de tomar do fruto que Deus ordenou que não fosse comido trouxe consequências desastrosas para tudo o universo. Não existe pecadinho e pecadão assim como não existe "desobedienciazinha" e "desobedienciazão", essas palavras nem existem no dicionário . O que existe é obediência e desobediência.

Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus. (1 João 3:9)

Que Deus nos ajude sempre.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Liturgia e culto: reflexões à luz das Escrituras e da história cristã

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Por Alderi Souza de Matos em Revista Ultimato

A palavra liturgia soa estranha aos ouvidos de muitos evangélicos atuais. Para eles, esse termo sugere um culto excessivamente formal, rígido e sem vida, mero tradicionalismo herdado do passado. Daí a preferência em muitas igrejas por um estilo de adoração mais espontâneo e participativo, sem fórmulas pré-estabelecidas. No entanto, essa maneira de cultuar a Deus não está isenta de sérios problemas nos dias de hoje. O culto contemporâneo tem se desviado a tal ponto dos padrões bíblicos e históricos que muitos crentes estão começando a sentir a falta de uma liturgia mais reverente e disciplinada. A experiência cristã ao longo dos séculos é rica de ensinamentos sobre esse tema polêmico.

Igreja antiga e medieval

Os primeiros cristãos eram judeus e por isso o culto da igreja primitiva inspirou-se na liturgia das sinagogas. Nestas, após uma invocação inicial, eram recitados o “Shema” (credo baseado em Dt 6.4-9 e outros textos) e o “Tephilah” (conjunto de orações). A seguir, eram lidas passagens do Pentateuco e dos Profetas, seguindo-se uma exposição do texto. Também eram cantados salmos, especialmente o “Hallel” (113-118). Seguindo esse modelo, o culto cristão original foi extremamente simples, constando de orações, cânticos, leituras do Antigo Testamento e das “memórias dos apóstolos”, exortações pelo dirigente, coletas em prol dos carentes e celebração dos sacramentos, em especial a Ceia do Senhor, ou Eucaristia.

O Novo Testamento não apresenta uma descrição detalhada do culto (At 2.42-47), mas os estudiosos acreditam ter identificado materiais litúrgicos em diversas passagens. Um valioso relato do culto cristão no segundo século é encontrado na “I Apologia”, de Justino Mártir (c. 150). Nessa época, já haviam surgido fórmulas para certos elementos da liturgia, como as belas orações eucarísticas existentes em um antigo manual eclesiástico -- a “Didaquê”. Com o passar do tempo, a liturgia foi se tornando cada vez mais padronizada, sendo usada com pequenas variações em todas as igrejas. O culto tinha duas partes distintas: a Liturgia da Palavra, aberta a todos, e a Liturgia do Cenáculo, somente para os batizados.

Na Idade Média, o culto cristão tornou-se ritualístico e aparatoso, perdendo a simplicidade original. Surgiram práticas desconhecidas dos primeiros cristãos, como o uso de incenso, velas, orações pelos mortos e invocação dos santos e de Maria. A língua utilizada era o latim e o celebrante dava as costas para o povo, o que dificultava a comunicação e a compreensão do culto. O impacto sensorial e emocional da missa era profundo, sendo intensificado pela rica arquitetura e decoração dos templos. No entanto, havia pouca instrução bíblica e limitada edificação espiritual.

Atuação dos reformadores

As novas convicções teológicas introduzidas pela Reforma Protestante resultaram em uma profunda reformulação do culto e sua respectiva liturgia. O princípio da “sola Scriptura” fez com que a Bíblia passasse a ocupar um lugar muito mais destacado do que antes. O novo entendimento da salvação pela graça mediante a fé foi acompanhado de uma reinterpretação do sacramento da Ceia, visto não mais como um sacrifício oferecido pela igreja, mas como uma dádiva de Cristo ao seu povo. Por fim, a ênfase no “sacerdócio de todos os crentes” implicou maior participação dos fieis no culto a Deus. Agora, os pontos focais da liturgia eram o púlpito e a mesa da comunhão.

Foi interessante e até mesmo surpreendente a atitude dos reformadores em relação à antiga tradição litúrgica da igreja. Levando-se em conta as grandes rupturas que eles promoveram em relação à igreja medieval, seria de se esperar que também descartassem por completo a liturgia tradicional. Todavia, não foi o que fizeram. Os reformadores sabiam que eram herdeiros de quinze séculos de história cristã. Essa história não podia ser simplesmente esquecida como se não tivesse ocorrido. Por isso, eles reconsideraram somente aquilo que entendiam estar em conflito com as Escrituras, preservando tudo o que era bom e válido na herança do passado.

Martinho Lutero inicialmente apenas revisou a missa latina, não desejando “abolir completamente o serviço litúrgico de Deus”, e sim purificá-lo dos acréscimos indevidos. Mais tarde, elaborou a “Missa alemã” (1526), na língua do povo, para ser utilizada principalmente em regiões rurais. Ulrico Zuínglio (Zurique), Martin Butzer (Estrasburgo) e João Calvino (Genebra) também escreveram ricas liturgias para suas respectivas igrejas, nas quais a Ceia do Senhor ocupava um lugar proeminente. Sua ênfase no canto congregacional resultou em diversos saltérios -- coleções de salmos metrificados e musicados. Na liturgia de Genebra, Calvino buscou o equilíbrio entre orações extemporâneas e fórmulas litúrgicas.

Refletindo sobre o culto

Por culto entende-se o ato público de adoração a Deus realizado pela igreja. Como tal, tem um valor incalculável para os cristãos, sendo a manifestação mais visível e concreta da comunidade cristã. Liturgia vem do grego “leitourgia”, que significava o serviço público prestado por um cidadão. Cristianizada, a palavra passou a expressar o serviço espiritual a Deus e, mais especificamente, o conteúdo e a sequência das partes do culto cristão, caracterizado por diferentes graus da formalidade.

Por que os cristãos antigos elaboraram liturgias padronizadas para o culto? Em primeiro lugar, pela grande reverência que tinham por essa atividade tão sublime e elevada da igreja. O culto a Deus tinha de ser harmonioso e ordeiro, e a liturgia servia a esses dois propósitos. Não se podia permitir que o culto a Deus fosse improvisado ao bel-prazer dos dirigentes. Outro motivo foi a preocupação com a unidade da igreja. De que maneira a igreja poderia ter um senso de coesão se cada comunidade cristã cultuasse a Deus de um modo diferente? O fato de que todas as igrejas locais seguiam essencialmente os mesmos padrões de culto contribuía para esse valioso senso de comunhão e fraternidade.

Hoje, muitos evangélicos abandonaram por completo formas litúrgicas de culto. Talvez isso fosse inevitável, por causa das transformações do protestantismo e da sociedade. Todavia, chegou-se a uma situação em que, em nome da liberdade e da espontaneidade, o culto se desvirtuou em muitas igrejas, sendo marcado pela irreverência, superficialidade e preocupação prioritária com as necessidades humanas, e não com a glória de Deus. Com isso, muitos crentes estão buscando igrejas que valorizam os padrões bíblicos do culto e seguem a recomendação paulina à igreja de Corinto: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (1Co 14.40).

Conclusão

A título de conclusão, vale lembrar os princípios propostos pelos reformadores suíços no que diz respeito ao culto:
  • a) precedente bíblico: sendo o culto uma atividade tão importante, Deus não deixaria de dar instruções precisas sobre ele em sua Palavra; nada deve ser feito no serviço divino que não tenha fundamento explícito nas Escrituras;
  • b) simplicidade: quanto mais complicado e espetaculoso for o culto, mais facilmente a atenção das pessoas será desviada de Deus para outros interesses;
  • c) reverência: é preciso cultivar atitudes de respeito, atenção e meditação diante de Deus;
  • d) teocentricidade: os objetivos principais do culto são a glória de Deus e a edificação dos fiéis, nessa ordem. Que Deus nos conceda sabedoria e discernimento a fim de ordenarmos o culto a ele atentando para as Escrituras e para os bons exemplos da história cristã.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fundamentos da mansidão cristã

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Por Rodolfo Garcia Montosa em Instituto Jetro

... aprendei de mim, porque sou manso ... de coração; e achareis descanso para a vossa alma... (Mateus 11.28-30).

Quando sofremos aflições, passamos por perdas relevantes, falhamos em alguma de nossas iniciativas, "quebramos a cara" em algum de nossos empreendimentos, somos atacados por pessoas, surpreendidos por fatalidades, corremos o risco de sermos invadidos por sentimentos e pensamentos de derrota e desânimo. Nossa alma pode se tornar refém da ansiedade e ficar muito agitada. Neste contexto, precisamos da virtude da mansidão de Jesus que nos livra em tempos de adversidade. Ela é necessária para esperar o agir de Deus, para não nos deixar dominar pelo medo, para blindar o coração contra as angústias que nos invadem nos tempos de tempestades. Algumas adversidades vivenciadas por Jesus nos ensinam os fundamentos de sua mansidão.

Logo depois de seu batismo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto e, lá, foi tentado diretamente por Satanás. O ataque do inimigo foi frontal, intenso e diretamente focado na provocação: Se és Filho de Deus (Mt 4.3, 6). O inimigo queria desestabilizar nosso Mestre atacando agressivamente a convicção de sua identidade. O cara-de-pau fez isso logo após a afirmação do próprio Deus quando disse, durante o batismo, Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo (Mt 3.17). Todos ouviram aquele som celestial. Aliás, deve ter sido uma experiência tremenda. Foi uma declaração pública que não deixava dúvidas a respeito da filiação. Ela gera estabilidade, produz conforto, traz segurança e promove tranquilidade. Portanto, o primeiro fundamento da mansidão de Jesus foi sua convicção de ser Filho de Deus. E você, é filho de Deus?

Em outra ocasião, Jesus estava no barco com seus discípulos, quando foram acometidos por uma séria e intensa tempestade. Os discípulos entraram em pânico. Jesus, homem manso, estava dormindo tranquilamente. Foi acordado de seu merecido sono. Levantou-se, repreendeu os ventos e o mar. Tudo se acalmou. Voltou-se a seus discípulos e, severamente, os repreendeu, dizendo: Por que sois tão tímidos? Como é que não tendes fé? (Mc 4.40). Em outras palavras, não tiveram confiança de que todas as coisas e situações, nos céus e na terra, estão debaixo da vontade e poder de Deus. Portanto, o segundo fundamento da mansidão de Jesus foi sua convicção da soberania de Deus. E você, confia no Senhor?

A última grande e cruel adversidade que Jesus enfrentou foi a cruz no Calvário. Sua experiência no Getsêmani indica o tamanho da batalha que enfrentou. Clamou intensamente. Suou sangue. Pediu para que seu cálice fosse afastado. No fundo sabia que isso jamais poderia acontecer. Estava sobre seus ombros o peso da salvação de toda a humanidade. Após recompor-se, seguiu em silêncio todo o caminho da acusação, julgamento, sentença até a morte. Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca (At 8.32). Não estava mudo por medo, mas por causa de sua mansidão. Sabia que era lá o seu lugar. O terceiro fundamento da mansidão de Jesus foi sua convicção de seu propósito em Deus. E você, qual a sua missão aqui?

Quando algum destes três fundamentos nos falta, perdemos a mansidão e nos tornamos reféns das adversidades. Assim como Cristo, devemos aprofundar as raízes na verdade de que somos filhos de Deus, lembrar-nos sempre a respeito da grandeza e poder do Senhor em todas as circunstâncias, e nos submetermos aos propósitos do Pai para nossa vida aqui na terra. Se um destes três fundamentos não estiver presente em nossa vida, corremos o risco de agitação e perturbação quando as adversidades vierem. A saída é aprender de Cristo para encontrar descanso completo e verdadeiro para nossa alma.

domingo, 7 de setembro de 2014

O perigo está na rede

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Por Carlos Fernandes em Cristianismo Hoje

Cresce maciçamente o uso de redes sociais pelos crentes, mas o risco de heresias preocupa.

Um estudo recentemente publicado confirma o perigo de que muita gente já desconfiava, mas ao qual faltava fundamentação: o uso inadequado das redes sociais acompanha o declínio estatístico na frequência às igrejas. O cientista Allen Downey, da Olin College de Engenharia da Computação, em Massachussets (EUA), encontrou fortes indícios de que a queda na filiação religiosa tem ligações com o aumento do uso da internet e, particularmente, de ferramentas como Facebook e Twitter, que não só tomam tempo excessivo das pessoas como as expõem a uma série de informações, conceitos e comportamentos prejudiciais à fé cristã. "O aumento do uso da rede mundial nas últimas duas décadas causou grande impacto na filiação religiosa", defende o pesquisador. Ele traçou paralelos entre a importância crescente das redes sociais no cotidiano das pessoas e a sua expressão de fé – e a correlação entre uma e outra ficou clara – em alguns cruzamentos de dados, o absenteísmo à igreja, entre usuários cristãos ativos de redes sociais, beira os trinta por cento. "É fácil imaginar que uma pessoa que foi educada em uma determinada religião possa se afastar dela, mas a proporção atual foge das tendências ao longo da história", conclui Downey.

Isso é apenas uma ponta do iceberg. Desde que as redes sociais entraram no ar para valer – a maior delas, o Facebook, acaba de completar dez anos e já contabiliza 1,2 bilhão de usuários –, seu uso, para todos os fins, só faz crescer. Pesquisa da Intel mostrou que os brasileiros são os que mais discutem religião na internet móvel e nas redes sociais. Tamanha multiplicidade de possibilidades tem tornado possíveis mudanças em diferentes aspectos relacionados à vida humana – inclusive, claro, a fé e a espiritualidade. "Já se pode falar em uma 'religiosidade cibernética', formato para expressão da fé surgida com o avanço da internet e das novas tecnologias", aponta a jornalista e doutora em Comunicação Social Magali do Nascimento Cunha, membro da Igreja Metodista e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Para ela, no ambiente virtual, isso significa uma nova dimensão no controle do sagrado e da doutrina, prerrogativa secularmente consolidada nas mãos da instituição religiosa e do líder espiritual. "Basta ter uma conta sem custo nas mais populares redes sociais digitais, como Facebook ou Twitter, e o espaço está garantido para a livre manifestação".

Nessa FaceChurch sem templo e sem púlpito, prossegue Magali, as tradições teológicas passaram a ser relativizadas, bem como a autoridade dos líderes clássicos. "Questionamentos são feitos a todo tempo, doutrinas e posturas teológicas contrários às perspectivas denominacionais são pregadas". Já é possível encontrar, por exemplo, comunidades virtuais como a Igreja Evangélica Virtual Deus Todo-poderoso, que oferece serviços como pedido de oração e aconselhamento. Entre os católicos, qualquer fiel já pode realizar o sacramento da confissão ou acender velas virtuais nas páginas do Face, e quem procura algo mais moderninho – para dizer o mínimo – pode acessar a página do grupo Cristãos Libertos, cujo objetivo, dizem os mantenedores, é "demonstrar que o sexo antes e fora do casamento não é pecado". Nos comentários, é possível encontrar coisas de todo tipo, desde acusações de perversão sexual até elogios à postura "ousada e libertadora" do grupo. CRISTIANISMO HOJE tentou contato com os responsáveis pelo Cristãos Libertos, mas não obteve resposta. Já o responsável pela página da Igreja Evangélica Virtual, Dagoberto Prata, diz que realiza o trabalho sem nenhum interesse pessoal e que age sozinho, sem vínculo com igreja ou religião.

É claro que grande parte das pessoas que interage espiritualmente através das redes sociais tem a melhor das intenções e deseja, apenas, aprender mais sobre o Cristianismo e compartilhar a fé, discutir temas ligados à espiritualidade e manter contato com irmãos de perto e de longe. A pesquisa da Intel revelou que 39% dos entrevistados afirmaram ter o hábito de tratar do tema religião em celulares e tablets. Outro fator revelado pelo estudo é o grande número de brasileiros que admitem manter, no ambiente virtual, uma personalidade diferente daquela da vida real – cerca de 33 por cento. E outros 23% admitem postar informações falsas nas redes sociais de que participam. "A falta de ética e respeito pelos valores cristãos torna as redes sociais um caminho perigoso que pode levar até ao afastamento da fé e à apostasia", adverte o pastor e escritor João Chinelatto, de Brasília, que faz de sua página no Face e do Twitter, no qual diz ter 75 mil seguidores, uma extensão de seu ministério. "Existem obreiros fraudulentos, que usam essa ferramenta para enganar e se aproveitar da boa fé de muitos evangélicos."

BOATOS E HERESIAS

Segundo a Socialbakers, uma das maiores empresas de análise de público e tecnologia digital do mundo, o país é o vice-líder em acessos no Facebook, reunindo quase 80 milhões de usuários registrados na bilionária rede social. Líderes evangélicos já descobriram que as redes sociais são uma extensão praticamente ilimitada de seus púlpitos. Hoje, pastores já contabilizam milhões de seguidores no Twitter e têm suas páginas no Face acessadas por multidões que jamais caberiam numa igreja. O pastor e conferencista Cláudio Duarte, conhecido por suas mensagens bem humoradas sobre vida cristã e sexualidade, tem quase 1,7 milhão de fãs. Os polêmicos bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, e pastor Silas Malafaia, da igreja Vitória em Cristo, também arrastam multidões no Face e no Twitter. No microblog, tem aumentado exponencialmente as discussões sobre religião. A R18, empresa de monitoramento e análise de dados sediada em São Paulo, aferiu o pertencimento religioso de quem faz postagens desse tipo: 41% são veiculadas por católicos e 28,7%, por evangélicos, o que representa um aumento percentual ainda maior do segundo grupo.

"Não há nenhum outro grupo no Brasil com mais poder de mobilização na rede social do que os evangélicos", destaca o blogueiro Danilo Fernandes, editor do site Genizah, especializado em apologética e informação para o público cristão. "Há um enorme poder multiplicador, e as notícias, entre nós, se propagam rapidamente". De acordo com Danilo, isso acontece porque o crente, em geral, dá muita credibilidade ao que outros evangélicos dizem. Assim, uma notícia, novidade ou simples boato pode ganhar força de verdade. Foi assim, por exemplo, quando correu no Facebook a notícia de que o presidente americano, Barack Obama, teria anunciado que apenas as pessoas que tivessem implantado um microchip sob a pele teriam acesso a serviços de saúde no país. Alardeado pelos crentes como a marca da besta, prevista no Apocalipse, o boato mobilizou as páginas dos evangélicos até sucumbir por falta de comprovação. Muita gente também postou retumbantes "glórias a Deus" ante a informação de que 16 pessoas mortas nas enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro, há três anos, haviam ressuscitado graças às orações das igrejas locais. Infelizmente, nem elas e nem nenhuma outra das quase mil vítimas fatais voltaram à vida.

Para Danilo Fernandes, um dos maiores perigos dessa busca religiosa pelas redes sociais é justamente a falta de controle e a disseminação de heresias. "Isso está em todo lugar. Até gente com perfis fake atraem seguidores", aponta. Conhecido por sua mensagem radical, o blogueiro Julio Severo é um desses livre-pensadores que expõem, na grande rede, as mais diversas ideias. Ninguém conhece seu verdadeiro nome, como se sustenta e como vive sua fé. A pregação furiosa contra o homossexualismo já lhe rendeu diversos problemas – em entrevista a CRISTIANISMO HOJE, há cerca de cinco anos, ele se disse perseguido pelo governo brasileiro e ameaçado de morte – em sua homepage reúne os próprios textos, além de colaborações e citações de outros autores. "Ele é o cara que ninguém sabe, ninguém viu, mas faz um barulho danado", brinca Danilo. Mesmo assim, tem milhares de seguidores – gente que não só reproduz o que posta, criando verdadeiros virais, como o defende com unhas e dentes.

"A grande questão a ser considerada é a motivação com que o internauta utiliza a rede social", pondera o teólogo Ricardo Agreste, mestre em Missões Urbanas e pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas (SP). "E este é o aspecto mais crítico e que precisa ser considerado com cuidado por todos que fazem uso dessas mídias". Ativo no Facebook, Agreste observa que, neste verdadeiro big brother cotidiano, a ânsia por ser notado e ouvido faz com que muitas pessoas se exponham demais. "O desejo de ser e fazer notícia e saber acerca da intimidade alheia move milhões de usuários das mais variadas faixas etárias, classes sociais e confissões religiosas. No Facebook, qualquer indivíduo pode deixar o anonimato, mostrando ao maior número de pessoas o que faz, o que come, como se sente, o que veste e, na minoria das vezes, o que pensa".

Daí para o exagero e o pecado é um pulo, como adverte Augustus Nicodemus Lopes, ministro presbiteriano e professor de Teologia: "As mesmas pessoas que postam declarações de fé e amor a Jesus também transmitem conteúdo com palavras chulas e palavrões do pior tipo – até mesmo, fotos eróticas", critica. Com mais de 3 mil amigos na sua rede social, mas acessado por muito mais gente que procura suas reflexões e artigos publicados, Nicodemus defende que essa vulgarização é reflexo da superficialidade do Cristianismo brasileiro. "A pureza e a santidade requeridas na Bíblia para os cristãos abrangem não somente seus atos como também seus pensamentos e suas palavras."

"MÁS REFERÊNCIAS"

O professor Rafael Shoji, com pós-doutorado em Ciências da Religião, aponta especialmente os grupos neopentecostais como os que mais rapidamente têm se adaptado às redes. Pesquisador do Centro de Estudo de Religiões Alternativas (Ceral), entidade ligada à Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, ele frisa que o marketing tem migrado para a internet e existem várias técnicas de comunicação específicas desse meio, tanto do ponto de vista de produção da mensagem quanto do acompanhamento das reações, opiniões e dos sentimentos provocados. "Qualquer um que queira ter um impacto social hoje tem de atuar também no mundo digital", diz. O pastor Justin Vollmar é um dos religiosos que tiveram impacto na vida de muitos cristãos. Criador de uma página no Face intitulada Virtual Deaf Church ("Igreja virtual para surdos") e utilizando a linguagem de sinais, ele fazia pregações, divulgava material de cunho teológico e ganhou enorme visibilidade. Só que, recentemente, anunciou o fim de seu ministério com uma justificativa bombástica: tornou-se ateu. Em vídeo também divulgado pela rede, Vollmar admite que não crê mais em Deus e que está abandonando tudo. "Minha mente mudou completamente para o outro lado", diz. "No final, eu estou completamente convencido de que não há verdadeiramente nenhum Deus. É tudo bobagem".

"É preciso ter sinceridade de dizer que não temos boas referências produzidas pelos evangélicos. Então, buscamos verificar as tendências das grandes marcas e adesão do público, inclusive em âmbito internacional, para assim incluir a Igreja em projetos que busquem sua relevância no mundo, o que é mais importante", defende o diretor de Comunicação da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo, Thiago Crucitti. "É um erro ficar aderindo a todas as novidades que aparecem sem senso crítico". Um estudo publicado na revista Science confirma a tendência. Segundo os pesquisadores, um post que recebe aprovação dos leitores tem muito mais chance de receber as chamadas curtidas de outras pessoas, independentemente do conteúdo. Mas há quem use a maior rede social do planeta para ganhar almas no mundo virtual e trazê-las para a comunidade presencial. Uma das "manias" cristãs dos últimos tempos no Facebook é a campanha intitulada Lançai a Palavra. O desafio, lançado no início deste ano, tem feito milhares de internautas cristãos ligarem a webcam e pegar a Bíblia. "Em vez de ficar postando bobagens, os jovens estão compartilhando a Palavra de Deus", elogia o militar Phelippe da Silveira Knupp, crente batista de Campinas (SP). Entusiasmado com a proposta, Knupp faz pelo menos uma postagem por semana. Suas passagens favoritas são extraídas dos evangelhos. "As pessoas ficam impressionadas quando leio alguma coisa sobre o sermão do monte ou os milagres que ele realizava". A iniciativa tem dado tantos resultados que Knupp já recebeu, em sua igreja, a visita, em carne e osso, de amigos virtuais que fez através do Lançai a Palavra. "Dois deles já manifestaram o desejo de seguir a Cristo", comemora.

(Colaborou Carlos Henrique Silva)


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Deus e o Destino do Homem

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Por Dave Hunt

“Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90.2)

Eternidade. O que significa essa palavra e por que motivo alguém deveria aceitar esse conceito, principalmente no que se refere ao destino do homem? Sabemos por experiência própria, e através da observação da natureza, que as coisas materiais se deterioram. A Segunda Lei da Termodinâmica nos diz que todo o universo está se desgastando, como um relógio que está perdendo a corda, e não vai durar para sempre. Portanto, é óbvio que ele teve um princípio, exatamente como diz a Bíblia.

Sabemos que o Sol não esteve sempre no céu, ou já teria consumido completamente todo o seu combustível. O mesmo vale para todas as outras estrelas. Fica claro, então, que houve uma época em que este universo não existia; nada existia, nem mesmo a energia da qual o universo parece ser constituído.

Por que o universo não poderia ter sua origem em alguma misteriosa energia cósmica que sempre existiu, sem ter tido um começo? Por causa da Segunda Lei da Termodinâmica, a lei da entropia. A energia não poderia ter existido desde sempre, desenvolvendo-se rumo a um “Big Bang” (“Grande Explosão”) que teria criado as estrelas e os planetas. Ela teria sofrido entropia antes de “explodir” – e explosões não criam ordem. Se o universo tivesse existido para sempre, agora tudo deveria ter a mesma temperatura: o calor sempre é transmitido para algo mais frio.

Além disso, a energia não tem nem intelecto, nem qualidades pessoais para fazer surgir a incrível complexidade da vida e para criar seres com personalidade própria. Inteligência e personalidade são imateriais e não poderiam ter sido geradas posteriormente a partir da energia ou da matéria e, portanto, devem tê-la precedido.

Não alguma força, mas um Ser pessoal de inteligência infinita e sem começo deve ter criado o universo. Não se trata da “causa original” da filosofia ou dos “deuses” do paganismo, que mudam, seguem seus caprichos e competem entre si. O Criador somente pode ser o “Eu Sou” que revelou a Si mesmo a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3.14), o Auto-Existente sem começo e sem fim, de quem a Bíblia diz: “de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90.2).

É óbvio que o intelecto e a personalidade são inteiramente diferentes da matéria e não são a substância constitutiva dela. Portanto, o universo não faz parte de Deus e nem é uma extensão dEle. Isso significa que tudo que podemos ver – seja a olho nu, com um telescópio ou através de um microscópio eletrônico – veio do nada. Isso é impossível, mas somos levados a essa conclusão pela própria lógica. Contudo, imaginar que a vida e a inteligência brotaram espontaneamente, por sua própria iniciativa e poder, do espaço morto e vazio, seria algo totalmente irracional. Portanto, alguma coisa diferente do universo e de seus componentes deve ter existido sempre.

Não alguma coisa, mas Alguém, sem início nem fim. Por que Alguém? Porque o universo, desde a estrutura atômica até uma célula humana, exibe uma ordem e uma complexidade tão extraordinárias que só uma inteligência infinita poderia ter planejado e executado – e nenhuma coisa, ou força, ou “poder superior” tem a capacidade de pensar, planejar e organizar. Além disso, a espécie humana é composta de personalidades individuais que têm a capacidade de conceber idéias conceituais, expressá-las em palavras ou desenhos e transformá-las em intrincadas estruturas que não existem na natureza. Os seres humanos também têm a capacidade de sentir amor e ódio, alegria e tristeza, perceber a justiça e a injustiça, e raciocinar sobre sua própria existência e destino.

Só uma Pessoa infinita poderia criar pessoas. Portanto, as evidências e a lógica nos levam a concluir que este universo só poderia ter começado a existir sob o comando de Alguém que não teve começo; Alguém que sempre existiu e que possui o gênio e o poder infinitos para trazer à existência todas as coisas e todos os seres, a partir do nada. Certamente não foi pela superstição corrente no Egito em seus dias, mas por revelação divina que Moisés declarou: “Antes que [...] se formassem a terra e o mundo [...] de eternidade a eternidade, tu és Deus [...] mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi, e como a vigília da noite” (Salmo 90.2,4).

Este não é o deus do paganismo, das religiões indígenas, ou de qualquer uma das grandes religiões do mundo, tais como o budismo (pouquíssimos budistas acreditam em Deus), o hinduísmo, o islamismo e muitas outras, mas sim o Deus da Bíblia que, do modo como é descrito nas Escrituras, qualifica-se de forma única e singular para ser o Criador de todas as coisas. Não consideramos o cristianismo como sendo uma das religiões do mundo, mas sim como algo inteiramente distinto de todas elas.

No princípio, criou Deus os céus e a terra.

A Bíblia jamais tenta provar a existência de Deus. Ela simplesmente a toma como um fato. Ela também não tenta explicar o que está além da nossa capacidade de compreensão. A Escritura simplesmente declara, no primeiro versículo: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). Em gratidão ao Deus que o criou, o rei Davi afirmou: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139.14).

A ciência não foi, nem jamais será capaz de verificar, refutar ou aperfeiçoar essa declaração. Não podemos compreendê-la, mas devemos aceitá-la pela fé. Aqui temos um exemplo do que é a fé: um passo que nada tem de irracional, mas sim uma trajetória racional que pondera as evidências e segue a lógica até o ponto em que a razão consegue alcançar, e depois dá mais um passo além da razão, mas sempre na direção e no sentido que as evidências e a razão indicaram.

A Bíblia expressa esse princípio da seguinte forma: “Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hebreus 11.3). Alguns autores já disseram que essa foi a primeira formulação da teoria atômica. Não, isso não é teoria; é a afirmação de um fato nas palavras do próprio Deus. No entanto, temos de ter o cuidado de não ler nesse versículo mais do que ele realmente diz. Ele não diz que tudo foi formado de algo invisível. Ele não diz, igualmente, que o universo foi formado de alguma coisa.

O que Hebreus 11.3 nos diz é que o universo visível não foi feito de algo visível, pois isso implicaria dizer que alguma coisa visível sempre existiu e que o universo foi simplesmente fabricado com os materiais disponíveis. Mas ele não poderia ter sido criado dessa forma, porque não existe nada visível que seja eterno. Na verdade, o universo foi criado pela Palavra de Deus: “Disse Deus: Haja [...]” (Gênesis 1.3,6,9, e outros), e tudo que é visível passou a existir em obediência à Sua Palavra. Essa mesma Palavra que criou e sustenta todas as coisas falará novamente, e tudo que é visível na velha criação se dissolverá e tornará ao nada: “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios” (2 Pedro 3.7).

Muito antes da formulação da Segunda Lei da Termodinâmica, Jesus afirmou muito claramente: “Passará o céu e a terra” (Mateus 24.35). Entretanto, o universo não está destinado, simplesmente, a se desgastar devido à passagem de incontáveis bilhões de anos. Sob a inspiração do Espírito Santo, Pedro explicou que toda a vida existente na face da terra será sumariamente eliminada e o universo inteiro será destruído por Deus como castigo pela rebelião do homem e de Satanás. Em seu lugar, será criado um novo universo: “[No] Dia do Juízo [...] os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas [...] os céus, incendiados, serão desfeitos [...] Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pedro 3.7-13).

A palavra “céus” é usada de duas formas na Escritura: significando tudo o que há de físico no espaço dimensional exterior à terra, e referindo-se à habitação imaterial de Deus, que Jesus indicou quando disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14.2). Um significado refere-se a algo visível e temporal, enquanto o outro fala de algo invisível e eterno. Este universo visível e temporário não é tudo o que existe. Há uma outra dimensão de existência que não é física nem visível – e que não se desgasta nem envelhece com a passagem do tempo, não pode ser destruída e jamais deixará de existir.

Fonte: Portal Chamada

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Tudo posso naquele que me fortalece

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Por William MacDonald

“...tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13).

É muito fácil entender mal um versículo assim. O lemos e imediatamente pensamos em centenas de coisas que não conseguimos fazer. No mundo físico, por exemplo, pensamos em alguma acrobacia ridícula que exigiria poderes sobre-humanos. Ou pensamos em alguma grande proeza mental que está muito além de nós. Então estas palavras se tornam uma tortura para nós, ao invés de um conforto.

O que o versículo na verdade quer dizer, claro, é que o Senhor nos dará poder para fazer qualquer coisa que Ele queira que façamos. Dentro do círculo da Sua vontade não há impossibilidades.

Pedro sabia deste segredo. Ele sabia que, por si só, não poderia andar sobre as águas. Porém, também sabia que se o Senhor lhe havia dito para fazê-lo, ele conseguiria. Assim que Jesus disse “Venha”, Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas até Ele.

Normalmente uma montanha não vai se lançar ao mar ao meu comando. No entanto, se esta montanha estiver entre mim e o cumprimento da vontade de Deus, então posso dizer “Saia do caminho” e ela o fará.

O ponto central é que “Sua vontade é Sua capacidade”. Portanto, Ele proverá a força para enfrentarmos qualquer desafio. Ele me capacitará para resistir a cada tentação e vencer cada hábito. Ele me fortalecerá para ter uma vida de pensamentos limpos, motivos puros e para sempre fazer aquilo que agrada ao Seu coração.

Se não tenho forças para fazer algo, se me vejo ameaçado por um colapso físico, mental ou emocional, então eu talvez deva questionar-me se por acaso entendi mal Sua vontade e estou seguindo meus próprios desejos. É possível fazer para Deus o que não é de Deus. Tais obras não carregam a promessa do Seu poder.

Por isso é importante saber que estamos seguindo a corrente do Seu plano. Então podemos ter a alegre certeza de que Sua graça irá nos sustentar e capacitar.


Extraído do livro Luz para o Caminho - Meditações Diárias. Via portal Encontre a Paz