sexta-feira, 22 de maio de 2015

Jesus Cristo, o Ungido



Por todo o Novo Testamento, nós encontramos muitos títulos para Jesus de Nazaré—"Filho de Deus", "Filho do Homem", "Senhor", entre outros. No entanto, o título que é mais frequentemente dado a Jesus no Novo Testamento é aquele que nos é familiar, mas que nós não entendemos bem. É o título de "Cristo".

Por que eu digo que nós não entendemos bem esse título? Eu digo isso porque "Cristo" é utilizado tantas vezes em conjunto com o nome "Jesus", que temos a tendência de pensar que esse é o seu sobrenome. No entanto, "Cristo" não é um sobrenome para Jesus. Ele teria sido conhecido como "Jesus Bar-José", que significa "Jesus, filho de José". Ao invés disso, "Cristo" é o título supremo de Jesus. Mas o que isso significa?

O significado de Cristo é tirado do Antigo Testamento. Deus prometeu aos antigos israelitas que o Messias viria para libertá-los do pecado. A ideia do Messias é transportada para o Novo Testamento com o título de Cristo. A palavra grega Christos, de onde nós obtemos a palavra Cristo, em português, é a tradução do termo hebraico Mashiach, que é a fonte para a palavra Messias, em português. Mashiach, por sua vez, está relacionada com o verbo hebraico masach, que significa "ungir". Portanto, quando o Novo Testamento fala de Jesus Cristo, ele está dizendo "Jesus, o Messias", que significa literalmente "Jesus, o Ungido".

Nos tempos do Antigo Testamento, as pessoas eram ungidas quando chamadas para servirem como profeta, sacerdote ou rei. Por exemplo, quando Saul foi o primeiro rei de Israel, o profeta Samuel ungiu sua cabeça com óleo, de forma cerimonial (1 Samuel 10:1). Este rito religioso foi realizado para mostrar que o rei de Israel tinha sido escolhido e capacitado por Deus para o reinado. Da mesma forma, os sacerdotes (Êxodo 28:41) e profetas (1 Reis 19:16) foram ungidos segundo o mandamento de Deus. Em certo sentido, qualquer um no Antigo Testamento que tenha sido separado e consagrado para servir era um messias, por ter recebido uma unção.

Mas o povo de Israel ansiava por aquele indivíduo prometido que era para ser, não apenas um messias, mas o Messias, Aquele que seria separado e consagrado por Deus de forma suprema para ser o Profeta, Sacerdote e Rei do povo. Assim sendo, no momento em que Jesus nasceu, existia uma grande expectativa entre os judeus que haviam esperado pelo Messias durante séculos.

Surpreendentemente, quando Jesus começou o seu ministério público, poucos o reconheceram por quem ele era, apesar das muitas evidências de que ele possuía uma unção de Deus que ultrapassou em muito aquela que repousara sobre qualquer outro homem. Sabemos que houve uma grande confusão a seu respeito, mesmo depois dele haver ministrado por algum tempo. Em um ponto, Jesus perguntou aos seus discípulos: "Quem diz o povo ser o Filho do Homem?" (Mateus 16:13 b). Ele estava analisando a sua cultura, verificando os rumores sobre si mesmo. Em resposta à pergunta de Jesus, os discípulos enumeraram vários pontos de vista que estavam sendo apresentados: "Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas" (versículo 14). Jesus estava sendo identificado com todos os tipos de pessoas, mas nenhuma dessas especulações estava correta.

Em seguida, Jesus perguntou aos discípulos: "Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?" (versículo 15b). Pedro respondeu com o que é conhecido como a grande confissão, uma declaração de sua crença sobre a identidade de Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (versículo 16). Com essas palavras, Pedro declarou que Jesus era o Christos, o Mashiach, o Ungido.

Então Jesus disse algo interessante. Ele disse a Pedro que este era abençoado por ter aquela compreensão da identidade de Jesus. Por que ele disse isso? Jesus explicou: "porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus" (versículo 17).

Pedro havia recebido uma revelação divina de que Jesus era o Messias, não era algo que ele havia discernido pela sua própria capacidade. Novamente, isso me deixa maravilhado, porque alguém poderia pensar que quase todo mundo que encontrou Jesus o tenha reconhecido imediatamente como o Messias. Afinal, não há falta de informação no Antigo Testamento sobre a vinda do Messias—onde ele nasceria, como ele se comportaria e que poder ele manifestaria— e todos podiam ver o que Jesus estava fazendo—ressuscitando pessoas dentre os mortos, curando todos os tipos de doenças e ensinando com grande autoridade. Mas, é claro, eles não o reconheceram. A unção de Jesus não era imediatamente aparente.

Muitas pessoas hoje em dia têm coisas positivas a dizer sobre Jesus como um modelo de virtude, um grande mestre e assim por diante, mas eles não chegam a dizer que ele é o Messias. Esta é a grande diferença entre cristãos e não cristãos. Só quem nasceu de novo pode confessar que Jesus é o Cristo. Você pode?

Fonte:
Ministério Fiel - R. C. Sproul

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Você é pó



Cristãos vestem bem máscaras, não é? Cada um de nós aparece nos cultos pela manhã como se estivesse muito bem, como se nossas vidas estivessem inteiramente sob controle, como se essa tivesse sido nossa melhor semana. Mas faça algumas perguntas e vá apenas um pouco além da superfície e tudo desmorona. Cada um de nós vai à igreja sentido o peso e dificuldade dessa vida. Há algo que Deus quer que façamos nessa situação. Há algo que ele nos chama a fazer – algo incrivelmente surpreendente e desconfortável. Acompanhe-me por alguns minutos e eu mostrarei o que é.

A realidade: você é pó

Uma das minhas passagens favoritas da Bíblia é o Salmo 103. Oro e me foco constantemente nessas palavras: “Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó”. Essas palavras nos dizem que mesmo enquanto oramos ao Deus todo-poderoso e onisciente, nós o fazemos enquanto criaturas que foram formadas do pó da terra. Se aprendemos alguma coisa das nossas origens do pó, aprendemos que Deus não pretendia nos fazer super-humanos e que ele não nos quis Quase-Deuses. Ele nos fez pó, não divinos, e essa foi a sua boa vontade. Ele nos fez fracos.

A dificuldade: você está sobrecarregado

Enquanto isso, a Bíblia nos diz que a vida é cheia de percalços e tribulações. A experiência deixa isso claro. Esse mundo é tão pecaminoso, nós somos tão pecadores e as pessoas ao nosso redor são tão pecadoras que as provações são inevitáveis. Cada um de nós possui cargas que precisa carregar. As vezes nós mesmos criamos nossos fardos, às vezes eles vem pela doença, às vezes através de outras formas de sofrimento. Mas seja qual for o caso, nós humanos empoeirados encaramos inevitavelmente fardos que nos parecem extremamente pesados. Jesus fala sobre a realidade da vida nesse mundo quando diz “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33). Nós somos fracos e estamos sobrecarregados.

A promessa: ajuda

Deus sabe que somos fracos. Deus sabe cada dificuldade por que passamos e ele faz a promessa segura de que pode e irá nos sustentar em cada uma delas. No Salmo 55.22, ele diz “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado”. Em tempos de tentação pelo pecado, ele promete “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”. (1 Coríntios 10.13). Há muitas outras promessas para as quais podemos nos voltar, mas o tema será sempre o mesmo: Deus conhece nossas fraquezas e promete que as enfrentará com a sua força. Somos fracos e estamos sobrecarregados, mas Deus nos promete ajuda.

A tentação: autoconfiança

Nós, humanos empoeirados e pecadores, encaramos uma difícil tentação: a autoconfiança. Apesar da nossa fraqueza e do nosso histórico de pecado, nos vemos constantemente tentados a olhar para nós mesmos em busca de ajuda. Ouça o que John Piper diz:
“Orgulho, auto-exaltação ou autoconfiança é o vírus que causa todas as doenças morais desse mundo. Isso tem acontecido desde que Adão e Eva comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal porque queriam ser Deus ao invés de confiar em Deus. E isso se repetirá até que o orgulho humano seja esmagado na batalha do Armagedom. Há apenas uma questão moral básica: como sobrepor o desejo do coração humano de se colocar contra a autoridade e a graça de Deus”. 
Podemos ver a autoconfiança se manifestando nas nossas vidas pelo menos de duas maneiras: quando não trazemos nossos fardos a Deus em oração e quando não os levamos a outros cristãos. Em ambos os casos, gostamos de nos convencer de que podemos carregar o peso por nós mesmos, de que somos fortes o suficiente para carregá-los.

Quando estamos prontos para deixar nossa autossuficiência, percebemos que Deus nos oferece uma maravilhosa solução. Ele oferece uma forma de sermos aliviados dos fardos que carregamos. Com frequência, a forma como Deus cumpre as suas promessas e responde as nossas orações é através de outros cristãos ali mesmo em nossa igreja local. Deus espera que contemos nossos fardos uns aos outros e que respondamos a eles juntos, em comunidade. É por isso que Paulo disse à igreja da Galácia: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo”. (Gálatas 6.2).

As comunidades das nossas igrejas precisam ser marcadas pela humildade, conforme cada um de nós admite que não pode enfrentar a vida por si mesmo. Elas precisam ser marcadas pela vulnerabilidade, conforme nos abrimos aos outros e procuramos conselho e ajuda; precisam ser marcadas pela conscientização, conforme buscamos as pessoas ao nosso redor, perguntando como podemos auxiliá-las nos percalços da vida. A solução de Deus está sempre fora de nós mesmos.

A vocação: carregamento de fardos

Tudo isso nos leva à vocação maravilhosa de suportar os fardos. Piper diz:
“Aqui está uma vocação que te fará mais satisfeito do que se tornar dez vezes um milionário: desenvolva a habilidade extraordinária de detectar os fardos dos outros e devote-se diariamente a torná-los mais leves”. 
Faça-os mais leves através da oração, faça-os mais leves ao aplicar e trazer a Palavra do Senhor com habilidade, faça-os mais leves pelo conforto da sua presença. Em todo caso, faça do seu chamado sagrado o procurar e partilhar os fardos de seus irmãos e irmãs. Não há chamado maior do que esse. Mas há mais: você também deve a si mesmo e à comunidade da sua igreja o partilhar de fardos, para que você se humilhe ao pedir a ajuda deles.


Fonte:
Reforma 21 - Tim Challies
Tradução:
Kimberly Anastacio
Original aqui

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quarta-feira, 13 de maio de 2015

O que devo fazer?



“O que devo fazer? Não aguento mais!” Há algum tempo, a representante da fundação suíça Pro Juventude disse em um programa de rádio que essa questão é uma das que mais preocupa os jovens. A pergunta “O que devo fazer?” é tão antiga quanto o próprio pensamento. O famoso filósofo Immanuel Kant já apresentava questionamentos semelhantes por volta de 1770: “O que posso saber? O que devo fazer? O que posso esperar? O que é o homem?”[1]

O homem pode procurar em muitos lugares, mas não terminará sua busca enquanto não recorrer à Bíblia. Só ela pode nos dar uma resposta conclusiva sobre o que devemos fazer e para quê existimos.

Certa vez perguntou-se ao Senhor Jesus: “Que faremos para realizar as obras de Deus?” (Jo 6.28), ao que Ele respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (v.29).

A maior desgraça do ser humano é não crer em Jesus. Não há negligência maior! Em comparação, todas as outras experiências negativas são meros grãozinhos de areia. Quem está caído num buraco escuro estará disposto a fazer qualquer coisa para sair dele. Mesmo ao enfrentar males menores nos dispomos a enfrentar riscos maiores apenas para melhorar nossa reputação. Mas a solução do problema original de nossa vida é a fé em Jesus Cristo.

No dia de Pentecostes os judeus perceberam que não estavam realmente bem, apesar de seguirem todos os preceitos da lei. Devido à pregação cristocêntrica de Pedro aconteceu o seguinte: “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” (At 2.37). A resposta de Pedro foi a única correta: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (v.38). O resultado não deixou de aparecer: “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (v.41).

Saulo de Tarso era um homem que odiava Jesus e Sua Igreja de todo o seu coração. Transtornado pela ira, ele fazia de tudo para destruir a Igreja dos cristãos. Mas um dia o Senhor o encontrou. Vencido por esse acontecimento sobrenatural, Saulo fez a pergunta decisiva: “Senhor, que queres que faça?” (At 9.6, RC). O Senhor perdoou os pecados de Saulo e escolheu-o como apóstolo das nações. Além disso, ele recebeu um novo nome: Paulo.

O carcereiro de Filipos tinha a tarefa de vigiar dois prisioneiros com especial cuidado: o apóstolo Paulo e seu companheiro Silas. Esse guarda durão estava acostumado a muitas coisas. Ele cumpria sua tarefa seguindo regras rígidas, mas isso não lhe trazia satisfação. Ele teve tempo para observar Paulo e Silas. Assim, percebeu que eles não se queixavam da sua desgraça, mas começaram a cantar, sim, a louvar a Deus. De repente um terremoto abalou a prisão, de forma que as portas se abriram e as cadeias de todos os prisioneiros se romperam (At 16.26). O carcereiro acordou do seu sono, percebeu sua situação comprometedora e quis matar-se com sua espada (v.27).

Talvez ele já estivesse questionando sua vida há muito tempo, sentindo-se frustrado por aquilo que havia dentro e em volta dele. Paulo percebeu isso e consolou-o. Depois disso o homem fez a pergunta decisiva: “Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” (At 16.30). Paulo respondeu sem hesitar: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (v.31). A fé nessa mensagem revolucionou a vida do carcereiro – ele tornou-se um novo homem no mais verdadeiro sentido da palavra: “Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. Então, levando-os para a sua própria casa, lhes pôs a mesa; e, com todos os seus, manifestava grande alegria, por terem crido em Deus” (v. 33-34).

Vamos analisar com mais atenção as perguntas do filósofo Immanuel Kant, mencionadas no início:

O que posso saber?

Você pode saber que Jesus é a esperança para a vida de todos. Para Ele não há casos perdidos. Você também pode saber que Ele tem poder para perdoar os pecados e dar não somente vida nova, mas vida eterna. Você pode saber que Jesus oferece um tipo de segurança que não acaba amanhã nem depois de amanhã. A vida espiritual do apóstolo Paulo começou com a pergunta: “Quem és tu, Senhor?... Senhor, que queres que faça?” (At 9.5-6). Pouco antes de sua morte, já idoso, ele pôde testemunhar: “...porque sei em quem tenho crido...” (2 Tm 1.12).

O que devo fazer?

Os exemplos citados anteriormente mostram que é preciso decidir-se por Jesus, pois “a obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29). As pessoas que tinham escutado a pregação de Pedro no Pentecostes aceitaram a Palavra de Deus de boa vontade. O carcereiro de Filipos ficou feliz por ter se tornado crente junto com toda a sua casa – esse foi um ato de decisão consciente. Ele se colocou à disposição do Senhor.

O que você deve fazer? Aceite o convite de Deus feito por meio do Seu profeta: “Buscai-me e vivei” (Am 5.4).

O que posso esperar?

Quem realmente procura Deus vai encontrá-lO, obterá perdão dos pecados e viverá! Tal pessoa pode ter a esperança de que o Senhor nunca mais a abandonará e a conduzirá até a eternidade. Em Jesus, os fardos são aliviados, a esperança nasce, orações são atendidas e as dificuldades existentes são transpostas. Não dependemos mais de nós mesmos: Jesus está conosco!

O que é o homem?

Sem Jesus ele é uma vítima indefesa de Satanás e do pecado. Mas com e por meio de Jesus o homem ganha uma nova posição: ele se torna filho de Deus, co-herdeiro de Jesus e, assim, herdeiro do Pai celeste. Então vale o seguinte: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17).

Nota:

1. GEO nº 3/2006, p. 148.

Fonte:
Encontre a Paz - Norbert Lieth
Imagem:
Mike Sinko
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E Jesus Estava... Dormindo



O Pai celestial nunca perde de vista Seus filhos; isso é um fato real. Ele está sempre conosco. No Salmo 37.25 encontramos o maravilhoso testemunho: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado...”. Não podemos negar que às vezes parece que nosso Senhor se esconde de nós. Por que chegamos a esse ponto? Há aqueles dias em que não estamos muito bem e nos sentimos fatigados e vazios. Não temos a firme sensação de estarmos conectados com Jesus. Aí o erro está em nós, que avaliamos esse aparente silêncio do Senhor da forma errada. Muitas vezes parece que recebemos da parte do Senhor uma mensagem de “Ausente” e afirmamos depressa demais que Ele não está presente. Será que Ele não está presente mesmo?

No lago de Genesaré flutua um barco. Os passageiros são o Senhor e Seus discípulos. Os discípulos estão na proa do barco enquanto o Senhor Jesus fica na parte de trás, repousando adormecido sobre um travesseiro. Enquanto Ele dorme começa uma violenta tempestade e o barquinho está em perigo de naufragar.

Aqui é muito importante perguntar: nesse momento o Senhor estava ou não estava com Seus discípulos? Poderíamos responder que estava e não estava. Mas Ele estava com eles, sim – mesmo que não da forma que Seus discípulos esperavam. Ele estava presente porque de fato se achava na traseira do barco, visível, deitado em um travesseiro; os discípulos O viam ali. Mas Ele não estava presente no sentido de, aparentemente, não estar acompanhando o que se desenrolava ao seu redor, uma vez que estava dormindo. Qual era a percepção dos discípulos nesse momento? Como foi que eles reagiram quando a tormenta se abateu sobre eles e seu Senhor continuava dormindo?

É triste mas verdadeiro: o momentâneo silêncio de seu Senhor fez com que aqueles homens tivessem uma sensação de abandono, como se o Mestre os tivesse deixado sozinhos. Sua reação veemente e seu pânico são a prova: “Mestre, não te importas que pereçamos?” (Mc 4.38). A Bíblia Viva reflete melhor toda a sua emoção: “Mestre, nós estamos quase nos afogando e o Senhor nem se importa?”. Essas palavras mais do que evidenciam que, para eles, nessa situação seu Senhor não era um Deus salvador! Mas Jesus ficou muito triste com essa postura dos que O conheciam e seguiam, pois posteriormente ouvimos Sua pergunta: “Porque sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?” (Mc 4.40). Outra versão bíblica diz: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?” (NVI).

O Senhor quer ver o que realmente existe dentro de nós e qual o quilate de nossa fé.
Prezado leitor, na nossa vida de fé há momentos de desalento, quando temos a sensação de que o Senhor se escondeu. Mas Ele não foi embora, Ele apenas “dorme na popa” do barquinho da nossa vida. Isso significa que, de repente, por alguma razão que só o Senhor conhece, as circunstâncias estão diferentes de ontem ou anteontem. Tudo ia tão bem até agora, a presença do Senhor era uma feliz certeza para nós, mas de repente as lutas vêm e nos sentimos sozinhos e desamparados. Preste bem atenção no que vou dizer agora: quando não vemos o Senhor, nem ouvimos Sua voz, nem sentimos Sua presença, mesmo assim Ele está presente, pois está sempre conosco!

Muitas vezes esses tempos difíceis, quando parece que entrou areia na engrenagem da nossa vida e nos sentimos abandonados e isolados, são tempos de provação, quando o Senhor nos molda e transforma. Ele quer ver o que realmente existe dentro de nós e qual o quilate de nossa fé. Pensemos em Deuteronômio 8.2, quando Deus mandou dizer a Seu povo Israel: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os meus mandamentos”. Em nossa vida também acontecem muitas provações, com a mesma finalidade.

O Senhor dormindo na traseira do barco foi uma provação de fé para os discípulos de Jesus. O alvo do Senhor não era assustá-los e afligi-los, mas fazê-los crescer na fé.

O que quer que tenhamos de enfrentar, por mais silencioso que tudo esteja em nós e ao nosso redor, por mais que o Senhor pareça distante e não consigamos ouvir Sua voz, podemos ter a firme certeza de que Deus não nos abandonou!



Fonte:
Portal Chamada - Marcel Malgo
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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Por que você parou de correr?



Depois de quarenta anos caminhando pelo deserto, o povo de Israel chegou defronte à terra prometida. Só faltava atravessar o rio Jordão, cujas águas haviam coberto as margens. O Deus que, no início da jornada, havia aberto o mar Vermelho fez outro milagre. Quando os sacerdotes chegaram ao Jordão e puseram os pés dentro d’água, “ela parou de correr e ficou amontoada na parte de cima do rio até a cidade de Adã” (Js 3.16).

Referindo-se a este fato histórico, o poeta personaliza o mar e o rio e lhes pergunta: “O que aconteceu, ó mar, para que você fugisse assim? E, você, rio Jordão, por que parou de correr?” (Sl 114.5).

Esta segunda pergunta tem um paralelo na carta de Paulo aos Gálatas: “Vocês estavam correndo muito bem! Quem os convenceu a se desviar do caminho da obediência?” (Gl 5.7).

Em vez de usar palavras duras com as ovelhas que não voltam ao aprisco, poderíamos apenas perguntar ternamente: “E você, fulano de tal, por que parou de correr?”. É como se Paulo falasse com Demas: “E você, Demas, por que me abandonou e se apaixonou por este mundo?” (2Tm 4.10). É como se Jesus falasse com a igreja de Éfeso: “E vocês, irmãos de Éfeso, por que não me amam, como antes?” (Ap 2.4).

Não são poucos os que corriam e agora não correm mais. Essas pessoas não são necessariamente cínicas. O que acontece com elas é o que aconteceu com Davi. Quando se desprendeu do rebanho, o salmista não era um estranho na casa de Deus. Ele conhecia os mandamentos. Ele tocava harpa e dançava diante do Senhor. Ele regia a banda e o coro. Ele apenas fraquejou, deu-se ao luxo de ter uma aventura qualquer lá fora. Mas o profeta Natã lhe perguntou: “E você, Davi, por que parou de correr?”.

Se eu parar de correr – Deus me livre! –, alguém precisa me perguntar: “E você, rapaz, por que parou de correr?”. No caso de Davi, a pergunta deu certo. Pouco depois dela, o salmista teve saudade das verdes pastagens e das águas tranquilas, da vara e do cajado do Pastor, da mesa farta e do cálice transbordante, da unção com óleo, da bondade e da fidelidade diárias do Senhor. Então clamou ao Senhor em uma das mais ternas de suas orações: “Andei vagando como uma ovelha perdida; vem em busca do teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos!” (Sl 119. 176).

Fonte:
Ultimato

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

O Encontro de Isaías com a Santidade de Deus



O profeta no Israel do Antigo Testamento era um homem solitário. Ele era um indivíduo separado por Deus para uma tarefa penosa. Ele servia como uma espécie de promotor público, apontado pelo Supremo Juiz do céu e da terra para mover uma ação judicial contra aqueles que pecaram contra o tribunal. O profeta era um mensageiro, um arauto do Rei cósmico. Seus pronunciamentos eram introduzidos pelas palavras “Assim diz o Senhor”. A vida dos profetas era turbulenta e muitas vezes curta; o registro da vida dos profetas é similar a história de mártires.

Quando é dito sobre Jesus que ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53.3), fica claro que ele fazia parte de uma longa lista de homens que Deus havia apontado para tal sofrimento. A maldição do profeta era a solidão; sua casa era, muita vezes, uma caverna. O deserto era seu local tradicional de encontro com Deus. A nudez era, algumas vezes, seu guarda-roupa, uma berlinda de madeira, sua gravata. Suas canções eram compostas com lágrimas.

Assim era Isaías ben Amoz. No rol de heróis do Antigo Testamento, Isaías se destaca em realce sem igual. Ele foi um profeta de profetas, um líder de líderes.

O que distinguia o profeta Isaías de todos os outros homens era o caráter sagrado do seu chamado. Seu chamado não veio de homens. Ele não poderia se candidatar para o trabalho. Ele precisava ser selecionado – escolhido direta e imediatamente por Deus. O chamado não poderia ser recusado, e o trabalho era vitalício. O registro do chamado de Isaías é talvez o mais dramático de todos chamados desse tipo no Antigo Testamento. Ele aconteceu no ano da morte do rei Uzias.

Uzias morreu no século VIII a.C. Ele foi um dos melhores reis que governou sobre Judá. Ele não foi um rei como Davi, mas também não era conhecido pela corrupção que marcava os reis do norte, tal como Acabe. Uzias se tornou rei aos dezesseis e reinou por 42 anos. A Bíblia diz que Uzias começou seu reinado de forma piedosa, fazendo “o que era reto perante o SENHOR” (2 Cr nicas 26.4). Ele buscou a Deus, e Deus o abençoou. Pela maior parte de sua carreira, Uzias foi reconhecido como um grande e amado rei.

A história de Uzias termina com um tom de tristeza. Sua carreira foi manchada pelo pecado do orgulho, cometido após ele ter adquirido grande riqueza e poder. Ele audaciosamente entrou no templo e arrogantemente reivindicou o direito que Deus havia dado apenas aos sacerdotes. Quando os sacerdotes do templo tentaram pará-lo, Uzias ficou irado. Enquanto ainda gritava em fúria contra eles, surgiu lepra em sua testa, e ele viveu o resto de sua vida em isolamento.

Quando Uzias morreu, apesar da vergonha de seus últimos anos, houve um período de luto nacional. Isaías foi ao templo, presumivelmente procurando consolo. Ele obteve muito além do que esperava.

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. (Isaías 6.1)
Quando Isaías veio ao templo, havia uma crise de soberania na terra. O rei Uzias estava morto. Os olhos de Isaías foram abertos para ver o verdadeiro Rei da nação. Ele viu a Deus, o Soberano, sentado em um trono.

Os seres humanos não têm permissão para ver a face de Deus. As Escrituras advertem que nenhuma pessoa pode ver a Deus e viver. Lembramo-nos do pedido de Moisés em Êxodo 33, quando ele subiu ao monte santo de Deus. Moisés fora uma testemunha ocular de milagres surpreendentes, mas não estava satisfeito. Queria mais. Ele rogou a Deus no monte: “Deixe-me ver sua face. Mostra-me sua glória”. O pedido foi negado, mas o Senhor permitiu que Moisés visse suas costas enquanto a glória de Deus passava por ele.

Quando Moisés retornou do monte depois de ter visto as costas do Senhor, seu rosto brilhava. As pessoas ficaram apavoradas e se afastavam dele em temor. Então Moisés colocou um véu sobre o rosto. Se as pessoas ficaram aterrorizadas diante da visão da glória refletida das costas de Deus, como alguém conseguiria contemplar sua santa face diretamente?

No entanto, o objetivo final de todo cristão é ver aquilo que foi negado a Moisés. Queremos ver a Deus face a face. Essa esperança se torna mais do que uma esperança para o cristão – ela se torna uma promessa. O apóstolo João escreveu: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1 João 3.2).

Aqui está a promessa de Deus: nós o veremos como ele é. Teólogos chamam essa expectativa de “visão beatífica”. Veremos a Deus como ele é, em sua pura essência divina.

Neste momento, é impossível vermos a Deus em sua pura essência. Antes que isso aconteça, precisamos estar purificados. Jesus prometeu a visão de Deus somente a um grupo distinto: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5.8). Nenhum de nós é puro de coração neste mundo. É a nossa impureza que nos impede de ver a Deus.

Em sua visão, Isaías avistou serafins por cima de Deus enquanto este se assentava entronizado no templo. O versículo três é o ponto crucial da visão de Isaías. É a canção dos serafins que revela a impressionante mensagem deste texto: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6.3). A canção é a repetição de uma única palavra: santo. A importância da repetição da palavra santo pode passar facilmente despercebida. É um recurso literário encontrado na literatura hebraica, principalmente na poesia. É um tipo de ênfase.

Em poucas ocasiões a Bíblia repete algo três vezes seguidas. Mencionar algo três vezes seguidas é elevá-lo ao grau superlativo. Por exemplo, o terrível julgamento de Deus é declarado assim no livro de Apocalipse: “Ai! Ai! Ai dos que moram na terra” (Apocalipse 8.13).

Apenas uma vez na Sagrada Escritura um atributo de Deus é elevado ao terceiro grau. Somente uma característica de Deus é mencionada três vezes seguidas. A Bíblia diz que Deus é santo, santo, santo. Ele não é meramente “santo”, ou mesmo “santo, santo”. Ele é “santo, santo, santo”.

Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! (Isaías 6.5)
Ao som da voz dos serafins, as portas do templo tremeram. O material inerte do batente da porta teve o bom senso de se deixar estremecer pela presença de Deus. Mas não eram apenas as portas que tremiam. O que mais tremia era o corpo de Isaías. Quando viu ao Deus vivo, ele clamou: “Ai de mim!”.

O clamor de Isaías soa estranho ao ouvido moderno. É raro ouvirmos alguém usar a expressão “ai” hoje em dia. Já que essa expressão é antiga e arcaica, alguns tradutores modernos preferiram substituí-la por outra expressão. Esse é um erro sério. A expressão “ai” é um termo bíblico crucial que não podemos nos dar o luxo de ignorar.

A força total da exclamação de Isaías deve ser vista no contexto de um tipo especial de discurso encontrado na Bíblia. Quando os profetas pronunciavam suas mensagens, a forma mais comum era o oráculo. Oráculos eram pronunciamentos de Deus, que podiam ser boas ou más notícias. Os oráculos positivos começavam com a palavra “bem-aventurado”. Jesus usou essa fórmula nas Bem-aventuranças. Seus ouvintes compreendiam que ele usava a fórmula do profeta. Esses oráculos traziam boas novas.

Jesus também usou a forma negativa do oráculo. Enquanto denunciava os fariseus, ele pronunciou o julgamento de Deus sobre suas cabeças. Na boca do profeta, o “ai” é um anuncio de condenação.

O uso de Isaías do “ai” foi extraordinário. Quando viu o Senhor, ele pronunciou o julgamento de Deus sobre si mesmo. “Ai de mim!”, ele clamou, invocando a maldição de Deus sobre sua própria cabeça. Uma coisa é o profeta amaldiçoar alguém em nome de Deus; outra totalmente diferente é o profeta proclamar a maldição sobre si mesmo.

Imediatamente após a maldição de condenação, Isaías clamou: “Estou perdido”. Eu prefiro a tradução mais antiga, que diz: “Vou perecendo”. Perecer significa acabar-se. Um súbito vislumbre de um Deus santo, e toda a autoestima de Isaías foi abalada. Enquanto podia se comparar com outros mortais, ele era capaz de manter uma opinião elevada sobre seu próprio caráter. No instante que ele se mediu diante do padrão último, ele foi destruído – moralmente e espiritualmente aniquilado.

A súbita consciência de ruína estava ligada à boca de Isaías. Ele clamou: “sou homem de lábios impuros”. Poderíamos ter esperado que ele dissesse “sou homem de hábitos impuros” ou “sou homem de pensamentos impuros”. Em vez disso, ele chamou a atenção imediatamente para a sua boca. De fato, disse: “Tenho uma boca suja”. Por que esse ênfase na boca?

Talvez uma pista para a atitude de Isaías possa ser encontrada nas palavras de Jesus, quando afirmou que não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai. Ou poderíamos examinar o discurso de Tiago, irmão de Jesus, o qual escreveu que a língua “é mal incontido, carregado de veneno mortífero” (Tiago 3.8).

Esta foi a percepção de Isaías. Ele reconheceu que não estava só em seu dilema quando exclamou: “sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios” (Isaías 6.5). Ele entendeu que toda a nação estava infectada de pessoas de boca suja. Instantaneamente, Isaías teve uma compreensão nova e radical do pecado. Viu como este contaminava a si mesmo e a todos.

Temos sorte em Deus não aparecer a nós da mesma forma que o fez com Isaías. Deus normalmente revela a nossa pecaminosidade aos poucos. Mas mostrou a Isaías toda sua corrupção de uma vez. Não é de se admirar que Isaías estava perecendo. Isaías explicou o ocorrido desta forma: “meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!” (Isaías 6.5). Ele viu a santidade de Deus. Pela primeira vez em sua vida, Isaías realmente entendeu quem Deus era. No mesmo instante, também entendeu, pela primeira vez, quem ele realmente era.

Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado. (Isaías 6.6-7)
Isaías estava moralmente nu e sozinho diante de Deus. Ao contrário do que aconteceu com Adão, Isaías não possuía nenhuma Eva para confortá-lo, nenhuma folha de figueira para ocultá-lo. Ele era plena angústia moral, daquelas que dilaceram o coração de um homem e rasgam sua alma em pedaços.

Mas o santo Deus é também um Deus de graça. Ele se recusou permitir que seu servo continuasse sem conforto. Tomou medidas imediatas para limpar aquele homem e restaurar a sua alma. Comandou um dos serafins para entrar em ação. A criatura angélica se moveu rapidamente, voando para o altar com uma tenaz. Do fogo ardente, o serafim tomou uma brasa viva, tão quente que nem o anjo poderia tocá-la, e voou até Isaías.

O serafim pressionou a brasa nos lábios do profeta e os queimou. O forte cheiro da carne queimada encheu as narinas de Isaías, mas tal sensação foi entorpecida pela dor excruciante. Essa foi uma misericórdia severa, um doloroso ato de purificação. A ferida de Isaías foi cauterizada, a sujeira em sua boca, queimada. Ele fora refinado pelo fogo sagrado.

Neste ato divino de purificação, Isaías experimentou um perdão que foi além da purificação dos seus lábios. Ele foi totalmente purificado, completamente perdoado, mas não sem a terrível dor do arrependimento. Foi além da graça barata e de um leviano “sinto muito”. Ele estava enlutado pelo seu pecado, tomado por tristeza moral, e Deus enviou um anjo para curá-lo. Seu pecado foi retirado. Sua carne queimada por um breve segundo trouxe uma cura que se estenderia até a eternidade. Em um momento, o profeta desintegrado estava inteiro novamente. Sua boca havia sido purgada. Ele estava limpo.

Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. (Isaías 6.8)
A visão de Isaías toma então uma nova dimensão. Até este ponto, ele havia visto a glória de Deus, ouvido a canção dos serafins e sentido a brasa viva em seus lábios. Agora, pela primeira vez, ele ouve a voz de Deus. De repente, os anjos ficaram em silêncio e a voz ressoou pelo templo; a voz que a Bíblia descreve em outros lugares como o som de muitas águas.

Há um padrão aqui, o qual se repete pela história. Deus aparece; as pessoas estremecem em terror. Deus perdoa e cura; Deus envia. Quando Deus perguntou “a quem enviarei?”, Isaías compreendeu o peso de tais palavras. Ser “enviado” é ser um emissário de Deus. A palavra “apóstolo” significa “alguém que é enviado”. O apóstolo do Novo Testamento é o profeta do Antigo Testamento. Deus estava buscando um voluntário para ingressar no ofício solitário e extenuante de profeta.

Repare na resposta de Isaías: “eis-me aqui, envia-me a mim”. Isaías não estava apenas indicando sua localização. Com essa resposta, Isaías estava dando um passo à frente como voluntário. Sua resposta foi: “Eu irei. Não procure mais. Envia-me.”

Todos pregadores são vulneráveis à acusação de hipocrisia. Na verdade, quanto mais fiéis à Palavra de Deus os pregadores forem, mais passíveis de tal acusação serão. Por quê? Porque quanto mais as pessoas forem fiéis à Palavra de Deus, mais elevada será a mensagem que pregarão. Quanto mais elevada a mensagem, mais distante estarão de obedecê-la.

Eu tremo quando falo nas igrejas sobre a santidade de Deus. Posso antecipar as respostas das pessoas. Elas deixam o santuário convencidas de que estiveram na presença de um homem santo. Porque me ouviram pregar sobre santidade, elas assumem que devo ser tão santo quanto a mensagem que prego. É aí que clamo “ai de mim”!

É perigoso assumir que porque uma pessoa é atraída a estudar a santidade, então ela é uma pessoa santa. Há aqui uma ironia. Estou certo de que a razão pela qual tenho um desejo profundo de aprender sobre a santidade de Deus é precisamente porque não sou santo. Sou um homem profano. Mas provei o suficiente da majestade de Deus para querer mais. Sei o que significa ser perdoado e ser enviado em uma missão. Minha alma clama por mais.

Fontes:
Ministério Fiel - R. C. Sproul
Trecho do livro "Deus é Santo!", de R. C. Sproul.

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terça-feira, 5 de maio de 2015

Respondendo à crítica no casamento



Certa vez um homem estava procurando algo em cima do armário de sua esposa, quando descobriu uma caixa que ela vinha escondendo ao longo do casamento. Abriu a caixa e dentro achou três ovos, junto com trezentos reais. Achou estranho, e perguntou para sua esposa: “Querida, por que esta caixa? Por que você está guardando três ovos aqui?”
Ela respondeu, “Cada vez que eu quis apontar alguma falha sua e você não me deu ouvidos, eu coloquei um ovo na caixa.”

“Puxa” pensou o marido, contente consigo mesmo, “isso não é tão ruim. Somente três ovos em catorze anos de casamento! Mas de onde vieram os trezentos reais?” “Bem”, ela respondeu, “cada vez que consegui uma dúzia de ovos, eu os vendi.”

Não é fácil receber críticas. Estremece nossa segurança, balança nosso bem-estar. Mesmo assim, a maneira pela qual respondemos à crítica revela muito sobre quem somos – talvez mais do que queremos saber. Nossa resposta à crítica determina se ficaremos estagnados, parados no tempo, ou se realmente vamos crescer individualmente e em nossos relacionamentos familiares.

Talvez ninguém esteja escondendo ovos de você. Mas será que você sabe receber críticas e aproveitá-las para seu bem? Você coloca a crítica a seu serviço ou se torna escravo dela? Não é de surpreender o fato de que a Bíblia fala muito sobre este assunto; só o livro de Provérbios menciona mais de 70 vezes esta marca da pessoa sábia, que sabe ouvir ensino, conselho, repreensão e CRÍTICA! Destes textos e outros podemos descobrir três passos que devemos dar quando criticados, que farão nossos lares muito mais tranquilos e sábios.

1. Devemos OUVIR a Crítica que Recebemos

Não adianta falar sobre qualquer outro passo a dar ou atitude a ter perante a crítica, antes de darmos ouvidos a ela. Muitas pessoas, talvez a maioria, nem chegam a esse primeiro passo. São os “sabe-tudo” que infelizmente precisam “pisar na bola” várias vezes antes de acordar para a realidade.

Provérbios nos aconselha a OUVIR antes de responder à crítica: “Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha” (Pv 18:13). Ouvir caracteriza quem quer crescer e aprender: “Os ouvidos que atendem à repreensão salutar, no meio dos sábios têm a sua morada.” “Ouve o conselho, e recebe a instrução, para que sejas sábio nos teus dias por vir” (Pv 15:31; 19:20).

A crítica melhora nosso caráter e nos prepara para enfrentar novos desafios no futuro. Aponta defeitos que podem prejudicar nosso progresso. Aquele que não sabe receber críticas já parou de crescer!

A crítica serve como as placas de advertência no trânsito. O semáforo amarelo nos adverte: “Cuidado! Prepare-se para parar!” Interpretamos: “Cuidado! Se não você correr agora, será tarde demais!” Ignorar as placas de advertência pode ser muito perigoso, especialmente no lar. Nenhum relacionamento fracassa de um dia para outro. Sempre há luzes vermelhas que começam a piscar, nos advertindo de que algo está errado. Mas muitas vezes passamos correndo, prejudicando relacionamentos e a nós mesmos.

2. Devemos VALORIZAR a Crítica que Recebemos

Não é fácil, mas precisamos reconhecer que crítica é uma dádiva de Deus. Mesmo quando a pessoa que nos critica não o faz por amor, a crítica serve para nos tornar mais sábios. É um presente de Deus! Provérbios deixa este fato claro:

“Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos” (Pv 27:6) “Como pendentes e jóias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento” (Pv 25:12). “O que repreende ao homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua” (Pv 28:23).

Anos atrás eu tive o privilégio de viajar para a África, para uma colônia de pessoas leprosas. Vi os resultados trágicos daquela doença e aprendi a valorizar a dor. A lepra ataca o sistema nervoso e a pessoa perde sua sensibilidade à dor. Mas ao invés de ser uma bênção (imagine não ter mais dor!), a ausência de dor leva a pessoa a ter feridas graves, perdendo dedos, braços e pernas porque não sente mais aquele alerta de que algo está errado no corpo. O fato é que a crítica dói, e ninguém gosta de dor. Fazemos de tudo para evitá-la. Mas quando fugimos da dor da crítica, corremos grandes riscos de estagnar o desenvolvimento de relacionamentos sadios, especialmente no lar. Precisamos aprender a receber correção, mesmo que doa, como sendo um ato de amor.

3. Devemos Responder Positivamente à Crítica que Recebemos

A última resposta à crítica prova se ainda somos pessoas moldáveis ou se já estamos “petrificadas.” Chegamos ao momento da decisão. O que faremos com a crítica que recebemos? Mais uma vez, Provérbios oferece conselho sadio:

“O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv. 28:13). “Os ouvidos que atendem à repreensão salutar, no meio dos sábios têm a sua morada.” (Pv. 15:31).

Tiago acrescenta: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” Que pena olhar no espelho da Palavra (ou da crítica), ver quem somos, e depois virar as costas dizendo: “Sou assim mesmo, e daí?” A crítica é uma marca do amor de Deus em nossa vida! Precisamos andar seguros de quem nós somos em Cristo (Ef 1-3). Assim, descansaremos na soberania de Deus que nos proporciona a crítica para nos manter humildes e ensináveis, pessoas que continuam crescendo na Sua graça.

Quem não vive pela graça de Deus mas, sim, pelo desempenho, está condenado a uma vida de comparação com os outros, ira, desânimo, mentira e fuga. Terá que usar máscaras para fingir ser o que não é. Essa vida hipócrita não é a vida de quebrantamento e humildade constante que o Senhor Jesus requer (Mt 11.28-30). Para realmente crescermos em sabedoria, precisamos recebê-la com um espírito de humildade e gratidão, com dependência total na graça de Deus revelada no perdão de Cristo. Ele sabe que somos pó, e quer transformar esse pó em diamante. Além disso, é a melhor maneira de não acumular uma caixa de ovos em cima do seu armário!

Fonte:
Todah Elohim - David Merkh

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domingo, 3 de maio de 2015

Vendo a Salvação de Deus


"Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meus olhos já viram a tua salvação" (Lc 2.28-30).

Esse evento foi o auge da vida de Simeão: segurar em seus braços e apertar contra seu peito a Jesus, o Filho de Deus. Simeão havia acertado ao esperar de maneira constante e persistente pela consolação de Israel, mesmo tendo ficado idoso, de cabelos brancos. Ele cria nas palavras proféticas, por exemplo, no Salmo 33.4: "Porque a palavra do Senhor é reta, e todo o seu proceder é fiel". Deus jamais decepcionou alguém que confiou plenamente nEle. Mas muitas vezes a demora do cumprimento de Suas promessas serve para nos fazer amadurecer, preparando-nos para vivenciar o cumprimento dos desígnios divinos. Através de uma espera paciente Deus nos conduz a um relacionamento mais profundo e íntimo consigo mesmo. Isso é graça!

Quem vive com Deus de maneira determinada experimenta a glória e os milagres da Sua graça. Foi assim que o velho Simeão foi conduzido por Deus ao templo, movido pelo Espírito, no momento certo! Pois foi justamente nessa ocasião que os pais de Jesus trouxeram seu primogênito – 40 dias após o nascimento – cumprindo a lei da apresentação, (expiação, conforme Levítico 12). Que ventura deve ter sido para Simeão ver a Jesus e carregar em seus braços o Filho de Deus, o Messias! Essa experiência satisfez a todos os seus mais profundos anseios. E ele agradeceu a Deus em seu cântico (por favor, leia Lucas 2.25-32). Agora Simeão não precisava esperar mais nada na vida e desejava que Deus o chamasse para o céu.

Espero que o anseio de ver a Jesus, movido pelo Espírito, torne-se cada vez mais intenso em sua e em minha vida! Como seria bom se ficássemos desfalecidos de amor pelo Senhor, como a noiva do livro de Cantares, fazendo-nos desejar acima de tudo agradar-Lhe e estar bem perto dEle! "A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!" (Sl 84.2), diz o salmista Davi, que tinha caído em pecado mas também havia experimentado a restauração. No Salmo 85.9 ele testemunha: "Próxima está a salvação dos que o temem, para que a glória assista em nossa terra".

Certamente veremos a glória do Senhor em todo o seu esplendor quando nos encontrarmos com Ele face a face. Por enquanto, ainda temos de passar por períodos de sede, ainda temos de realizar o combate da fé. Um sedento anseia por água. Jesus nos oferece a água da vida e sacia nossos anseios.

Os pastores nos campos de Belém acreditaram na mensagem dos anjos e tiveram pressa para ver a salvação do mundo, e então anunciaram-na a todos. Era a energia da fé que os impulsionava. E assim deve ser também conosco, pois vivemos pela fé, e um dia veremos e experimentaremos a glória dAquele em quem cremos. A glória do Senhor já repousa desde agora sobre aqueles que esperam com paciência pela salvação, e seguem seu caminho com fé, movidos pelo Espírito.

Quem tem a Jesus em seu coração irá vê-lO, como diz 1 João 3.2: "Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é". Então também experimentaremos o que diz a Palavra de Deus em 1 Pedro 1.8: "exultais com alegria indizível e cheia de glória".

Fonte:
Encontre a Paz

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Onde estão os Timóteos do século 21?



Esta indagação tem inquietado o meu coração. Tenho visto muita baixa qualidade no ministério pastoral hoje. Há muita gente no ministério que não é séria. Estamos no século 21 e precisamos de pastores comprometidos com o ministério delineado e fundamentado nas Escrituras.

Segundo John Stott, o apóstolo Paulo faz a Timóteo um apelo tríplice: apelo ético, apelo doutrinário e apelo vivencial. O velho líder, morto em 27 de julho de 2011, foi muito sábio nesta abordagem. Temos notado problemas muito sérios nestas três áreas. Aliás, elas são vitais no exercício do ministério concebido na Palavra de Deus. Fazem parte do DNA do ministério pastoral. Timóteo, discípulo de Jesus ensinado por Paulo, era um jovem pastor comprometido com o caráter de Jesus Cristo, pronto a perder a vida pela missão que o Senhor lhe havia confiado apenas por graça. Vejamos então os três apelos paulinos: ético, doutrinário e vivencial.

O apelo ético:

Quando examinamos o apelo ético, ficamos estarrecidos. Há elementos com deformação de caráter exercendo a atividade ministerial. Elementos que usam de mentira, fazem do povo massa de manobra, não são sinceros em suas manifestações, não sabem liderar com mansidão, não honram seus compromissos financeiros, gastando mais do que ganham; usam de vaidade, aspiram uma vida confortável e o pódio; desejam carros sofisticados, gostam de roupas de grife, transitam em lugares não próprios, maltratam a família, buscam se aproveitar do povo para fins de lucro, exigem salários altos, não honram compromissos de agenda e pregam sermões dos outros como se fossem seus. Estão longe da ética do Reino de Deus. Não têm intimidade com o Senhor por meio da oração e da Palavra. Não fazem o culto doméstico. Vivem uma vida mundana, sem autoridade espiritual.

O apelo doutrinário:

O apelo doutrinário está ligado ao compromisso com as doutrinas bíblicas, com a ortodoxia batista (no meu caso). Timóteo estava visceralmente ligado à verdade das Escrituras. Estas eram centrais em sua experiência como cristão e pastor. Paulo o orientou a combater o combate da fé. O apóstolo lembra a Timóteo e a Tito a verdade revelada. O velho pastor os ensinou a amar a Palavra, a tradição oral e escrita da parte de Deus por meio do Seu Espírito. A doutrina dos apóstolos e profetas estava enraizada em Tito e Timóteo.

O pastor é aquele que está comprometido com a apologética, com a defesa da fé. Um homem versado nas Escrituras, cuja vida está pautada nelas. Stott indica que devemos defender, proclamar e ensinar a Sagrada Escritura com toda a fidelidade. Timóteo devia manejar muito bem a Palavra da Verdade (2 Tm 2.15). Paulo o orientou à leitura pública das Escrituras, à exortação e ao ensino (2 Tm 4.13). A exortação de Paulo a Timóteo é clara: "Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nessas coisas. Dessa forma, salvarás tanto a ti mesmo com os que te ouvem" (1 Tm 4.16). O pastor genuíno, chamado por Deus como homem comum para um trabalho extraordinário, deve amar as Escrituras, estudá-las com dedicação e zelo. Ensiná-las com convicção.

O apelo vivencial:

O último apelo de Paulo a Timóteo é o vivencial. A partir de uma vida íntegra (ética), um compromisso com a Palavra de Deus (doutrinário), temos a prática no dia a dia. Vida mais Escritura nos levam à vivência, ao testemunho fidedigno, absolutamente comprometido com o caráter de Deus Pai. Paulo ordenou a Timóteo a tomar posse da vida eterna. Esta vida eterna está bem exposta em João 17.3: "Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Esta vida eterna foi-lhe dada quando ele creu na suficiência da obra de Cristo Jesus na cruz e na ressurreição. O Senhor Jesus é o modelo de vida do pastor. Ele é o Bom Pastor que dá a Sua vida pelas ovelhas (João 10.11). Deus, nosso Pai, tinha prazer na vida de Jesus Cristo, Seu Filho. Como pastores, devemos dar prazer ao nosso Senhor, Àquele que nos vocacionou. Que ao olhar para nós Ele veja ética, amor à Palavra e obediência. Que cada pastor siga e sirva a Jesus Cristo com alegria e singeleza de coração, sendo o exemplo para o rebanho.

À semelhança de Timóteo, os pastores mais jovens do século 21 precisam ouvir os mais velhos. Carecem de mentores, homens de Deus experimentados e aprovados. Não nos esqueçamos de que os Timóteos de hoje, do século 21, precisam testemunhar como Paulo, quando da despedida dos pastores de Éfeso: "Mas em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contato que eu complete a carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At 20.24).

Também, olharem para o velho apóstolo, preso em Roma, quando declara com profunda convicção: "Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da justiça me está reservada, a qual o Senhor, Justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos quantos amarem a Sua vinda" (2 Tm 4.7,8). Os Timóteos do século 21 devem estar conscientes do equilíbrio entre ética, doutrina e vivência. O Senhor Jesus, nosso Pastor supremo, sabia, vivia e ensinava esse equilíbrio.

John Stott pergunta: onde estão os Timóteos do século 21? Ao responder, ele diz: "Eles procuram ser leais não só a um ou outro desses apelos, mas para toda a revelação bíblica, sem pinçar o que lhes agrada mais. Eles buscam a retidão, combatem o combate da fé e tomam posse da vida eterna - tudo isso ao mesmo tempo".
Deus é glorificado na vida dos ministros comprometidos com os Seus propósitos em Cristo Jesus! Louvado seja Deus pelos Timóteos do século 21! Que mais e mais obreiros assim sejam chamados, busquem a excelência no preparo e trabalhem arduamente para a salvação de vidas e a edificação da Igreja lavada pelo sangue de Jesus Cristo até que Ele volte!

Fonte:
Instituto Jetro
Autor:
Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor, desejando ser um Timóteo.
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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Homens de honra


“Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Coragem, pois, e sê homem!” (1Rs 2.2).

A família, a igreja e a sociedade precisam de homens de verdade, homens de honra. Esse foi o conselho de Davi a Salomão, seu filho, antes de morrer. Há muitos homens famosos, ricos, cultos, influentes, mas escasseiam os homens de honra. Homem de honra é aquele cuja vida é irrepreensível, cujas palavras são irresistíveis e cujas obras são irrefutáveis. Homem de honra é aquele que teme a Deus, ama a família e serve ao próximo. Homem de honra é aquele que, embora pobre enriquece a muitos; embora anônimo, abençoa a muitos; embora longe dos holofotes, ilumina a muitos.

Homem de honra é aquele cuja vida é irrepreensível, cujas palavras são irresistíveis e cujas obras são irrefutáveis
Precisamos de homens de honra, homens que tenham a coragem de amar a esposa como Cristo amou a igreja. Homens que tenham o compromisso de ensinar os filhos pelo exemplo mais do que pelas palavras. Homens que não terceirizam a liderança de sua casa nem se esquivam do sacerdócio do seu lar. Precisamos de homens como Abraão que levantou altares para adorar a Deus. Precisamos de homens como Josué que disse para sua nação: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Precisamos de homens como Neemias que teve coragem de chorar e jejuar pelo seu povo e se colocar nas mãos do Altíssimo para erguer do pó a sua cidade. Precisamos de homens como Paulo, que dispôs sua vida para servir a Cristo na saúde e na doença, na riqueza e na escassez. Precisamos de homens que não se dobrem diante da sedução dos prazeres nem das perseguições do mundo. Homens que enaltecem a verdade e combatem a mentira.

Homens cuja vida é o avalista de suas palavras.
Precisamos de homens de honra na política, nos tribunais, na educação, na saúde, na igreja, no comércio, na indústria, e sobretudo, na família. Somente homens de honra inspiram os mais jovens à integridade. Chega dos discursos hipócritas daqueles que estadeiam virtude no palco e rasgam todos os códigos da decência nos bastidores. Precisamos de exemplo e não de palavras, pois palavras sem vida são propaganda enganosa, trovão sem chuva, árvores cheias de folhas, mas desprovidas de frutos.

O conselho de Davi a Salomão nos ensina a necessidade de prepararmos nossos sucessores. Davi está morrendo, mas Salomão precisa pegar o bastão e continuar sua obra. Davi está morrendo, mas os princípios que governaram sua vida devem continuar na vida de Salomão, seu sucessor. Os homens de honra do presente precisam se inspirar nos homens de honra do passado, pois a história deve ser nossa pedagoga e não nossa coveira. Os melhores dias do passado podem ser medidas mínimas do que Deus pode fazer no presente.

Fonte: Palavra da Verdade | Rev Hernandes Dias Lopes

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